sábado, 17 de setembro de 2016

Lei Malunguinho - Uma solução pedagógica para a ausência de implementação das leis federais 10.639/03 e 11.645/08



Lei Malunguinho
Uma solução pedagógica para a ausência de implementação das leis federais 10.639/03 e 11.645/08.

Nós do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, nos últimos 15 anos desenvolvemos atividades diversas na formação, informação, fortalecimento e continuidade na/da vivência, cultura e tradição afro indígena.

Assim sendo, há dez anos foi instituída a Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana - Lei Malunguinho 13.298/07, na EREM Mariano Teixeira em Areias/Recife. Esta proposta pedagógica de ensino afro-indocentrada foi oferecida pelo QCM, sendo levada a frente com total dignidade pela professora socióloga Célia Cabral, ou Célia Malunguinho ou ainda Célia Baobá, como é conhecida hoje esta guerreira da implementação das já citadas leis em PE.

Na última sexta feira, dia 16 de Setembro de 2016, foi encerrado mais um ciclo de atividades da Lei Malunguinho na Escola. As atividades foram diversas e os alunos e alunas apresentaram os resultados de tudo que construíram e debateram durante esta semana de imersão nas temáticas afroindígenas. Um dos resultados mais interessantes foi este vídeo mostrando de forma muito envolvente o conteúdo programático geral da Semana.

Achei de muito bom gosto e de boa produção este material. O empenho e empoderamentos das alunas e alunos é visível nas falas e na forma como se comportaram no audiovisual. Criaram um joguinho super interessante e cheio de informações fundamentais.

Vejo que se o Estado não implementa as leis federais que obrigam o ensino da história e cultura dos africanos, afrodescendentes e indígenas, podemos usar a Lei Malunguinho como um instrumento oficial e legal de nosso Estado. Não devemos apenas comemorar e desenvolver atividades de formação somente no dia 20 de novembro, no dia do índio ou na semana do folclore. Temos que usar o máximo de possibilidades que temos para efetivar este tipo de ensino anti racismo e em prol do conhecimento crítico e autônomo de nossas raízes étnicas e históricas.

Malunguinho é isso: A continuidade de uma luta que não se encerrará enquanto não houver igualdade de direitos e o fim do racismo.

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!
És nossa referência histórica de luta negra indígena!

#JuremanaEscola
#LeiMalunguinho

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana 2016 - Lei Malunguinho 13.298/07

EREM MARIANO TEIXEIRA
Av. Capitão Felipe Ferreira, s/n, Vila Cardeal Silva, Areias, FONE: 31802745

SEMANA ESTADUAL DA VIVÊNCIA E PRÁTICA DA CULTURA
AFRO-PERNAMBUCANA (Lei Estadual 13.298/07)

12 a 18 de setembro de 2016

PROGRAMAÇÃO
DIA 12/09/16 (segunda-feira)                     
Programa Ícones Pernambucanos – Canal 17, rede Quilombola, Recife, PE
Repórteres: alunas do 2º ANO D e alunas do 2º ANO C
Convidada: Célia Cabral, membro da Instituição Quilombo Cultural Malunguinho
Apresentação na sala de aula do EREM Mariano Teixeira

DIA 13/09/16 (terça-feira)
Debates sobre o Quilombo do Catucá e Malunguinho.
Trabalho em grupo com alunos dos 1º, 2º e 3º ANOS
Apresentação nas salas de aulas

DIA 14/09/16 (quarta-feira)
Prosa Pernambucana com a Professora Célia Cabral, contando com a colaboração multidisciplinar do EREM Mariano Teixeira
Apresentação nas salas de aula

DIA 15/09/16 (quinta-feira)
Jogral sobre MALUNGUINHO, HERÓI PERNAMBUCANO, com alunos do 3º ANO C
Apresentação em sala de aula

DIA 16/09/16 (sexta-feira)
RODA DE DIÁLOGOS: Cultura Afro-pernambucana em destaque
Alunos protagonistas em ação

Convidados:
Alexandre L’Omi L’Odò (QCM)
Ricardo Nunes (QCM)
Samuel da Luz (Gerente da Igualdade Racial da PCR)
Fátima Oliveira (GTERE / PCR)
Fernando Batista (UFPE)
Rui Silva (pesquisador)
Local: CTE da Escola
Horário: 8h20 às 12h
Encerramento: Gestora Jacqueline Maux, coordenação, professores e convidados


CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Cancelada a candidatura de Alexandre L'Omi à Vereador de Olinda!

