quinta-feira, 9 de junho de 2011

Saurê Abdias Nascimento!






Recebemos do Professor Dr. Félix Ayoh'OMIDIRE do Department of Foreign Languages, Faculty of Arts da Obafemi Awolowo University localizada em Ile-Ife, Osun-State, Nigéria, a Justa homenagem que fez ao grande baluarte de nossa luta, Abdias Nascimento, esta instituição outorgou a Abdias Nascimento o título de Doutor Honoris Causa em memorável cerimonia em 2007 e nesta ultima quarta dia 08 nos escreveu:

“Querida Elisa e toda a família afrodescendente,

Fiquei muito triste ao receber a notícia da transição do nosso querido baba Abdias deste aye para o orum. Porém, pensando melhor, me consolei com o fato de que, dentro da nossa cultura iorubana, uma pessoa do quilate do Abdias nunca sera capaz de morrer, senão subir na hierarquia. Abdias agora é orisa, pois soube superar com a sua luta ferrenha contra todos os tipos de discriminação e preconceito que vitimaram e ainda vitimam o negro não só no Brasil como também no resto do mundo.
Com efeito, o Abdias merece, hoje mais que nunca este status de ancestral, pois ele venceu todas as barreiras do tempo e do espaço na sua luta: saiu do Brasil para o mundo, levando consigo a sua luta e a sua convicção. Nos EUA mostrou aos americanos de origem africana uma dimensão mais rica de ser africano. Na Nigéria sitiou e denunciou o genocídio dos negros brasileiros, desmentindo séculos da arraigada "democracia racial". Acabou derrubando o mesmo, comemorando com o mundo inteiro a derrota inicial do racismo e todo tipo de discriminação e apartheid nas conferências de Durban em 2001, fato que prenunciou as vitórias da "Consciência Negra" no próprio Brasil, Abdias será lembrado para sempre no Brasil como o verdadeiro porta bandeira das marchas de Zumbi +, além de representar uma verdadeira parteira das políticas da Ação Afirmativa no Brasil que gerou no coração sensível do Governo Lula a criação da Seppir e a política das Cotas, dentre outras tantas vitórias que se seguiram à sanção da Lei Federal 10.639/03.

Como foi lembrado durante a intervenção do próprio Abdias como Conferencista Magna durante o IV Colóquio Global Africano organizado pelo CBAAC (órgão do Ministério da cultura da Nigéria) e apoiado pelo Ipeafro na Uerj em 2008, onde a voz do Abdias bradou durante mais de uma hora desde a sua cadeira de rodas para uma plateia composta de negr@s e africanistas dos quatro cantos do mundo, ele ABDIAS teve a sorte de ser um dos poucos heróis que tiveram a felicidade de ver e viver a realização dos frutos da sua luta, pois conseguiu viver a vitória das Ações Afirmativas que levou a sua vida inteira a planejar e executar ao lado do seu povo querido.

A nós, seus herdeiros ideológicos, étnicos e estéticos, só nos resta saudá-lo como se costuma saudar na cultura iorubana aos ancestrais que atravessam triunfalmente a húbris deste aye para ocupar seu lugar no orum:

Ká tó r'erin o d'igbo,
Ká tó r'éfòn, ó d'òdàn,
Ká tó r'éni bi Abdias Nascimento,
O d'orun Alakeji!
Ma j'òkùn,
Má j'ékòló o, Abdias,
Ohun ti wón ba nje l'ájùlé òrun ni koo bawo jè.

Bóo ba délé o kíle o,
Bóo d'óna o bèèrè wò.
Àtètèdélé ise mi l'àkójé o.
Òpòló ò, oníy`'aré o,
Èiye ire ìyèrú oò, èiyè!...

Saurê Abdias Nascimento!”


E a Doutora Elisa Larkin viúva do grande Abdias Nascimento em resposta ao Professor Dr Félix, também nos enviou a mensagem:
“Querido irmão Felix, que alegria receber sua mensagem!

Através de você eu quero saudar toda a comunidade da nossa querida Universidade Obafemi Awolowo que outorgou a Abdias o título de Doutor Honoris Causa em memorável cerimônia em 2007.

Segue o link para um pequeno vídeo do velório e do ato de sétimo dia realizado no sítio histórico do Cais do Valongo e na sede da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria e pela Vida, no Rio de Janeiro, dias 26 e 31 de maio passados. Quando entrar o quadro da Rio TV Câmara, clicar na opção "Edições de 26/05 e 31/05/2011".

http://www.camara.rj.gov.br/riotv_verprog_camarariotv.php

Estamos nos preparando para cumprir o desejo de Abdias e levar seus restos mortais à Serra da Barriga, local da República de Palmares, em 13 de novembro próximo. A idéia encaminhada pelo movimento negro é de plantarmos um pé de baobá e um pé de iroko em sua homenagem.

Um grande abraço extensivo a todos os nossos amigos e irmãos na Nigéria!”
Nossos respeitos a Doutora Elisa que junto a nossa referência de luta Abdias Nascimento fomentou discussões e instigou pesquisas, trazendo a luz possibilidades reais de rever nossa historia ancestral!
Sentimos a perda, porém acreditamos de onde Abdias Nascimento estiver, fiscalizará melhor e instigará toda nossa luta.

Salve Zumbi! Salve Malunguinho! Salve Abdias!



João Monteiro


Historiador - Coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Carta de apoio integral à Festa da Lavadeira - Quilombo Cultural Malunguinho.




Festa da Lavadeira, raiz que vem do mar!

O maior evento/festa de cultura popular, tradicional e de terreiro de nosso Estado é sem duvida a Festa da Lavadeira.

