O Quilombo Cultural Malunguinho vem ao longo dos últimos sete anos desenvolvendo atividades de informação, formação e pesquisa na Cultura e Prática Afro-indigena-brasileira.
Mais um ano a Rede Globo Nordeste realiza a cobertura do Kipupa Malunguinho, contribuindo na luta contra o racismo e a intolerância religiosa. Ocupar o espaço da grande mídia é fundamental para a luta do povo de terreiro, que a cada dia avança passo a passo na luta contra todo tipo de discriminação.
Foi lindo o Kipupa. Quem vivenciou, jamais vai esquecer tão belo momento espiritual e cultural.
III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra
Dia 06 de Março de 2016 às 09h
No Clube Gilberto Valério, Alhandra/PB
O terceiro encontro de juremeiros e juremeiras em Alhandra tem como objetivo, levar religiosos de diversos lugares para celebrar a ciência mestra, trocar saberes e semear a união entre os terreiros em um dos lugares mais importantes da história da Jurema Sagrada: Alhandra/PB. Também, objetivamos abrir o calendário anual das atividades do Povo da Jurema no Brasil, fortalecer nossa Rede Nacional do Povo da Jurema e discutir coletivamente o papel político do povo de terreiro que precisará se posicionar fortemente nas eleições 2016 em todo nosso país.
Dando continuidade aos encontros realizados em 2008 (primeiro encontro de juremeiros e juremeiras realizado ainda nas terras do Sítio do Acaes) e o segundo realizado em 2015, continuamos unindo o povo da Jurema na missão da preservação de nossas tradições religiosas e culturais, além de manter acesa a luta pela preservação do Sítio do Acaes que foi destruído em 2008. Temos uma missão moral de cobrar do Estado ações de reconstrução e preservação da Casa de Maria do Acaes e outros patrimônios materiais e imateriais da Jurema.
Nosso Encontro, favorece a articulação e o respeito à diversidade religiosa interna de nossa religião, propiciando o encontro de povos e comunidades tradicionais de terreiro do Nordeste que nunca antes haviam se conhecido. Cada um com seus ritmos específicos, toadas particulares, formas de ser próprias trocando saberes sem preconceitos. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Ceará... Estados fortes do culto da Jurema unidos por que A JUREMA MERECE RESPEITO!
Temos um foco forte em 2016: Somos um povo pungente e uniremos forças para eleger nossos representantes políticos. Esta é uma necessidade coletiva nossa. QUEM É DE TERREIRO, VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!
Salve a Jurema Sagrada!
Informações Gerais
Saída dos ônibus
06h
Em frente ao Memorial Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo, centro do Recife.
Valor da passagem: R$: 45
Para comprar os bilhetes:
Ligue para: 81 99901-3736 (TIM/Zap) – Falar com a Secretária Bethânia.
09h - Chegaremos em Alhandra e realizaremos uma grande gira de culto à Jurema Sagrada, abrindo o evento – Podem levar ilús, maracás e irem vestidos com roupas tradicionais.
10h – Gira de Diálogos – A Jurema Sagrada, patrimônio e a luta contra a Intolerância Religiosa (momento da diversidade religiosa com representantes de diversas religiões).
10h40min – Debate.
11h Gira de Diálogos – A posição política e religiosa do Povo da Jurema nas Eleições 2016.
11h45min – Debate.
12h30min - Almoço – Faremos uma parada no Restaurante Teto Verde em Alhandra. Valor da comida: entorno de R$: 13. Self Service. Cada pessoa paga o seu.
14h e 30min - Após o almoço, visita à casa da Mestra Jardecilha para celebração de Jurema e troca de saberes debaixo dos Sagrados pés de Jurema.
17h – Retorno das Caravanas - Parada na Igrejinha do Acaes e no Memorial Zezinho do Acaes
Realização: Quilombo Cultural Malunguinho (idealização e coordenação geral), Rede Nacional do Povo da Jurema e Casa da Mestra Jardecilha.