Alexandre L'Omi L'Odò. Registro do plantio do primeiro pé de Jurema plantado em uma escola pública no Brasil. Foto de Joannah Luna.

Minha candidatura à Vereador em Olinda foi Cancelada!

Antes de iniciar este texto quero dizer que estou tranqüilo, consciente, forte, e, que vamos avançar! Olinda precisa sair desta situação que encontra-se (em total descaso). Nossa luta é construir uma unidade política forte que nos garanta representação legítima e nos faça crescer com qualidade e efetivação real de políticas para todos e todas.

Informo oficialmente que interrompi minha campanha à Vereador de Olinda, no qual fui preterido. Abri mão de minha candidatura a pedido do Partido, para integrar a equipe de coordenação geral da campanha majoritária, contudo, manteremos nossa luta com muito mais amplitude.

Esta foi uma difícil decisão para mim e para o PT, que numa perspectiva positiva de redimensionar a campanha, me efetivou para ser o coordenador da pauta de Promoção de Igualdade Racial e Povos e Comunidades Tradicionais.

Sou militante a mais de 15 anos defendendo a democracia, a luta contra o racismo, o fortalecimento da laicidade do Estado, o respeito à diversidade e a discussão de gênero, e sempre firme numa missão de contribuir para a construção efetiva de políticas públicas para os povos tradicionais, do segmento de direitos humanos e da cultura popular.

Quem me conhece sabe que não sou manipulável, que não me presto a ser massa de manobra e muito menos me vendo. Minha trajetória é de luta muito bem embasada e fortalecida com a força da Jurema e dos Orixás, no vibrar do couro das alfaias e no baque forte dos ilús. Nossa discussão política não é brinquedo e muito menos deve ser tratada de forma irresponsável. Estou atento a tudo, e meus olhos enxergam muito mais à frente, pois, vamos voar com as águias! Estou confiante na nova estrada, vou caminhar seguro com o pé bem firme no chão e atento aos espinhos. Estamos juntos em um projeto de reversão histórica que precisa de novas lideranças para ser concretizado! Temos sonhos, somos guerreiros, temos qualidade, temos axé! Esta luta é referendada pelos nossos ancestrais.

Aceito o novo pleito como grande desafio, com o coração aberto e disposto a contribuir, elevando a discussão e fortalecendo a pauta anti-racismo e de reparação, para na futura gestão de nossa prefeita, materializar em políticas públicas nossos sonhos. Queremos uma secretaria de Promoção de Igualdade Racial real, esta pasta terá prioridade e este compromisso é de nossa representante majoritária.

Obrigado a todos e todas que me ajudaram e acompanham minha trajetória. Obrigado à minha equipe, que com garra planejou e trabalhou com todo empenho e seriedade para juntos construirmos a vitória. Obrigado aos apoios de Olinda e de outros municípios. Obrigado aos amigos e amigas que acreditaram que seria possível vencer este pleito. Obrigado à comunidade de Peixinhos que esperava com grande expectativa minha candidatura. Obrigado a todo povo de terreiro que está comigo permanente nesta luta. Obrigado ao povo da cultura popular que vibra e comunga comigo esta caminhada, Obrigado à imprensa pernambucana que com isenção e imparcialidade produziu excelentes matérias sobre a luta política do Povo de Terreiro. Obrigado aos votos ideológicos que com consciência estão conosco. Enfim, quero chamar a todos e todas para trabalharmos com unidade no futuro, conto com o apoio de vocês nas próximas eleições. Convoco a todos e a todas para unidos elegermos Tereza Leitão Prefeita de Olinda! É 13! Olinda quer avançar!