Nesta poderosa reunião de diversos segmentos da cultura brasileira surge o Axé do Orixá Iyemojá como o agregador de todas as cores, etnias, pensamentos, lutas, amores e transcendências. Percebe-se que o Axé deste Orixá quebra barreiras e reorganiza todo um povo que historicamente foi apartado e ceifado de sua cidadania plena e de seu direito de colocar-se no cenário cultural, como atrações e manifestações de valor estético plausível. Este recalque chama-se racismo histórico, intolerância e pré-conceito de uma sociedade embranquecida pelos fatos e planos históricos que conhecemos bem.


Mestre Galo Preto cantando para um público de mais de 10 mil pessoas. Foto de Mariana Lima.

Em Pernambuco a cultura popular e tradicional é mantida pelo povo negro e índio. Que com orgulho mantém viva a chama da originalidade única que só o Brasil possui. Portanto, podemos desde já perceber que as teorias gilberto-freyianas que instituíram a partir da academia em nós o pensamento de “democracia racial” nunca existiu e se vir a se tornar realidade, deverá se chamar “democracia étnico social”, visto que o conceito de raça perdeu sua legitimidade frente aos estudos culturalistas realizados pela academia.



A idéia de transformar um terreiro de candomblé em um ponto que emana agregação entre povos do mundo é o confronto com a antiga idéia de que no período do escravismo brasileiro era plano para destruir estes povos negros que, aqui em nossas terras, foram submetidos a um processo de separação familiar, étnica e cultural. A Festa faz o caminho inverso, agrega, chama pra junto, reafirma amizades, congrega os povos. Isso é muito forte e revolucionário, porque disso emana a esperança de uma nova era para o povo que tem no sangue e na pele o registro da riqueza ancestral da cultura. A Lavadeira é instrumento dos Orixás, Mestres, Mestras, Caboclos, Exús e Trunqueiros, no resgate do que no passado foi vilipendiado pelo sistema de dominação dos povos da Europa, e por isso merece respeito de toda sociedade, que ainda não reparou os danos históricos que a grande maioria deste país sofreu. A Lavadeira também é reparação!


Gira de Candomblé para Iyemojá dentro do Terreiro da Lavadeira. Foto de João Monteiro

Não percebemos a Festa como território do “sagrado” e do “profano”. Vai muito além disso. Nela, tem a própria transcendência da polissemia sagrado e não sagrado, profano e não profano. A Festa é o território da experiência da transcendência completa das linguagens, onde as pessoas vão para reverenciar a vida em sua totalidade, a vida que veio da água, a vida que está na natureza e em tudo, quase uma concepção deísta de mundo, coisa rara hoje no nosso universo, que ainda insiste em separar o sagrado do compreendido como não sagrado, na Festa, é mais...

Iyemonjá a grande homenageada reina absoluta como a grande iyá dúdú ti ara ayé (Mãe negra do povo da terra), que com seu Odú verdadeiro de Mãe abre os braços para mais de 20 mil pessoas de diversas tribos, diversos segmentos, diversos pensamentos, diversos gostos, abre os braços para a diversidade cultural enfim.


Público na Festa.Foto de João Monteiro

Como o Estado pernambucano e os empresários não enxergam isso? Por que acabar com essa Festa? Isso logo nos remete ao pensamento do período colonial, onde o negro e o índio não podiam tocar seu tambor, fazer seus rituais, viver em liberdade... Liberdade essa que com as atitudes tomadas no espaço o Paiva, onde acontece a Festa, se apresentam de forma assustadora, com uma suposta “privatização da praia”, dos espaços legalmente públicos, como atesta nossa constituição sobre o uso público das praias. públicos... Nossa, onde estamos, na colônia de novo?

Isso tudo é muito perigoso. Esta situação ressuscita os fantasmas do passado, do tempo que o poder dos ricos e da Igreja imperava sobre os “sem espírito” nas terras de “ninguém”. Absurdo em todos os âmbitos, não há argumentos que justifiquem o processo para destruir esse evento, a não ser o racismo, coisa que infelizmente compões nossa sociedade e que aflora todos os dias. Muitas vezes tal racismo toma proporções tão grandes que somente os olhos azuis podem enxergar com naturalidade, pois no passados de seus ancestrais isso tudo era natural, matar, acabar, destituir a liberdade, ceifar a alma sem pena...

Sabemos que nos discursos mais recentes, os gestores públicos alardeiam sobre a implementação de políticas públicas para Promoção da Igualdade Étnico “Racial”, portanto, onde estão os órgãos que eram pra intervir neste caso? Na verdade, não existem em Pernambuco de fato, pois sequer uma secretaria foi pensada no plano de governo atual. Isso também revela a face do nosso Estado.

Mas não se iludam, Iyemonjá Ogunté (àquela que possui Ògún) protege Eduardo Melo, o idealizador da Festa da Lavadeira. Ele sempre foi instrumento desta divindade. Esperamos e confiamos que a justiça se coloque contra o racismo, a exclusão, a arbitrariedade, e também contra a repetição da história dos poderosos que massacraram e massacram os “miseráveis”.

As raízes vêm do mar... 25 anos de tradição é a afirmação de que a cultura popular junta tem força, assim seguiremos.

Malunguinho está de ronda na Jurema, nas fronteiras com seus Estrepes!

Salve o povo e a cultura que é nossa. Fé e irmandade!



Olinda/Recife 22 de Abril de 2011




Alexandre L’Omi L’Odò

Pesquisador, Produtor Cultural, Músico, Sacerdote Iyawò e Juremeiro.




João Monteiro

Historiador, Especialista em Preservação de Patrimônio, Sacerdote Iyawò e Juremeiro.