Parcerias e Apoios: Prefeitura de Alhandra, Casa das Matas do Reis Malunguinho, Terreiro de Jurema do Mestre Benedito Fumaça – Pai Freitas/RN, Tenda de Umbanda Pai Francisco – Pai Messias/PE, Templo Afro Brasileiro José de Aruanda – Pai Vamberto/PB, Templo de Jurema Zé Rosas/PB, Casa de Caridade de Candomblé Ilê Axé Dará Xangô Oyá – Pai Alex de Arapiraca/AL, Terreiro de Jurema do Mestre Zé Vieira – Juremeiro Arthur/PE, Associação Espírita dos Juremeiros de Alhandra/PB.
Capa para Facebook. Coloque em sua página e nos ajude a divulgar o evento.
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!
Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.
Informações básicas:
Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)
Das 09 às 18h
Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"
Como chegar?
O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.
Para quem vai de carro ou em caravanas independentes o ponto de encontro é às 8h da manhã em frente a Prefeitura de Abreu e Lima. De lá sairá o comboio para o local do evento.
A estrada estará sinalizada com Banners. O local de entrada para chegar lá é na Avenida principal no Terminal dos Combeiros. Seguindo pelo bairro do Planalto entrando em Pitanga II. Não tem erro, é só seguir a sinalização e seguir o caminho sem entrar em nenhuma rua.
Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente.
Qualquer pessoa pode participar.
Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.
Convido todos amigos e amigas, afilhados e afilhadas e interessados à participar da palestra acima citada que acontecerá nesta segunda feira dia 21 de setembro de 2015.
Com muito orgulho, estarei dividindo a mesa com o professor Dr. Sandro Guimarães de Salles, que é um dos maiores, ou talvez o único, especialista na história do Acaes e de Alhandra.
Vai ser uma tarde de muita troca de saberes da Jurema Sagrada.
Parabenizo o Museu da Abolição pela iniciativa de levar discussões sérias sobre as tradições de matrizes indígenas ao grande público.
Vamos celebrar. São os 180 anos da morte do último Malunguinho, nada melhor do que discutirmos intelectualmente nossas questões históricas e culturais. Compareçam e chamem seus amigos e amigas.
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!
Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.
Informações básicas:
Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)
Das 09 às 18h
Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"
Como chegar?
O local do evento é um pouco complicado de chegar. Será sinalizado com banners na estrada (ficar atento). Providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.
Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente.
Qualquer pessoa pode participar.
Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.
A Jurema Sagrada como patrimônio
imaterial do Brasil
Perspectivas para um processo de
patrimonialização
No último dia 18 de Agosto de 2015, estive a convite do IPHAN, em sua
sede em Brasília para participar como conferencista na Capacitação Interna para
Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro,
apresentando uma conferência intitulada “Subsídios para preservação do
Patrimônio Cultural de Terreiros: aspectos da tradição Jurema”.
Palestra no IPHAN. Equipe do GTIT. Foto de Guitinho
da Xambá.
O GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do
Patrimônio Cultural de Terreiros, foi o organizador desta atividade que foi
exibida ao vivo via canal do youtube, com um grande grau de audiência, segundo
os organizadores.
Pude apresentar a teologia da jurema com vasto material levado em Power
Point e em artigos científicos que eu mesmo já publiquei em congressos.
Fotografias, textos, vídeos, e muita discussão fizeram deste momento um dos
mais ricos que já pude protagonizar. Não poderia ser diferente. Afinal, eu fui convidado
para defender a Jurema Sagrada como patrimônio imaterial do Brasil, e para isso
naturalmente teria que ter um conteúdo à altura.
A equipe do GTIT foi de uma sensibilidade imensa, me tratando super bem
e dando todas as condições para que eu pudesse expor tudo aquilo que venho
pesquisando e vivenciando durante toda minha vida. Foi uma experiência
privilegiada.
