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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Acorda Povo de Olinda alegra Sítio Histórico com centenária procissão dedicada à São João e Xangô


Acorda Povo de Olinda alegra Sítio Histórico com centenária procissão dedicada à São João e Xangô

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, tem a honra de dar continuidade ao centenário Acorda Povo preservado com muito zelo pela Mestra Ana Lucia do Coco.

No dia 23 de Junho de 2019 (domingo), a partir das 19h, haverá coco, forró pé de serra e Bacamarteiros Mandacaru em Frente à Casa das Matas, esquentando e preparando a procissão da Bandeira de São João/Xangô, que sairá às 00h em direção à casa do querido Barão das Olindas na Rua da Boa Hora, nas ladeiras da Cidade Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.

Consideramos uma missão da qual jamais abriremos mão, a preservação e continuidade de nossas tradições de fé deixadas pelos nossos antepassados negros e indígenas! A Mestra Ana Lucia do Coco, com honradez e sabedoria, segura com mão de ouro os saberes desse brinquedo tradicional. Ela, que merece ganhar o Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco, é a fonte viva desta cultura herdada de seus pais e avós.

Todas e todos podem participar e estão convidadxs. Ao final da procissão, haverá muito Coco com mestres e mestras da cultura popular. Vem sambar o Coco com a gente!!! Vai ser de axé!!

SERVIÇO:

Preparação para saída da Bandeira com apresentação de coco e forró pé de serra: dia 23 de Junho 2019 (domingo) das 19 às 00h na Casa das Matas do Reis Malunguinho – Rua de São João, nº 340, Olinda/PE.

Chegada da Procissão - 00h40min na Casa de Barão das Olindas – Rua da Boa Hora. Lá haverá coco e comidas típicas para os brincantes.

Informações e organização: 81 995257119 (WhatsApp) - Alexandre L'Omi L'Odò.

COMPARTILHEM!!

Se quiser saber mais sobre essa tradição, assista o documentário do Acorda Povo de Olinda 2018 e visite os links abaixo e leia preciosas informações:



1 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorda-povo-uma-tra…

2 - http://alexandrelomilodo.blogspot.com/…/acorada-povo-de-mae…


Alexandre L’Omi L’Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Acorda Povo de Peixinhos 2016 celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Acorda Povo de Peixinhos 2016
Celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Demorei 28 anos esperando receber esta bandeira, e por esta tradição farei o melhor! Vamos celebrar os 30 anos do Acorda Povo de Peixinhos!

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema (em seu endereço provisório) tem o prazer de convidar todas e todos para a levada da Bandeira de São João por mim recebida ano passado pelo GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças - detentor desta tradição. 

Dia 22 de Junho de 2016, o Bairro de Peixinhos mais uma vez vivenciará e celebrará esta linda celebração que é levada com muita garra e seriedade há 30 anos (comemorados em 2016) pelo GCASC. Sabemos que esta tradição tem mais de 50 anos no bairro, e que há 29 anos o Grupo se responsabilizou em manter vivo este patrimônio imaterial, afinal, se percebia na época (há 30 anos) que esta procissão junina estava se extinguindo. Este ato, nos garantiu hoje vermos viva uma das mais lindas procissões sincréticas e híbridas do Brasil.

Nos últimos anos vimos na madrugada do dia 22 para o dia 23/06 uma multidão de aproximadamente mil pessoas acompanhando esta Bandeira. Isso é muito forte e demonstra o quanto as pessoas envolvidas se dedicam para agregar o máximo possível de membros da comunidade para manter viva nossa cultura. Isso me emociona muito.

Dia 22 de junho, às 00h a Bandeira de São João com toda sua orquestra de tambores tocando coco, sairá pelas ruas do bairro a partir da Rua da Harmonia, n°27 (nosso terreiro/casa), para ser entregue na Rua do Cajueiro. Faremos uma celebração à Xangô antes da meia noite com os ilús sagrados da tradição nagô, tocando e invocando o Orixá do fogo e da justiça.

A partir das 18h, teremos shows de coco e forró pé de serra animando a comunidade antes da grande procissão. Cheguem cedo, vamos aproveitar a festa. Contaremos com os coquistas do bairro que cantarão fazendo a tradicional roda de coco de Peixinhos.

Teremos fogueira, comidas típicas e muita alegria para amanhecer o dia com toda fé no nosso senhor Xangô, Malunguinho e São João Batista.

Estão todas e todos convidados. Venham celebrar comigo este momento histórico na minha vida. Axé e salve a fumaça!

Estou muito agradecido pelo reconhecimento da comunidade. Isso nos fortalece!

Quem quiser saber o que é o Acorda Povo através de dados históricos, visite: 


Serviço:

Acorda Povo de Peixinhos 2016
Saída da Bandeira - 22 de Junho às 00h
Shows e roda de coco à partir das 18h
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua da Harmonia, n°27
Grátis e na rua, é um evento da comunidade!


Alexandre L'Omi L'Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho 
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 2 de abril de 2011

Xangô, inegável marca de nossa gente!

Foto de Aluísio Moreira

Xangô, inegável marca de nossa gente!