QCM.

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Visitem o site da Lavadeira: www.festadalavadeira.blogspot.com




quarta-feira, 20 de abril de 2011

Semana Santa mais uma vez!

Nossa Senhora da Soledade. Representação imagética da tristeza pela perca de um filho.

Mesmo diante de tanta chuva, mais uma vez a semana vira “santa”, observa-se da mais simples e imperceptível a mais extravagante experiência de fé. Tem casa que se é proibido ligar o aparelho de som (mesmo baixo), pregar pregos na parede, usar roupas coloridas e falar em voz alta, o jejum de carne começou desde a quarta feira ingrata, principalmente as sextas-feiras, mais o ápice da semana começou com a procissão dos Ramos no domingo passado, a tradição já não resiste as inovações do século XXI, daí as ritualísticas recomeçam nesta quinta com a Missa dos santos óleos na Catedral da Sé em Olinda na qual os Sacerdotes renovam suas ligações místicas, religiosas e principalmente de Fé com a Igreja Católica, uma bela celebração, pela tarde tem a festejada celebração da instituição da Eucaristia é o ponto mais alto de todos os rituais da Igreja. Na noite de quinta pra sexta se remonta a prisão de Jesus e pela tarde de Sexta o grande mistério da Morte de Jesus é dramatizado pela Via Sacra, um momento de grande reflexão, as badaladas dos sinos dão lugar as pancadas da matraca até que no sábado por volta da meia noite, dentro da tradição, se tem a vigília Pascal outro grande momento, onde o fogo e a água se revelam na mística religiosa católica e enfim Domingo de Páscoa, celebração da Ressurreição.

Na verdade todo esse panorama vem sendo construído ao longo destes quase 2.000 anos, e mesmo com as deficiências arqueológicas, historiográficas e históricas em torno de Jesus, ele e sua Mãe Maria se tornaram referencial de fé, mesmo diante das experiências mais antagônicas possíveis, como é o caso das Religiões de Matriz Africana, Afro brasileira e Indígenas. Diante da marginalização estas Religiões Negras e Indígenas incorporaram em suas ritualísticas momentos de reverenciação à Semana Santa, O Candomblé ou Xangô pernambucano encerra, na sexta feira anterior, cobre-se todos os Igbás (assentamentos sagrados) dos Orixás com um pano branco e oferta comida seca e seca as quartinhas, no sábado de aleluia se enche as quartinhas novamente e pacientemente, em alguns Terreiros como a exemplo da Casa Xambá em Olinda, existe uma liturgia peculiar chamado “ritual das bolsas” realizada na semana anterior, um grande e poderoso ebó do Xambá e todos se resguardam do Orixá até no sábado de Aleluia, quando pela manhã é realizado um toque chamando os Orixás.

No caso da Jurema Sagrada, em muitas Casas o quarto dedicado a esse culto permanece fechado durante todo tempo “santo” e cobre-se os príncipes e as cidades da Jurema (taças e copos de vidro ou cristal) com “matapulão”, um tipo de filó e no domingo de Páscoa se dava um Toré para os Caboclos da Jurema.

Alguns rituais, heranças dos cultos pagãos europeus encontrão na sexta feira “santa” o momento especial para a realização de feitiços, na noite da quinta pra sexta é o dia certo para fazer encantarias.

Além de tudo os brincantes de Clube de Frevo, Blocos e troças carnavalescas viam no sábado de aleluia mais um momento para festejar, como no caso do Clube Carnavalesco Mixto Lavadeiras de Areias que até pouco tempo desfilava pelas ruas do bairro neste dia após “encontrar à Aleluia”.

Tudo isso é simbiose cultural, provocada pela repressão a estas Religiões brasileiras, portanto, seria uma prova de respeito ao cristianismo esses rituais dentro dos Terreiros? Ao contrário dos cristãos nunca tiveram respeito as religiões de Matriz Africana e Indígena, contudo a áurea mística da Semana “Santa” perde a cada ano seu tom religioso, histórico e cultural judaico-cristão, além de teológico pois hoje já temos centenas de Terreiros e Casas de Xangô que se aperceberam de sua identidade Histórica, Cultural e acima de tudo Teológica, chegaremos lá.

Informar e formar é preciso sempre e com qualidade!

João Monteiro – Omo Obá Aduban
Coordenação do QCM
Historiador, Especialista em Preservação de Acervos Gráficos

sábado, 2 de abril de 2011

"Os demônios que vem do Norte"!

A Declaração sobre eliminação de todas as formas de intolerância e discriminação com base em Religião ou Crença, proclamada pela resolução 36/55 da Assembléia Geral da ONU em 25 de novembro de 1981, " Considerou que um dos princípios básicos da Carta das Nações Unidas é o da dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos e todos os Estados Membros se comprometeram, juntamente com a Organização, a tomar ações conjuntas e separadas de cooperação, no sentido de promover e estimular o respeito e o cumprimento universal aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião. Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Convênios Internacionais e Direitos Humanos proclamam os princípios da não discriminação e da igualdade perante a lei, bem como o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião e crença".

No entanto os Estados Unidos dão mais uma vez mal exemplo ao mundo, através do Pastor Terry Jones que queimou um exemplar do Alcorão, Livro Sagrado dos Mulçumanos, o infeliz assegura que não se sente responsável pelo reboliço que causou nos paises Islâmicos que já nutrem ódio pelos ocidentais, principalmente os cristãos, sejam católicos ou protestantes.

Esperamos que o Brasil saiba a tempo conter os ânimos dos pastores evangelicos que a cada dia se especializam em provocar ódio e ações desagregadoras em nossa sociedade.