A invisibilidade e ostracismo que o culto da Jurema Sagrada foi
acometido durante tantas décadas, sobre tudo por causa da falta de interesse
dos acadêmicos em pesquisá-la e a falta de auto-estima do próprio povo de
terreiro do Nordeste, que vê ainda no Orixá a legitimação única de sua condição
de sacerdote etc. está sendo extinguida devido a momentos como este. Não
podemos ser mais invisíveis. Temos que ocupar todos os espaços que são para o
povo de terreiro, sem vergonha de nossas pertenças religiosas.
Ter discutido a questão Afro-Indígena foi um dos pontos fortes desta
palestra. Afinal, compreendo que temos que transcender este ponto. Não se pode
discutir religiões de terreiro no Brasil apenas citando as de matriz africana.
As religiões de matrizes indígenas, como é o caso da Jurema e outras, existem e
também são fortes como as demais. Também, se buscarmos profundamente argumentos
científicos veremos que somos um povo afro-indígena, e que nossas práticas
estão completamente imbricadas. Isso naturalmente foi fruto do processo
histórico que vivenciamos, e que temos que respeitar.
A Jurema tem uma cultura densa. Uma tradição ampla e cheia de elementos
belíssimos. Sua cosmologia e mitologia são grandiosas. Seus ritos complexos.
Sua forma de ser típica e tradicional. A Jurema tem fundamento e elementos
próprios que a dão sem dúvidas a condição de religião independente das demais.
Ela não é um apêndice da umbanda ou do “xangô de Pernambuco”, a Jurema é uma
RELIGIÃO, sem sombra de dúvidas! Afirmar isso infelizmente ainda é um processo
necessário de legitimação, afinal, alguns pesquisadores do passado a colocaram
como religião impura, misturada, degenerada e que seria na visão deles um
apêndice das demais, sem ter uma independência religiosa própria. Teremos que
desconstruir este processo que nos acarretou o ostracismo e a quase total
ausência de reconhecimento por parte das demais religiões de terreiro e da
sociedade. Este trabalho não é fácil, mas estamos conseguindo passo a passo
reverter esta injusta condição que os processos de opressão da história nos
forçaram a vivenciar.
O processo de patrimonialização da Jurema é algo que deve ser celebrado
por todos nós juremeiros e juremeiras. Este é um reconhecimento importante que
o Estado brasileiro tem que nos dá. É apenas mais um dos tantos processos de
reparação que nosso povo tem que ser beneficiado. Sermos patrimônio imaterial
do Brasil é sinônimo de avanço para nosso povo que precisa a cada dia mais de
elementos que nos legitimem perante a sociedade para conseguirmos vencer o
racismo e a intolerância religiosa. Esta é uma construção legítima que merece
nossos aplausos.
Eu e Guitinho da Xambá.
Também esteve presente o Guitinho da Xambá (do Grupo Bongar),
representando a tradição Xambá. Somos jovens que damos continuidade a luta de
nossos ancestrais com muito pertencimento e respeito, além de legitimidade. Sua
palestra foi muito rica e aprendi muito sobre a Nação Xambá, que eu tanto amo.
Parabéns pela bela apresentação.
Agradeço muito à Jurema e ao Reis Malunguinho por me darem esta condição
de defender nossa religião. Isso me deixa muito feliz, afinal, ter a confiança
das entidades e divindades da Jurema é um privilégio. Compartilhar desta fumaça
sagrada é algo dignificante, ser juremeiro é uma honra.
Obrigado a George Bessoni do IPHAN/PE que me indicou, seguimos juntos
nestas lutas... Obrigado a todos e todas do GTIT. Passamos um dia ótimo juntos.