Os cultos de matrizes africanas em Pernambuco têm seu primeiro registro oficial de 10 de junho 1780, onde o Conde de Pavoline, governador da Província pede sugestões ao Rei de Portugal de como combater essas manifestações dos “Pretos da Costa”. Esta era uma das preocupações dos governantes, já que nosso estado era um dos grandes importadores de mão de obra e tecnologia negra, o que veio colaborar para que o Brasil tenha hoje um dos maiores contingentes de negros e negras do mundo (sendo Recife a terceira capital do país), ficando atrás da Nigéria, país que com sua cultura e tradição também deixou marcas profundas em nossa identidade social, cultural e religiosa, sobre tudo no culto Nagô, ou Nagô Egbá, chamado e conhecido também como “Xangô pernambucano”.

A religião Yorubana uma das mais antigas do mundo, tem sua cosmovisão centrada na dinâmica do àsè – a força vital, elemento responsável pela existência e toda sua dinâmica, regida e controlada por Esú, Òrìsà primogênito, criação do próprio Olórùn, o Deus supremo yorùbá.

Em Pernambuco, estas religiões africanas começaram a se organizar enquanto Terreiros provavelmente na segunda metade do século XIX, tendo em Sàngó uma divindade de grande devoção e prática litúrgica. Oba Ogodò (Rei Ogodò, àquele que quebra o pilão, um dos nomes de Sàngó em Pernambuco) foi um dos primeiros a serem cultuados. Foi trazido da Nigéria pelos antepassados de Vivina Rodrigues Braga – Iyá Iná (mãe/senhora do fogo), conhecida como Tia Sinhá, que nasceu em Recife em 17 de dezembro de 1874, com sua família veio também o culto aos antepassados que juntamente com Ignês Joaquina da Costa – Ifátinuké, fundadora do mais antigo Terreiro em funcionamento do Recife, o Ilé Iyemonjá Ògúnté, mais conhecido como Sítio de Pai Adão, na Estrada Velha de Água Fria, estabeleceram as bases do culto denominado “Xangô Pernambucano”, com contribuição de renomados sacerdotes como Rodolfo Martins de Andrade- Bángbósè Obitikó (Bamboxê- àquele que carrega/segura o machado duplo de Sàngó o Oxê), Martiniano Eliseu do Bonfim- Ojé L’adé (figurativamente: o [Ojé- sacerdote do culto Égúngún] coroado, ou da coroa real) entre outros.

Imbrincado com a identidade do conceito de justiça, Sàngó fortaleceu mais ainda o culto negro pernambucano, já que ele é o ancestral divinizado pelos seus méritos e conquistas a favor de seu povo. A vaidade, o poder, a força masculina, o princípio da organização político-social e belicosa, justiça e a voracidade amorosa/sexual, compõem algumas de suas principais características, somatizando em seus filhos também parte fundamental de sua personalidade. Seus elementos são o fogo, o trovão e o raio, suas cores votivas são o vermelho e o branco e sua comida ritual predileta é o àmàlà (quiabada com rabada, azeite de dendê e outros condimentos). Suas datas comemorativas são o dia 6 de Reis em janeiro e o período do São João, em junho, especialmente no dia 24 dedicado ao Santo católico.

Devido ao longo processo de discriminação, inculturação e repressão estabelecidos pelas religiões judaico-cristãs e apoiadas pelo Estado conservador racista, o sincretismo foi necessário à sobrevivência desta cultura ancestral. O culto à São João Batista já carregado de elementos pagãos impostos pelo catolicismo popular, como por exemplo a fogueira junina que veio a ser um álibi perfeito para a difusão do culto de Sàngó, que também “é” sincretizado com São João Batista além de São Jerônimo e São Pedro. Um desses importantes momentos é a tradicional procissão do Acorda Povo que acontece anualmente na madrugada do dia 23/06. Hoje no bairro de Areias (RPA 5.2) se mantém a mais de 70 anos, um dos mais antigos de Recife, criado por Adalgisa Marques de Almeida, filha de Sàngó, nascida em 1899, sacerdotisa assídua da Casa das Tias do Pátio do Terço e do Sitio de Pai Adão.

A construção de políticas públicas direcionadas as religiões de matrizes africanas e afro indígenas, vem respeitando a diferença dos povos, culturas, gêneros e buscando a equidade socioeconômica e uma maior inclusão social dos afros descendentes e indígenas, afim de reparar todos os danos causados com a criminalização e marginalização da cultura e do negro brasileiro.

E para entendermos o mundo a partir de referenciais próprios de nossa ancestralidade afrodescendente, temos em Sàngó o elemento apropriado para discutirmos e inspirarmo-nos em seus feitos mítico-históricos e todo seu axé de justiça pela libertação de nosso povo, liberdade esta que ainda é um bem por vir.

Os Yorùbás nos deixaram esse forte legado. Hoje, Ele é um patrimônio de Recife e do estado de Pernambuco. O Culto a Sàngó (Xangô) que empresta seu nome aos rituais gerais de Matriz Africana em nosso Estado é um forte reconhecimento a esta inegável marca da nossa gente.

Kíní ba, kíní ba, àrá won pè – (Poderoso Senhor que racha o pilão e oculta-se)
Kíní ba, o sérée alado àwúre – (Que impõe os raios e os chama de volta, abençoe-nos).

Kawó-Kabiyèsílé – (Venha ver o Rei descer sobre a terra) – Sua saudação em todos os terreiros do Brasil!

João Monteiro - Omo Sangó Aduban, Juremeiro
Historiador, especialista em Preservação de Acervos

Alexandre L'Omi L'Odò - Omo Osún e Juremeiro
Graduando em História, pesquisador, produtor e gestor cultural