Os seguidores das Religiões de Matriz africana, afro-brasileira e indigena vem sofrendo esses constrangimentos constantemente, seja pela tão esperada e prometida, implantação de politicas públicas pelo estado ou pela falta de articulação politica dos seguidores do camdomblé, Umbanda e Jurema ou ainda pelo despreparo teológico da maioria absoluta dos Pastores evangélicos que vivem a instigar preconceito e discriminação, ficando claro o "desrespeito e a violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e particularmente, do direito à liberdade de pensamento, consciência e religião".

A noção de Unidade na Diversidade já trabalhada pelas Religiões Africanas e afro-braliseira em Recife no inicio da decada de 1980, poderia começar a ser refletida pela comunidade evangélica. A Biblia Sagrada não pode ser instrumento de fomento de òdio entre os povos, pois isso dimui a sacralidade deste livro.

Deus, Olodumaré ou Yahveh está de olho, ele é Obá adákédájó, o Rei que senta em silêncio e aplica a justiça!


João Monteiro - Omo Xangô Aduban, Juremeiro

Coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho

Historiador, Especialista em Preservação de Acervos


Quilombo Cultural Malunguinho no encontro de Caboclinhos de Goiana - defesa da Jurema.


No dia 30 de Março de 2011, na cidade de Goiana - PE, foi realizado pela Associação Carnavalesca Dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco o seminário PRIMEIRA ASSEMBLÉIA INDIGENA DE NOSSA HISTÓRIA, OCORRIDA EM GOIANA, EM 30 DE MARÇO DE 1645.

O evento foi muito inspirador, e eu e Sandro de Jucá, tivemos a oportunidade de nos colocarmos em relação ao que as agremiações carnavalescas de Caboclinhos e Índios poderiam fazer para fortalecer a Jurema Sagrada no nosso Estado. Como os caboclinhos são dentre outras manifestações do carnaval e cultura de Pernambuco, ligados diretamente com o culto da Jurema Sagrada, incitamos o levante desta consciência, e que a partir desta todas e todos pudessem se manifestar como juremeiros e juremeiras, colocando também a discussão religiosa dentre suas lutas. As propostas foram muito bem aceitas pela Associação e platéia, que ao final, articulamos futuras articulações entre a Associação e o Quilombo Cultural Malunguinho.

Vejam o vídeo com nossas falas.

Salve a Jurema Sagrada!

Alexandre L'Omi L'Odò - Coordenador Quilombo Cultural Malunguinho.

Xangô, inegável marca de nossa gente!

Foto de Aluísio Moreira

Xangô, inegável marca de nossa gente!

Os cultos de matrizes africanas em Pernambuco têm seu primeiro registro oficial de 10 de junho 1780, onde o Conde de Pavoline, governador da Província pede sugestões ao Rei de Portugal de como combater essas manifestações dos “Pretos da Costa”. Esta era uma das preocupações dos governantes, já que nosso estado era um dos grandes importadores de mão de obra e tecnologia negra, o que veio colaborar para que o Brasil tenha hoje um dos maiores contingentes de negros e negras do mundo (sendo Recife a terceira capital do país), ficando atrás da Nigéria, país que com sua cultura e tradição também deixou marcas profundas em nossa identidade social, cultural e religiosa, sobre tudo no culto Nagô, ou Nagô Egbá, chamado e conhecido também como “Xangô pernambucano”.

A religião Yorubana uma das mais antigas do mundo, tem sua cosmovisão centrada na dinâmica do àsè – a força vital, elemento responsável pela existência e toda sua dinâmica, regida e controlada por Esú, Òrìsà primogênito, criação do próprio Olórùn, o Deus supremo yorùbá.

Em Pernambuco, estas religiões africanas começaram a se organizar enquanto Terreiros provavelmente na segunda metade do século XIX, tendo em Sàngó uma divindade de grande devoção e prática litúrgica. Oba Ogodò (Rei Ogodò, àquele que quebra o pilão, um dos nomes de Sàngó em Pernambuco) foi um dos primeiros a serem cultuados. Foi trazido da Nigéria pelos antepassados de Vivina Rodrigues Braga – Iyá Iná (mãe/senhora do fogo), conhecida como Tia Sinhá, que nasceu em Recife em 17 de dezembro de 1874, com sua família veio também o culto aos antepassados que juntamente com Ignês Joaquina da Costa – Ifátinuké, fundadora do mais antigo Terreiro em funcionamento do Recife, o Ilé Iyemonjá Ògúnté, mais conhecido como Sítio de Pai Adão, na Estrada Velha de Água Fria, estabeleceram as bases do culto denominado “Xangô Pernambucano”, com contribuição de renomados sacerdotes como Rodolfo Martins de Andrade- Bángbósè Obitikó (Bamboxê- àquele que carrega/segura o machado duplo de Sàngó o Oxê), Martiniano Eliseu do Bonfim- Ojé L’adé (figurativamente: o [Ojé- sacerdote do culto Égúngún] coroado, ou da coroa real) entre outros.

Imbrincado com a identidade do conceito de justiça, Sàngó fortaleceu mais ainda o culto negro pernambucano, já que ele é o ancestral divinizado pelos seus méritos e conquistas a favor de seu povo. A vaidade, o poder, a força masculina, o princípio da organização político-social e belicosa, justiça e a voracidade amorosa/sexual, compõem algumas de suas principais características, somatizando em seus filhos também parte fundamental de sua personalidade. Seus elementos são o fogo, o trovão e o raio, suas cores votivas são o vermelho e o branco e sua comida ritual predileta é o àmàlà (quiabada com rabada, azeite de dendê e outros condimentos). Suas datas comemorativas são o dia 6 de Reis em janeiro e o período do São João, em junho, especialmente no dia 24 dedicado ao Santo católico.