Produzimos bastante, afinal três horas e meia de troca de saberes foi o mínimo
que pudemos fazer para dar conta de conteúdos tão esquecidos como são (ou eram)
os pertinentes a Jurema Sagrada. Rogo a todos os índios e caboclos, mestres e
mestras, pajés, caciques, trunqueiros, reis, divindades e entidades que faça
com que a roda continue girando e que consigamos fazer um grande trabalho real
de catalogação e registro dos bens imateriais e matérias da Jurema Sagrada.
Eu e Equipe do GTIT. Foto de Guitinho da Xambá.
Assistam toda conferência no vídeo do youtube no início desta postagem.
Salve a fumaça!
Sobô Nirê Mafá!
“Quanto mais meu lírio cheira, é pau, é pau, é
pau”!
É com imenso prazer que divulgo e convido meus irmãos de luta para neste dia 18/08 no IPHAN Nacional em Brasília participar da defesa da Jurema Sagrada como Patrimônio Imaterial do Brasil.
Esta capacitação servirá para que o IPHAN possa ter os argumentos necessários para dar o título a Jurema Sagrada de Patrimônio Imaterial do Brasil. Ista é uma coisa muito importante.
Quando penso que a força de meu Reis Malunguinho já me fez ir muito longe, ele me prova que posso ir bem mais... Sobre tudo para defender o interesse de todo nosso povo. De todo nosso coletivo.
Esta é uma responsabilidade que enfrento com muito orgulho e prazer. Estou preparado para ensinar ao IPHAN Nacional tudo que se faz necessário para que consigamos este título.
Torçam por mim. Vibrem. Esta luta é nossa. Fui selecionado para tal feito devido ao trabalho que realizo a mais de 15 anos. Isso é gratificante.
Sobô Nirê Mafá!
Obrigado senhores mestres e índios de minha Jurema.
Salve a fumaça!!
Quem vai estar comigo nesta luta defendendo a tradição Xambá é Guitinho do Bongar Grupo. Vai ser lindo! Salve!!
CONVITE OFICIAL DO IPHAN
Convidamos todos a participarem do 4º encontro da Capacitação Interna para Gestão do Patrimônio Cultural dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, ação coordenada pelo GTIT – Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Preservação do Patrimônio Cultural de Terreiros.
As comunicações coordenadas serão ministradas por Guitinho da Xambá da tradição Xambá e por Alexandre L’Omi L’Odò da tradição Jurema. Os palestrantes abordarão aspectos de suas respectivas tradições e sua relação com as políticas de preservação do patrimônio cultural.
A capacitação ocorrerá no dia 18 de agosto de 2015, com atividades pela manhã às 09h30 e de tarde às 14h30. A participação remota ocorrerá através do envio de questões pelo e-mail do GTIT.
10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho - Lutando e Unindo o Povo da Jurema
Dez anos se passaram... Quando olhamos para trás, vemos que nossa existência valeu a pena. A Jurema nos ajudou em tudo... Nos fortalecendo na luta contra a invisibilidade desta religião que ainda hoje é massacrada pela academia e por pessoas sem entendimento teológico. Mas estamos firmes na luta, pois não há força contrária que consiga derrubar a fé de um grupo de pessoas que querem mudar uma realidade histórica. Que mais dez anos venham, e mais e mais 10, 20, 30, 100... Se nosso corpo aqui não estiver, nosso egún ou espírito estará para ajudar ao Povo da Jurema.
Conseguimos tirar Malunguinho da invisibilidade histórica e religiosa. Conseguimos fazer uma lei estadual, conseguimos fazer muitos cursos, palestras e levar a Jurema ao conhecimento de todo Brasil e mundo... Vencemos barreiras... Construímos lutas belíssimas... Trabalhamos forte... Hoje até a academia está voltada para a Jurema como nunca esteve para pesquisá-la... Até tese de doutorado será defendida ainda este mês com o tema do Quilombo Cultural Malunguinho... Conseguimos realizar o maior encontro de Juremeiros da história de nossa religião... Conseguimos também estar juntos em Alhandra e ajudar àquele lugar importantíssimo a suplantar e despertar perante suas dificuldades. Chegamos primeiro em alguns lugares para discutir e somar. Conseguimos ter Griôs, pessoas de suma importância para nós... Conseguimos trazer para perto mestras antigos que estavam esquecidos... Colaboramos com conferências e congressos até mesmo internacionais. Publicamos artigos científicos e continuamos estudando... Firmamos nossa Jurema na força e na forja quente desta luta. Firmamos a fumaça no tempo, e conseguimos agregar...