Exú: "O so (ò)kò lona o p(á) eiye loni - Tendo lançado uma pedra ontem, ele mata um pássaro hoje". (VERGER, 2000, p. 145).

“Dizem que a jurema amarga, para mim é um licor. A Jurema com seus frutos, sempre nos alimentou”!

“Malunguinho ta de ronda, quem mandou foi jucá. Malunguinho ta de ronda, que a Jurema manda”!

“Quanto mais meu lírio cheira: É pau, é pau é pau”!

Sobô Nirê Mafá!
Axé!

*Na foto feita pela artista Joannah Mendonça estou plantando o primeiro pé de Jurema em uma escola pública no Brasil. Motivo de orgulho e símbolo de resistência de que estamos plantando um amanhã sem racismo, sem intolerância e com respeito à diversidade. Assim é minha caminhada e missão!

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenador da Campanha Majoritária de Olinda - PT
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 6 de agosto de 2016

XI Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá 2016


XI Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá

1835 - 2016 Malunguinho Histórico e Divino, 181 anos resistindo!

Onze anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima primeira edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. 

Iremos homenagear os 15 anos do Grupo Bongar​, que ao longo dos últimos sete anos vem sendo parceiro de nossa luta e também têm feito um lindo trabalho em defesa da cultura popular e tradicional merecendo o Mourão que não Bambeia. Vamos celebrar e trocar muitos saberes da ciência mestra com terreiros e pessoas de toda parte deste país. 

Informações básicas: 

Dia 25 de Setembro de 2016 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Para quem vai de carro ou em caravanas independentes o ponto de encontro é às 8h da manhã em frente a Prefeitura de Abreu e Lima. De lá sairá o comboio para o local do evento. 

A estrada estará sinalizada com Banners. O local de entrada para chegar lá é na Avenida principal no Terminal dos Combeiros. Seguindo pelo bairro do Planalto entrando em Pitanga II. Não tem erro, é só seguir a sinalização e seguir o caminho sem entrar em nenhuma rua.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Coco de Pareia​
Coco da Yá 
Cordelândia Música-Poesia Infantil​
Coco de Catucá

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496 / 99525-7119
www.qcmalunguinho.blogspot.com 
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Confirme presença no evento no Facabook: https://www.facebook.com/events/285295015164135/

Para informações mais aprofundadas, visitem:


Sejam todas e todos muito bem vindos, vamos celebrar nossa fé com amor e respeito à ancestralidade. O nosso Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá​ os aguarda para uma vivência profunda na fé de matriz indígena do Nordeste do Brasil!

COMPARTILHEM!!

Sobô Nirê Mafá!
Salve a fumaça!
Salve nossa Jurema Sagrada!

Alexandre L'Omi L'Odò​
Coordenador Geral 
Sacerdote Responsável
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

Espaço para o 'povo de terreiro' - Matéria da Folha de Pernambuco

Primeira Plenária povo de Terreiro e Políticas Públicas. Foto de Ursula Freire/DP.

Matéria Folha de Pernambuco de 06 de Agosto de 2016.
Por Leonardo Malafaia


Espaço para o 'povo de terreiro'

Combater o crescente avanço de políticas “conservadoras”, as propostas que “afrontam a laicidade” e promover o diálogo de enfrentamento ao preconceito contra o povo de terreiro. Estas foram as propostas da primeira plenária “Povo de Terreiro e Políticas Públicas”, sediada ontem no Nascedouro de Peixinhos, em Olinda. O evento que contou com a participação de pré-candidatos de diversas regiões do Estado, discutiu a representação e planejamento estratégico coletivo para o segmento nas campanhas.

No último Censo realizado pelo IBGE, em 2010, a população pertencente às religiões afrobrasileiras - Umbanda e Candomblé, entre outras declarações de religiosidades - totalizavam mais de 58 mil brasileiros. O número, porém não se reflete na representação política, uma vez que inexistem na Câmara Federal e no Senado legisladores, efetivamente, representantes de terreiro.

Matéria impressa com mesmo texto. Folha de Pernambuco de 06/08/2016, Caderno de Política, página 4.