Devido ao longo processo de discriminação, inculturação e repressão estabelecidos pelas religiões judaico-cristãs e apoiadas pelo Estado conservador racista, o sincretismo foi necessário à sobrevivência desta cultura ancestral. O culto à São João Batista já carregado de elementos pagãos impostos pelo catolicismo popular, como por exemplo a fogueira junina que veio a ser um álibi perfeito para a difusão do culto de Sàngó, que também “é” sincretizado com São João Batista além de São Jerônimo e São Pedro. Um desses importantes momentos é a tradicional procissão do Acorda Povo que acontece anualmente na madrugada do dia 23/06. Hoje no bairro de Areias (RPA 5.2) se mantém a mais de 70 anos, um dos mais antigos de Recife, criado por Adalgisa Marques de Almeida, filha de Sàngó, nascida em 1899, sacerdotisa assídua da Casa das Tias do Pátio do Terço e do Sitio de Pai Adão.

A construção de políticas públicas direcionadas as religiões de matrizes africanas e afro indígenas, vem respeitando a diferença dos povos, culturas, gêneros e buscando a equidade socioeconômica e uma maior inclusão social dos afros descendentes e indígenas, afim de reparar todos os danos causados com a criminalização e marginalização da cultura e do negro brasileiro.

E para entendermos o mundo a partir de referenciais próprios de nossa ancestralidade afrodescendente, temos em Sàngó o elemento apropriado para discutirmos e inspirarmo-nos em seus feitos mítico-históricos e todo seu axé de justiça pela libertação de nosso povo, liberdade esta que ainda é um bem por vir.

Os Yorùbás nos deixaram esse forte legado. Hoje, Ele é um patrimônio de Recife e do estado de Pernambuco. O Culto a Sàngó (Xangô) que empresta seu nome aos rituais gerais de Matriz Africana em nosso Estado é um forte reconhecimento a esta inegável marca da nossa gente.

Kíní ba, kíní ba, àrá won pè – (Poderoso Senhor que racha o pilão e oculta-se)
Kíní ba, o sérée alado àwúre – (Que impõe os raios e os chama de volta, abençoe-nos).

Kawó-Kabiyèsílé – (Venha ver o Rei descer sobre a terra) – Sua saudação em todos os terreiros do Brasil!

João Monteiro - Omo Sangó Aduban, Juremeiro
Historiador, especialista em Preservação de Acervos

Alexandre L'Omi L'Odò - Omo Osún e Juremeiro
Graduando em História, pesquisador, produtor e gestor cultural

quinta-feira, 31 de março de 2011

Boi da Discórdia


Boi da Discórdia

Mais uma vez as Religiões de Matriz Afro-brasileira são alvo de sua própria desarticulação política e teológica, fruto de Sacerdotes desagregadores e de legitimidade duvidosa, dentro das normas e preceitos religiosos tradicionais. Já é “comum” a sociedade tripudiar de nossa religiosidade, diante de Hordas de embusteiros existentes, não seria outro o resultado, e hoje se fortalecem e se locupletam do sonho evasivo do estado de “implantar” políticas públicas e de inclusão para “povo de Terreiro”.

É sabido que a “Religião é de longe a mais desagregadora entidade criada pelo homem” os fundamentos da Religião nagô passam distante dessa Confusão teológica enraizada em tantos Terreiros em Pernambuco, Exu entidade fundamental de nossa Religião representa a dinâmica primordial do Axé, a força mística que nos rege, individual e coletivamente. Que Olodumáre tome conta dos que blasfemam contra a sua primeira e mais importante criação, Exu.

João Monteiro - dundunmonteiro@yahoo.com.br
Omo Xangô e Historiador

domingo, 5 de setembro de 2010

2° Semana estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana. Lei Malunguinho 13.298/07

O Quilombo Cultural Malunguinho Apresenta a:


2° Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana.

Lei Malunguinho 13.298/07

De 12/09 à 01/10 de 2010.



Malunguinho Histórico e Divino 175 anos resistindo!


A 2° Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana,

Lei Malunguinho 13.298/07 tem como objetivo consolidar o diálogo entre as diversas religiões de matrizes africanas e indígenas com a sociedade civil e a cultura de tradição, escolas e academias, com o intuito de celebrar a memória do líder negro e divindade do culto da Jurema Sagrada, Malunguinho, personagem da história do Brasil, assassinado no dia 18 de setembro de 1835, no município de Maricota, hoje Abreu e Lima.


Visamos também garantir a expressão da diversidade presente nas atividades, possibilitando a articulação entre pessoas e grupos, além da participação plural e intensa dos povos de terreiro nos processos de discussão política e social, cultural e teológica, garantindo a troca de saberes com a função de contribuir para o fim do racismo, da intolerância religiosa e da desmistificação de nossa história negra e indígena marginalizada (lei 11.645/08).


“Na mata tem um caboclo

Todo vestido de pena

Este caboclo é Malunguinho

Ele é rei lá da Jurema”!


A expressão de uma articulação do povo da Jurema Sagrada. IV Kipupa Malunguinho. Foto de João Monteiro. 2009


Programação Completa


Domingo 12/09

10h.

Reabertura do terreiro de Jurema Centro Espírita Mestre João (Mãezinha Juremeira 85 anos) - Toque para Malunguinho – Ritual religioso.

Local: Segunda Travessa do Buraco da Velha 52, Bairro Capibaribe – São Lourenço da Mata.


Segunda 13/09

Abertura oficial da semana de Malunguinho- Gira de Diálogos audiovisuais afro-indígenas.