Estamos só no começo da trajetória. Pois enquanto vida eu tiver, estarei firme e sem abalos na caminhada desta história.
Este será um ano especial. Vamos aprender Tupi, vamos aprender mais ainda yorùbá, vamos ter palestras, cursos e formações em espaços acadêmicos. Vamos visitar terreiros (como sempre fizemos), e vamos nos abraçar com os juremeiros e juremeiras que desejam contribuir. Salve a ciância e salve Malunuginho, patrono mestre desta luta e causa!
VIII Kipupa Malunguinho (altar) - Foto de Juliana Düb.
VIII
Kipupa Malunguinho
Triunfando na Jurema!
Agradecimentos
Mais
um ano realizamos o Kipupa Malunguinho, Coco na mata do Catucá com êxito e
alegria. Já na VIII edição, continuamos com nossa missão de fortalecer o Povo
da Jurema em sua completude, tanto teológica quanto de representação política
na sociedade, contribuindo para o levante da auto-estima destes, para que
possam se afirmar como juremeiros e juremeiras, colocando a Jurema em um lugar
mais decente perante sua história e contribuição para as demais religiões que
posteriormente chegaram ao Brasil.
O
Kipupa, mais uma vez reafirmo, não é uma “festa nas matas”, ou um “piquenique
de Jurema”, ou até mesmo uma “caminhada de Malunguinho”. O Kipupa é o maior
encontro de troca de saberes entre juremeiros e juremeiras que existe até hoje
no país, evento que traz pessoas de toda parte do Brasil para conhecer um
espaço histórico na luta do Povo negro e indígena de Pernambuco, também, para
conhecer a história de Malunguinho e vivenciar uma experiência profunda com a
ciência da Jurema Sagrada e com os saberes da cultura popular e tradicional em
matas sagradas e consagradas à seu Reis e demais entidades e divindades. Também,
é um grande ato de fé coletivo consciente, não devemos esquecer... Este momento
também faz parte de um calendário já tradicional para nosso Povo, pois setembro
já é o mês de Malunguinho para muitos terreiros que entenderam o papel de
reconhecer nossas divindades com a dignidade que elas merecem nos rituais
internos e na vida cotidiana, afinal, Malunguinho também é um herói de nosso
povo, e assim devemos celebrá-lo.
Realizar
um evento deste porte não é fácil... Muito trabalho, muita luta, meses de idas
e vindas em secretarias, salas, conversando com pessoas, pedindo ajuda,
realizando reuniões, correndo e correndo para garantir o melhor em estrutura e
condições pra nosso povo se sentir a vontade pra poder juntos expressar o que
de melhor temos em nós: nossa ciência.
Assim
é o Kipupa Malunguinho, evento que cresceu junto com a consciência do povo da
Jurema para construir novos rumos para nossa religião, tendo como referência o
herói Malunguinho, guerreiro do Catucá que até hoje nos protege e orienta,
cumprindo seu papel histórico e divino.