Pleiteando uma vaga nas proporcionais nas eleições 2016, nos municípios de Palmares, Olinda, Paudalho, Recife, Goiana, Abreu e Lima, Camaragibe e Jaboatão dos Guararapes, os candidatos tendem a enfrentar uma grande resistência.

Alexandre L’Omi, organizador do evento, diz que a ideia “é romper com a questão histórica que coloca a população negra e o povo de terreiro no ostracismo político. Na falta de acesso à política. Porque desde a colonização, e até hoje, nós nunca tivemos uma representação que de fato fosse eleita por nosso segmento.”

De acordo com a candidata a prefeitura de Olinda, Teresa Leitão (PT), que participou do evento, a iniciativa é um passo importante para superar isso. Para ela, o evento é essencial para desmistificar a religião de matriz afro e garantir participação do “povo de terreiro” na política. “É na cidade que está nosso terreiro, é na cidade que está o nosso povo, mas é também onde está a intolerância, onde tanta coisa avançou e ainda se estranha um babalorixá querer andar com os seus guias”.


Alexandre L'Omi L'Odò
Pré Candidato à Vereador em Olinda 2016
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Cavando espaço político

Digitalização de Matéria. Diário de Pernambuco, 14/02/2016. Caderno Política, p. b1. Chamada.

Cavando espaço político

Religiões afro-descendentes querem representantes dos terreiros nas casas legislativas para combater intolerância religiosa

Tércio Amaral
Tercioamaral.pe@dabr.com.br

Matéria do Diario de Pernambuco, de 14/02/2016 (Domingo), Caderno Política, página b5. Matéria de página inteira.

O ambiente abandonado, repleto de verde em suas ruínas, agrada aos Orixás, que recebem do cachimbo as primeiras fumaças de uma conversa no fim de tarde. O encontro marcado no Nascedouro de Peixinhos, antigo matadouro do bairro periférico de Olinda, tem um motivo: o terreiro é um lugar sagrado e muitas vezes não compatível com determinadas atividades, como entrevistas.

O sacerdote e juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò tem pressa. Quer fazer justiça a uma ausência que vem desde os tempos do Brasil Colônia (1500-1808): a participação de pessoas ligadas a cultos afro-brasileiros na política. A decisão do juremeiro, que será candidato a vereador em Olinda pelo PHS, junta-se a de tantos outros no estado do mesmo segmento. Essas candidaturas começam a ganhar espaço como contraponto à bancada evangélica que cresce a cada eleição nas casas legislativas pelo país e à intolerância religiosa.

Vaidoso, Alexandre não revela a idade, mas quando o assunto é política, o discurso é bem afinado. Nascido na própria localidade de Peixinhos, tem formação em história e faz mestrado em ciências da religião na Unicap (Universidade Católica de Pernambuco). Uma de suas propostas é defender questões que já estão na Constituição Federal de 1988, ou seja, em vigor, mas não em prática.

 Digitalização de matéria. Diario de Pernambuco. 14/02/2016. Caderno Política. P. b5.

“Caso seja vereador de Olinda, vou propor a retirada do crucifixo do plenário da Câmara (Municipal) e a retirada de quadros de pseudo-heróis que atentaram contra o povo negro”, diz, ao se referir ao quadro de Bernardo Vieira de Melo, conhecido como carrasco de Zumbi dos Palmares. O dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em homenagem ao quilombola, morto nessa data em 1695.

“Não vou pregar a intolerância, mas defender uma educação plural, sem o ponto de vista tradicional do cristão branco conservador. Pretendo dar protagonismo aos negros na nossa história e fomentar esse debate da pluralidade”, argumentou.

Assim como Alexandre, Edson Axé, 48 anos, é candomblecista e será candidato a vereador, mas no município de Recife.Seu partido é o PT. “Independentemente de qualquer eleição, nós já fazemos palestras em bairros e RPAs da capital, além de faculdades. A grande questão é o racismo, pois tanto o Candomblé quanto a Umbanda são religiões de raízes negras”, argumenta Edson Axé, que é estudante de direito e formado em gestão de pessoas.