Hora: 19 às 22h

Local: Teatro do Parque

Mostra de vídeos e discussão sobre a Jurema Sagrada e Malunguinho:


Malunguinho, O Guerreiro do Catucá, O Rei da Jurema UNICAP/QCM, 2008
  • A Ciência dos Encantados – UNICAP, 2007
  • I Kipupa Malunguinho, a fundação da tradição do Catucá. De Felipe Peres Calheiros
  • Malunguinho Histórico Divino – 2009

Quarta 15/09

8h e 30min.

Gira de Diálogos Itinerantes

Seminário para professores e diretores de escolas públicas do Estado.

Tema: “Intolerância Religiosa, Aqui Não – Por uma escola pública verdadeiramente laica”

Local: São Lourenço da Mata


Quinta 16/09

14h.

Gira de Diálogos Itinerantes

Seminário – Religiões de Matrizes Africanas e Indígenas e Meio Ambiente, Desafios do Século XXI.

Local: Clube Rerun Novariun (Tiúma) e Praça de Tiúma

São Lourenço da Mata

Atividades complementares:


- 16h 30min. Plantio de uma muda de Baobá na Praça de Tiúma;


- 17h. Apresentação do Grupo de Teatro de Fantoches Baobá com o espetáculo: “Baobá; Semente que veio da África”;


- 17h. 30min. Roda de Capoeira;


- 18h Show com o Maracatú Raízes de Pai Adão (Grande Vencedor do Carnaval 2010 do Recife em sua Categoria);


- 19h Roda de Coco – Show com o ícone da Cultura Popular de Pernambuco Mestre Galo Preto.


Domingo 19/09

V Kipupa Malunguinho, coco na mata do Catucá

07h (Saís dos ônibus dos municípios e terreiros)

Local: Matas sagradas do engenho Pitanga II Abreu e Lima


    • Praça do Carmo de Recife
    • Nascedouro de Peixinhos - Olinda
    • Maracatu Nação Raízes de Pai Adão – Água Fria
    • Alto Santa Isabel – Recife
    • Praça do Teatro – Limoeiro (saída às 5h)
    • Praça do Mercado Velho – Jaboatão dos Guararapes
    • Praça do Canhão – São Lourenço da Mata
    • Igreja de Santa Isabel – Paulista

Artistas convidados para o V Kipupa:


Mestre Galo Preto – www.myspace.com/mestregalopreto

Zé de Teté (Limoeiro) - www.musicadepernambuco.pe.gov.br/artista.php?idArtista=12

Grupo Bongar - www.myspace.com/grupobongar

Adiel Luna e Coco Camarás - www.myspace.com/adiellunaecococamara


Atenção; levar sua alimentação, seu cachimbo e ir com roupas tradicionais da Jurema.

*Contribuição para os ônibus: R$: 5.

Inscrições pelo email: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

Fones: 55 81 8887-1496 / 9428-4898 / 3244-2336


Quinta 23/09

Coroação da Rainha do Maracatu Raízes de Pai Adão

19h.

Local: Frente à Igreja do Rosário dos Homens Pretos do Recife (com presença da Rainha maior das congadas de Minas Gerais).


De 27/09 à 01/10

Curso de Língua Yorùbá – Com o Professor Mestre e sacerdote Jayro de Jesus

19h.

Local: São Lourenço da Mata


Produção e Coordenação

Alexandre L’Omi L’Odò – alexandrelomilodo@gmail.com / 55 81 8887-1496

João Monteiro – dundunmonterio@yahoo.com.br / 55 81 9428-4898

Anne Cleide - annepenaforte@yahoo.com.br / 55 81 8632-7596


Site na internet com todas as informações: www.qcmalunguinho.blogspot.com


Veja na Internet:

http://alexandrelomilodo.blogspot.com/2008/11/iii-kipupa-malunguinho-coco-na-mata-do.html


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Alexandre L'Omi L'Odò
Produção e Coordenação Geral
81. 8887-1496

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

IV Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2009.


Reliase

IV Kipupa Malunguinho, Coco na mata do Catucá 2009.

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Uma tradição Dinâmica


Kipupa significa união, agregação de pessoas, associação de indivíduos em prol de algum objetivo, este termo também dá nome a uma cidade em Angola que se formou pela agregação de refugiados da guerra civil para formarem um gigante quilombo de esperança e reconstrução identitária, Malunguinho, vem do vocábulo Malungo que significa camarada, amigo, companheiro de bordo e de lutas, palavras pertencentes ao tronco lingüístico Kimbundo, língua falada em Angola, país de que vieram estes negros guerreiros. Malunguinho é o título dado aos líderes quilombolas pernambucanos que no século XIX fizeram ferver a capital na luta por liberdade e seus direitos.


O KIPUPA Malunguinho nasce em 2006 do anseio de resgatar e dar visibilidade a nossas lideranças históricas negras/indígenas negadas pela historiografia oficial, a exemplo do líder negro Malunguinho e tantos outros, destacando o papel de Pernambuco na resistência negra no Brasil. Determinamos o mês de Setembro para realização anual do evento em homenagem ao ultimo líder Malunguinho do Quilombo do Catucá, o João Batista que teve sua data de morte comprovada a partir de documentos existentes no Arquivo Publico Estadual Jordão Emerenciano, em 18 de setembro de 1935.

O Quilombo Cultural Malunguinho- Histórico e Divino, entidade idealizadora e realizadora do evento, implanta a partir da realização do I° Kipupa Malunguinho, ocorrido em setembro de 2006, um calendário permanente para comemorações e homenagens as lideranças negras históricas. Sobre tudo por que em setembro de 2007 aprovamos a lei estadual 13.298/07, a Lei da Semana Estadual da Vivência e Pratica da Cultura Afro Pernambucana, a Lei Malunguinho, que ainda não foi sancionada pelo governador, que a o fará ainda este mês.