Temos
que agradecer muito a todas e todos que ajudaram o evento a acontecer, pois sem
estes não poderíamos ter o realizado, claro (rsrsrs). O evento ainda não tem a
estrutura que merece, nem o reconhecimento por parte do poder público local e
estadual que almejamos, mas estamos na luta, às vezes até nos humilhando por
apoio... Esta fase um dia há de passar, pois creio que as entidades não estão
cegas e insensíveis a toda essa luta que travamos pelo nosso povo e por eles
também, a final, entendemos tudo isso como uma missão, uma missão cara,
difícil, pesada, nada confortável, mas válida e necessária para podermos
inverter nosso lugar de exclusão que ainda vivemos. Portanto, lutar foi nossa
escolha. Não queremos ficar dentro de nossas casas apenas soltando fumaça pra
ajudar “freguês” ou filhos, queremos soltar nossa fumaça pra mudar um paradigma
social histórico de exclusão e racismo a que todos nós estamos submetidos
indesejadamente, e por isso damos nossa cara à tapa.
VIII Kipupa Malunguinho - Gira de abertura. Foto de Rennan Peixe.
Obrigado a
Malunguinho por mais um ano de vitórias e agregação de pessoas em prol dessa
luta. Obrigado a ciência mestra da Jurema Sagrada que nos permite realizar este
evento. Obrigado a Tupã pela nossa existência e força vital. Obrigado a toda
equipe do Quilombo Cultural Malunguinho, e a todas e todos que ajudaram mesmo
sem pertencer ao QCM oficialmente; Obrigado aos apoios de: Mãe Graça de Xangô
pela ajuda imprescindível na vendagem das camisas “A JUREMA MERECE RESPEITO”;
obrigado a Pai Messias por ter organizado seu terreiro para contribuir com o
evento; Obrigado a Pai Tonho de cajueiro Seco por mais um ano estar conosco; Obrigado
a Vado Juremeiro por ter se disponibilizado a organizar o ônibus da Vila das
Lavadeiras; Obrigado a Ana de Oyá por ter ajudado a vender uma parte das
camisas; Obrigado a todas e todos que compraram as camisas (esta grana ajudou
demais ao evento se realizar). Obrigado ao secretário de Estado Oscar Paes
Barreto, a Isaltino Nascimento, ao vereador do Recife Vicente André Gomes, ao
vereador do Recife Raul Julgmann; obrigado a Prefeitura de Abreu e Lima na
pessoa de Wellington Tiago – secretário de Turismo e Cultura do município;
obrigado a Amauri Cunha coordenador do Núcleo Afro da Prefeitura do Recife;
Obrigado a prefeitura do Recife pelas águas enviadas; obrigado a prefeitura de
Olinda através da secretaria executiva da Mulher comandada por Donana
Cavalcanti; obrigado à Rita Honotório e sua irmã Juliene pelos fogos doados; obrigado
a Juliana Bison por ter se disponibilizado a organizar o ônibus de Peixinhos;
Obrigado a Anne Cleide por ter se disponibilizado a ajudar nos ônibus do centro
do Recife; obrigado a Graça Bastos; obrigado a Eric Assumpção pela ajuda
decisiva para a realização do evento em loco; obrigado a Vivi e a Wilson Maraca
pela ajuda imprescindível em toda estrutura do evento um dia antes e no dia,
inclusive no esvaziamento dos buracos de lama a balde; Obrigado a Jorginho meu
filho que com sua luz me ajudou a suplantar as dificuldades; obrigado a Arthur
Lima pela decoração e ajuda em geral que deu; obrigado à Kamilla da Costa pela
contribuição efetiva ao evento e na ajuda que deu durante o dia do mesmo;
Obrigado como sempre à Juarez e a Nani que sempre nos ajudam muito neste
processo; Obrigado a Eliane do Mercado de São José, da Casa Abre Gira por nos
ajudar a vender os bilhetes dos ônibus; Obrigado ao SAMU pela cobertura com uma
ambulância no local; obrigado à Polícia Militar de Pernambuco nas pessoas da
capitã Lucia Helena do GT Racismo da Polícia e do Capitão André Luan; Obrigado