Já o artista popular de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Serginho da Burra, que também será candidato pelo PT no município, adota o discurso de “contra-corrente”. Serginho, que é historiador, diz que muitos dos ataques sofridos em terreiros recentemente em são provenientes de grupos evangélicos neopentecostais.

“Esse grupo se organiza na política e quer que as pessoas sigam a doutrina deles. Está na hora de nosso povo se politizar. Quem sabe no futuro teremos um partido prórpio?”, planeja o pré-candidato a vereador em Goiana.

Pesquisador defende pluralidade

O pesquisador da Universidade de Pernambuco (UPE), Erisvelton Sávio de Melo, que concluiu o doutorado em antropologia no ano passado sobre ciganos, na UFPE, defende a pluralidade entre os representantes da política. Na sua avaliação, as candidaturas de segmentos religiosos marginalizados nestas eleições contribui para resgatar uma dívida histórica de grupos discriminados.

“O fato de haver representantes políticos desses segmentos religiosos pode ser visto como algo muito positivo, tendo em vista a diversidade das pessoas que compõe as identidades brasileiras. Identidades essas que parecem estar sendo homogeneizadas no quisito religioso sobre a égide cristã”, desse Erisvelton. No Recife, por exemplo, em um mapeamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, foram identificados 1,261 terreiros em 2010. Nenhum deles está articulado politicamente, com representantes eleitos, diferentemente das igrejas evangélicas.

A questão da pluralidade, reitera o pesquisador, vem sendo levantada pela “onda conservadora” protagonizada pela bancada evangélica no Congresso Nacional, com pautas como a “cura gay”. “É essencial para barrar essa onda capciosa de transformar assuntos de debates gerais que contemplem todos os eleitores/cidadãos, em vez de transformar o debate nem regime teocrático cristão, de ‘os salvos versus os condenados’”.

+SAIBA MAIS
+ O baixo índice de representatividade dos que se declaram pertencentes aos cultos afro-brasileiros na política ocorre por preconceitos criados historicamente no país desde os tempos da colonização portuguesa.

+ No senso comum, esses cultos são associados ao mal, à bruxaria, e o fato de ter entre praticantes grupos sociais (negros e índios) que foram escravizados e que se encontram em situação econômica inferior agrava a aceitação.

+ Umbanda é uma religião eminentemente brasileira, com doutrina própria. Não é a única, pois existem outras, como o Vale do Amanhecer, Santo Daime e Igreja Universal do Reino de Deus.

+ A Umbanda foi criada em 15 de novembro de 1908, na então capital do Brasil Rio de Janeiro, por Zélio de Moraes, que chegou a ser eleito vereador de São Gonçalo, em 1924, mas que abandonou a política em 1929.

+ A Umbanda, nos anos 1930, se consolida como parte da “identidade brasileira”, construída na Era Vargas, com os prenúncios da democracia racial, defendida nacionalmente pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freyre.

+ Os Orixás na Umbanda passam por um processo de “embranquecimento”. É nesse momento que surgem representações de Yemanjás brancas e o sincretismo com santos da Igreja Católica, também brancos, como Jesus na figura de Oxalá.

+ Já no Candomblé é, desde sua formação, de povos afrobrasileiros (negros), e por isso é mais excluída. É fruto de uma junção de práticas religiosas de várias nações africanas, como Jeje, Angola, Banto, Nagô, Ketu.

+ Entre as diferenças entre Umbanda e Candomblé está o fato de no Candomblé ser permitido a sacralização de animais por meio de sacrifícios, a definição mais clara de hierarquia e o vestuário branco.

+ Outra Religião negra pouco conhecida no Brasil é o Islamismo, trazido por escravos negros durante a Colônia (1500-1808) e o Império (1822-1889). Escravos letrados liam os textos originais em árabe e alguns contribuíram com a Revolta dos Malês (1835), em Salvador.