O objetivo do evento é manter viva a memória e história dos líderes quilombolas, construindo o sentimento de pertencimento e reconhecimento nacional a estes líderes negros, através das discussões de temáticas sócios- educacionais e culturais, com a participação de sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada, do Candomblé (Xangô), pesquisadores, estudiosos, mestres e mestras da cultura tradicional e popular, músicos e interessados, materializando em matas fechadas do antigo quilombo de Malunguinho um a possibilidade de imersão na vivência e prática na cultura afro indígena pernambucana, através de debate, ritual (liturgia da Jurema) e o grande coco da mata, com mestres de renome como Mestre Galo Preto, Mestra Eliza do Coco, Bongar e outros que tem na tradição cotidiana o contato com nossas matrizes fundadoras da identidade nacional.


Todo evento é para homenagear e reconhecer Malunguinho, líder negro que elevou-se à divindade na Jurema assumindo a patente de Rei da Jurema, se firmando na tradição oral e teológica nordestina como defensor espiritual, posto este que o diferencia de Zumbí dos Palmares que não “baixa” nos terreiros.


O Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá é um evento único no gênero. Nele o participante poderá conhecer parte de nossa história que não está nas escolas nem nos livros. Poderá brincar e vivenciar coletivamente a experiência de adentrar nas tradições menos acessíveis ao público, por serem na maioria religiosas/culturais.


Todo roteiro é feito para poder-se experienciar a vida daqueles negros e negras que ali (matas do engenho Pitanga II- Abreu e lima - Catucá) lutaram, viveram e morreram.


Roteiro e Programação:


*Mestras e Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Dona Eliza do Coco, Bongar, O Tronco da Jurema, dentre outros artistas do coco pernambucano.


7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;


8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;


9h. Chegada na mata.


9h. e 20min. Abertura com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento)...


10h. Entrada na mata com ritual e grupos de capoeira, maracatu e caboclinho saudando Malunguinho;


10h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e obrigação);


11h e 40min. Descida ao centro da Mata do Catucá, arrastão do coco de mata à dentro...


12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema.


15h retorno para almoço tradicional da Jurema;


15... Mais coco...


17. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho.


Serviço:


IV Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2009.

Onde? Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).

Colaboração? 10 reais o ônibus e Almoço grátis.

Que horas? Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife.


Contatos:

Alexandre L’Omi L’Odò- 81 8887-1496 / João Monteiro- 81 9428-4898

quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

www.qcmalunguinho.blogspot.com

www.nacaocultural.pe.gov.br/qcm


Visite este linc e veja fotos e texto do Kipupa 2008: http://alexandrelomilodo.blogspot.com/2008/11/iii-kipupa-malunguinho-coco-na-mata-do.html


*Inscrições no Núcleo Afro da Prefeitura do Recife de 28/09 à 02/10/2009 das 14 às 18h. Pátio de São Pedro.


Inscrições limitadas pelo email ou telefone.

*Dados para inscrição: Nome Completo, RG, Entidade que Representa (ONG, Faculdade etc.), Nome do Terreiro de Houver.


Alexandre L'Omi L'Odò

Quilombo Cultural Malunguinho
174 anos resistindo!

IV Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2009.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008, Unindo Nações!

III KIPUPA MALUNGUINHO, COCO NA MATA DO CATUCÁ 2008.
Unindo Nações!
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A tradição do Coco de Malunguinho, o Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, na sua terceira edição, teve como principal novidade a participação de mais de 500 pessoas, entre sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada e do Xangô pernambucano.Entidades como MNU (Movimento Negro Unificado), Rede de Negras, Negros e Afro LGBTT - RNAF/GGP, CEPIR/PE, Festa da Lavadeira, Ação Cultural, Rede Nacional de Matriz Africana dos Pontos de Cultura, INTECAB/PE, UFPE, UNICAP, Prefeituras de Abreu e Lima e Recife, além dos Mestres Griôs (os Kimbandas de Malunguinho) do Quilombo Cultural Malunguinho.
Reunindo um público diversificado, entre sacerdotes dos cultos afro, pesquisadores, artistas, produtores, estudantes e pessoas interessadas, o evento teve saída as 8h da manhã do Nascedouro de Peixinhos em Olinda, Pátio do Carmo no Recife (2 ônibus) e em Paulista. Seguindo o comboio de Malunguinho via as antigas Matas do Catucá, na mata norte do Estado.
Juntando também pessoas das comunidades e povoados adjacentes, com a intenção de provocar o raciocínio e o reconhecimento do espaço, para a partir da ação cultural ali desenvolvida, eles olharem o antigo Catucá como espaço de vida, história e força espiritual, contribuindo para o fortalecimento do movimento contra o desmatamento da localidade, que anda a paços largos. A comunidade ali existente começa a vislumbrar e discutir novos rumos e perspectivas, a partir da movimentação dos Juremeiros e Juremeiras que ali afirmaram com a religiosidade de matriz indígena, o valor e a importância de tal espaço. Jamais estas matas serão as mesmas para os que ali vivem e resistem como povoado que lutou pelas terras que hoje tem.