ao terreiro Mensageiros da Fé, casa que sustenta os fundamentos de Malunguinho
através de Sandro de Jucá e Dona Dora (meus padrinhos); obrigado ao Ministério
da Saúde por ter enviado o professor Jayro Pereira de Jesus, e obrigado ao
professor por ter vindo do RS dar o curso de Afrobioética na Semana da Vivência
e Prática da Cultura Afro Pernambucana e por ter participado do Kipupa com uma
fala importante; Obrigado à professora Célia Cabral e a Escola Estadual Mariano
Teixeira por terem realizado mais um ano a Semana de Malunguinho (Lei estadual
13.298/07); Obrigado à Alexandre Miranda pelo apoio dado; Obrigado à deputada
estadual Tereza Leitão e seu assessor Félix Aureliano pelo apoio dado; Obrigado
ao CEPIR e ao Governo do Estado pelo fundamental apoio dado; obrigado a Diego,
motorista que me conduziu cruzando toda cidade entre dos dias 18 a 22 de
setembro de 2013 – sua sensibilidade e harmonia ajudou muito a tudo dar certo;
Obrigado à Nino do Bojo da Macaíba pela confecção de todas as artes usadas no
evento; E um obrigado muito especial aos grupos culturais que fizeram a festa
vibrar com seus cocos – Coco de Roda Bojo da Macaíba, Coco dos Pretos, Grupo
Bongar, Mestre Zé Negão e ao pessoal da LAIA e ao mestre Zeca do Rolete. Ainda,
agradeço a todas e todos que esqueci de colocar aqui (reinvidiquem se
necessário que coloco – rsrs).
Mesmo
tendo levado uns NÃO’S de instituições nacionais de Brasília que deveriam nos
ajudar, o evento aconteceu, isso se deve a muita luta.
No
meio de todo este processo, ainda pudemos fortalecer mais ainda a Rede Nacional
do Povo da Jurema através da grande adesão por parte dos juremeiros e
juremeiras e outros presentes que assinaram a ficha de adesão oficial da Rede.
Em breve vem novidade por ai do nosso Povo, aguardem...
O
IX Kipupa vem ai... Vamos preparar os cachimbos que a pisada vai ser forte!
Simbora Povo da Jurema, buscar nosso lugar! Salve a fumaça!!!
Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB.
A partir da atitude e chamado de João Paulino, neto carnal da Mestra Jardecilhapar (conheça a história da Mestra Juremeira neste link: http://qcmalunguinho.blogspot.com.br/2012/05/sos-mestra-jardecilha-allandrapb.html), nós do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos nos organizar em Pernambuco com o Povo da Jurema para ajudar nesta luta de todos nós. Querem destruir/matar os antigos Pés de Jurema (Cidades dos mestres) deste terreiro histórico e, já foram derrubados criminosamente 3. Não podemos deixar acontecer o que ocorreu com o ACAIS, que foi destruído de forma covarde por pessoas intolerantes. Temos que cuidar de nossos patrimônios materiais e imateriais, defender nossa história! Vamos lutar juntos neste encontro de ciência, fé e fumaça! Sobô Nirê!
Informações e Roteiro (Ler com atenção):
06h: Saída do Memorial Zumbi dos Palmares (Largo do Carmo do Recife).
08h: Celebração da missa na igrejinha do Acaes de nossa Senhora Menina.
09:30h: Toré de Jurema em volta da “cidade” (tumulo) do Mestre Flósculo, celebrando a memória dos nossos ancestrais e chamando a força da Jurema para esta luta.
12:00h: Almoço (por conta de cada um).
14:00h: Visita ao templo da Mestra Jardecilha. Ver os pés históricos de Jurema.
17:00h: Retorno a Recife.
É importante que os juremeiros e juremeiras que decidirem participar vão de roupa adequada ao culto à Jurema e levem seus instrumentos, "gaitas", fumos e firmações.
O valor de R$ 25, deve ser pago a organização do ato político até o dia 05 de junho. O dinheiro deve ser entregue em mãos. é importante dizer que este valor será para pagar o ônibus contratado para esta viagem interestadual.