+ Nos anos de 1930, no Estado Novo, houve uma perseguição sistemática às religiões afro indígenas brasileiras. Templos foram invadidos e seus praticantes presos e torturados. Objetos sagrados foram levados e transformados em peças de museu.

Fonte: prof. Dr. Erisvelton Sávio S. de Melo (NEPE-PPGA e LACC – UPE).

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 23 de julho de 2016

1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas


1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas

05 de Agosto de 2016 – Olinda/PE

A 1° Plenária Povo de Terreiro e Políticas Públicas, nasce da perspectiva de abrir uma discussão ampla e coletiva que possa beneficiar a sociedade como um todo. Pretendemos refletir sobre a participação das lideranças do Povo de Terreiro na disputa política e na construção de políticas públicas desenvolvidas a partir da luta dos movimentos de nosso Povo, dos movimentos negros e sociais.

Esta também será uma inédita possibilidade de debatermos abertamente com os pré candidatos do Povo de Terreiro de diversos municípios de Pernambuco sobre representação e planejamento estratégico coletivo para nosso segmento nas futuras campanhas. Vamos também avaliar as políticas públicas de promoção de igualdade racial, de cultura, educação etc. das gestões atuais dos municípios.

Vamos nos fortalecer. Nosso Povo precisa se unir em uma só corrente e dar a resposta nas urnas contra o racismo, a intolerância religiosa e todas as outras formas de opressão social.

#QuemédeTerreiroVotaemquemédeTerreiro!
#VamosFortalecerNossoPovo!

INFORMAçÕES:

Data: 05 de Agosto de 2016 (Sexta Feira)

Local: CTCD – Nascedouro de Peixinhos – Olinda/PE

Vagas: 100

Será dado Certificado

Mandar no E-mail – Nome Completo, RG, Nome do Terreiro ou Instituição, e-mail e telefone.

Dúvidas ligar: 81 999013736 / 995257119 – Secretária Betânia


PROGRAMAÇÃO

14h - Palestra: Povo de Terreiro e Políticas Públicas

Conferencista: Dra. Vera Baroni - Advogada e militante histórica da luta do povo negro e de terreiro - Rede de Mulheres de Terreiro e Uiala Mukaji.

Debatedores:

Alexandre Dias – Professor Pedagogo e Diretor do Afro Educação – São Lourenço da Mata/PE
Alexandre L’Omi L’Odò – Historiador e mestrando em Ciências da Religião e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho – Olinda/PE

14:45h – Debate

15:30h - Mesa Redonda: Povo de Terreiro e Eleições 2016 – Construção de um entendimento político coletivo para o bem comum

Coordenação de Mesa: Professor Omo Xangô João Monteiro – Historiador e Coordenador do Àbámodá.

Palestrantes:

Pai Israel de Averekete – Pré Candidato (Município de Palmares/PE)
Juremeiro Alexandre L’Omi L’Odò – Pré Candidato (Olinda/PE)
Pai Véu de Paudalho – Pré Candidato (Paudalho/PE)
Ogan Edson Axé – Pré Candidato (Recife/PE)
Serginho da Burra - Pré Candidato (Goiana/PE)

16:30h - Debate

17h - Lançamento da campanha: “Quem é de Terreiro Vota em quem é de Terreiro”!

Ritual de encerramento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenação
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

Alexandre L'Omi L'Odò com as alunas Gessylene Leite de Oliveira (à esquerda) e Aldiene Ferreira da Silva (à direita) que defenderam o TCC sobre a Jurema Sagrada. 

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

Hoje, dia 30 de junho na faculdade UVA - Universidade Vale do Acaraú, no centro do Recife, foram defendidos três TCC’s - trabalhos de conclusão de curso de licenciatura em pedagogia sob a competente orientação da professora doutoranda Ana Carolina Coimbra.

Os trabalhos abordaram de forma muito bem construída questões ligadas as tradições de matrizes indígenas e africanas, numa perspectiva de fortalecimento da lei federal 11.645/08, que obriga o ensino da história da África, dos afro descendentes e indígenas nas escolas.