Iniciando as atividades do dia, como já é de tradição, iniciamos com as palestras e conversações sobre o contexto histórico e cultural do evento. O Professor e Historiador, mestrando em ciências da religião pela UNICAPE João Monteiro, iniciou falando sobre a resistência do Catucá e o Valor histórico de Malunguinho, pois o mesmo está realizando seu mestrado com o tema: Malunguinho, Inclusão Histórica e Divina.
Palestrando também sobre a questão da importância da preservação da mata, o nosso anfitrião e morador da região Juarez, o nosso guia dentro da mata. Daí as discussões ficaram por conta do Babalorixá Gil Holder de Ogun e Mãe Lúcia. O evento foi Coordenado por Alexandre L’Omi L’Odò que fez a apresentação dos palestrantes e contribuiu com a discussão de forma intensa.
No evento também foi o momento da gravação do documentário sobre Malunguinho, Histórico e Divino, pelos alunos da UNICAP, que estão finalizando o curso de jornalismo com o tema, (revelando nossa história de PE), os alunos João Júnior e Luiz entre outros coordenaram as gravações e o registro audiovisual do Kipupa.
Esteve presente também o documentarista Felipe Perez Calheiros, que também fotografou e realizou registros do evento, que também tem como pretensão, no futuro realizar um filme com o tema Malunguinho.Eduardo Melo (criador e produtor executivo da Festa da Lavadeira, Ação Cultural, o maior evento de cultura tradicional e popular do Brasil), impressionado com a força do evento, colocou-se disposto a somar conosco forças na luta pelo resgate de nossa história e auto-estima com a religião da Jurema e o imaginário que cerca os “brinquedos” do homem do nordeste e do povo de terreiro do Brasil.
A dita “Cultura Popular”, é uma expressão viva e dinâmica do imaginário do negro e índio no Brasil. É um desdobramento do conceito de vida destes povos. O coco, a Ciranda, os Maracatu, Afoxés, dentre dezenas de outros Brinquedos, denotam que estes elementos são princípios fundadores do que conhecemos hoje como cultura brasileira, musica brasileira e identidade brasileira no mais profundo sentido dos termos fundidor e fundador.

A cerimônia religiosa ficou na regência do Babalorixá e Mestre Juremeiro Sandro de Jucá e da Sacerdotisa Iyalorixá e Mestra Juremeira Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn, que dês da fundação da tradição do coco do Catucá, o I Kipupa Malunguinho em 2006 foram protagonistas deste ritual religioso à memória e espiritualidade dos Malunguinhos que alí estão nas matas e nas mesas de Jurema de todo Nordeste. Com a grande participação de diversos sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada, o ritual ficou muito rico em loas e toadas (segmentos) de Jurema, que os mais de 200 Juremeiros e Juremeiras cantaram para saudar a união e a força espiritual que ali se fazia presente.

Vários foram os Mestres Juremeiros que vieram participar da cerimônia, Malunguinho (de Alexandre L’Omi L’Odò e outros), Zé Pretinho (de Ana de Oyá), o Grande Mestre Seu Curisco (de Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn), Mané Quebra-Pedra (de Beth de Oxum), Mestre buique (de Alexandre de Iyemojá), Zé da Hora, Mestre Caçador (de Ary Bantu), Mestre Zé Gaguinho (de Mãe Graça de Xangô), Mestre Manoel Maior, Mestre Pilão Deitado, Mestre Carlos, dentre muitos outros que não recordo-me agora. Foi tudo muito forte, e tanto as pessoas quanto a espiritualidade da Jurema Sagrada tiveram uma brilhante participação e ação afirmativa dentro da mata. Com as oferendas de fruta silvestres e litorâneas à Malunguinho, os Caboclos também foram muito saudados, pois Malunguinho também é caboclo, como expressa esta linda toada:
“Na mata tem um Caboclo
Todo vestido de pena
Este Caboclo é Malunguinho
Ele é Rei lá da Jurema
Na mata tem um Caboclo
Com uma preaca na mão
Esse Caboclo é Malunguinho
Não mexa com ele não”.
(da tradição da Jurema Sagrada de Pernambuco).

Após as cerimônias de entrada e louvação, adentrarmos a mata mais de 30 minutos a pé, chegando à clareira Cova da Onça, onde acontece a brincadeira. Todo brinquedo ficou por conta do Grande Mestre Galo Preto, comemorando 65 anos de coco e tradição no Brasil. Ao som da Embolada e do coco de roda, o evento na mata finalizou-se com o a cerimônia da alimentação coletiva. Com o já tradicional angu no dendê e a galinha também na iguaria, finalizamos o evento no lindo entardecer do Catucá às 17h.

O evento já está virando um marco de resistência, reafirmação, preservação e renovação dinâmica da tradição da Jurema no Estado, pois por ter um perfil único e exótico, atrai a cada ano mais pessoas interessadas na vivência e prática de suas próprias tradições que até então se encontravam adormecidas e desconhecidas pela ausência de informação.

O Kipupa Malunguinho é o povo de Terreiro olhando para seu universo, é o povo de terreiro unindo-se para construir novos rumos para a preservação e entendimento do que conhecemos como dia-a-dia da história viva de nossos antepassados que tanto lutaram para permitir que estivéssemos aqui hoje contando esta história.

Pelo olhar apurado e profissional da fotógrafa pernambucana e olindense Laila Santana, filha dos olhos da Oxum, coloco o resultado aqui do lindo registro realizado por ela. (Todas as fotos nesta matéria são de Laila Santana).

Agradecimentos especiais
Ao Deputadpo Estadual Isaltino Nascimento (PT), pelo grande apoio e consiceração dispensadas.A Jorge Arruda, Secretário executivo da CEPIR (Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial), E a todos os terreiros Participantes, em especial a casa de Mãe Tânia de Oxum pelo esforço desprendido.
Salve a Jurema Sagrada!
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
173 Anos Resistindo!
alexandrelomilodo@hotmail.com