Fui convidado pela professora, para estar presente neste importante momento que marcou sua despedida da faculdade, já que ela partirá para aprofundamentos de seus estudos em um doutorado em Portugal, tratando de pesquisas ligadas aos indígenas do Nordeste de Pernambuco. Também, fui um dos entrevistados no trabalho de suas alunas que abordou a Jurema Sagrada, e por estes dois motivos jamais deixaria de estar presente neste momento que no meu ponto de vista se tornou histórico devido a sua importante representação na reversão dos valores acadêmicos perante a história dos negros e negras e indígenas. Este tipo de contribuição é muito valiosa, e merece ser celebrada.

Os trabalhos apresentados foram:

1 – Salve a Jurema Sagrada! Respeito à Diversidade Religiosa na Educação. Realizado pelas alunas Aldiene Ferreira da Silva, Aparecida Jéssica Ferreira da Silva e Gessylene Leite de Oliveira.

2 – Historicidade do Povo Kambiwá: Lutas e Resistência pela Identidade Étnica. Realizado pelas alunas Cineide Maria de Lima e Josélia Nascimento de Amorim da Silva.

3 – Histórias Africanas e Afro Brasileiras: Reconhecimento e Valorização para a Educação. Realizado pela aluna Elizabeth S. Cruz Oliveira.

A noite foi das mulheres. Elas, professoras agora formadas, vão dar caminho nas escolas a uma educação menos excludente e racista. Seus trabalhos apresentados de forma brilhante e com conteúdo muito válido, já indicam caminhos para um mestrado ou doutorado. Espero que elas sigam esta estrada, pois precisamos de muitos mais exemplos na pedagogia de combate ao currículo branco imposto pelo Estado.

Povo de terreiro, alunas e professora celebrando a vitória das defesas de TCC.

As análises (orientações estendidas) feitas pela professora mestra em educação Maria do Carmo Oliveira, e também pelo professor doutorando em história social Leandro Patrício enriqueceram a noite com aprofundadas colaborações aos trabalhos apresentados. Foi rica demais a troca de saberes. Presenciar noites raras assim para mim é sempre um prazer, já que na busco na luta também dos meus irmãos e irmãs energias para reforçar as minhas lutas, e assim foi.

O trabalho apresentado sobre a Jurema, trouxe importante contribuição para as propostas de aula sobre diversidade religiosa. Elas mostraram de forma firme o quão rica é esta religião e a sua contribuição social cosmológica. Elas contribuíram na laboriosa missão de contribuir para que a Jurema saia do ostracismo acadêmico ao qual foi colocada. Este TCC merece respeito!

A professora Ana Carolina está de parabéns por orientar trabalhos tão interessantes e importantes para todos e todas. Realmente a missão de formar pedagogas capacitadas foi executada com primazia.

Professora doutoranda Ana Carolina Coimbra. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

A UVA é uma instituição particular que tem grande presença de estudantes de fé “evangélica”. Já ouvi inúmeras críticas à práticas intolerantes destes e dessas que ali discriminavam as pessoas de outras religiões. Acredito que a noite hoje, serviu para mostrar o quão grande é a ignorância destes e destas. E que com informação e criticidade pode-se romper a barreira espinhosa do racismo e da intolerância.

A presença de membros das religiões de matriz africana e indígena (vestidos adequadamente e que também foram entrevistados), além da pertinente presença do índio Fulni-ô Boró e sua esposa, tornou a noite forte e cheia de axé e ciência. Encontros maravilhosos e ampliação de horizontes para nossos povos. Senti-me contemplado em tudo, afinal, comungar de dias como hoje nos faz ter esperança no futuro.

Parabéns professora Ana. Você mostrou e continuará mostrando para o que veio! Sua missão é grande e você tem competência para dar conta. Obrigado por estar junto na jornada da luta por direitos iguais e respeito à diversidade. Obrigado também pelo cocá e quaquí, adorei os presentes religiosos indígenas. Adorei também o aió que sua Alina indígena me deu. Farei meus rituais com ele. Salve a fumaça!

#JuremanaEscola
#EducaçãoAntiRacismo
#PedagogiadaLibertação

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com