quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VII Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá. 7 Anos Unindo o Povo da Jurema!


VII Kipupa Malunguinho
Coco na Mata do Catucá
7 Anos Unindo o Povo da Jurema! 
 
Chegamos ao nosso sétimo ano de integração dos juremeiros e juremeiras de todo o Brasil nas matas sagradas de Malunguinho. Este ciclo para nós da Jurema é de muita importância e simbolismo religioso. Sete anos de trabalhos significa um fechamento de um primeiro ciclo de força na fumaça e ciência de nosso guerreiro quilombola Malunguinho. É um ciclo de grande comemoração e que devemos nos orgulhar em poder vivenciar este momento com fé e entrega. Nós que fazemos o Quilombo Cultural Malunguinho, queremos que esta energia de cura, de paz, de afeto, de união, de consciência política, de alegria e de crescimento invada a vida de todas e todos que vinherem somar e participar deste grande encontro que a cada ano só faz crescer e se multiplicar graças à força de nossa Jurema Sagrada e de nossa luta coletiva. Vamos celebrar, a festa será digna desta data. São sete anos Unindo o Povo da Jurema!!

Quem ainda não sabe o que significa Kipupa e sua história, visite este link e tire toda as dúvidas com o texto que preparei especialmente para isso: "O Que Significa o Kipupa Malunguinho?"

Sobô Nirê!

Roteiro e Programação: 

Artistas e Mestras, Mestres convidados: Mestre Galo Preto, Zé de Teté, Grupo Bojo da Macaíba, Grupo Pandeiro do Mestre, Maracatu Rosa Vermelha, Maracatu Obá Onilu, dentre outros artistas do coco pernambucano.

7h. Saídas dos ônibus (Memorial Zumbí- Carmo Recife) e dos terreiros e municípios de Paulista, São Lourenço da Mata, Recife, Goiana etc;

8h. Encontro na Prefeitura de Abreu e Lima dos ônibus e pessoas;

9h. Chegada na mata (local do evento);

9h. e 20min. Abertura Solene com diálogo e palestra sobre Malunguinho (normas do evento);

10h. Entrega do "Prêmio Mourão que no Bambeia" aos homenageados: 

In memorian:
Mãe Marlene de Oxum Ajangurá
Mestra Jardecilha
Pai Brivaldo Alambaê
João Romão

Vivos:
Mãe Terezinha Bulhões
Dona Dora
Mãe Graça de Xangô 

11h. Entrada na mata com rituais de Jurema;

11h. e 30min. Ritual para Malunguinho com Juremeiros e Juremeiras e povo de terreiro (gira, cânticos, louvações e oferendas);

12h. e 20min. Coco na Mata com os mestres e mestras do coco e da Jurema;

18h. Fechamento e retorno do comboio de Malunguinho. 

Como se inscrever?

Local: Loja de Eliane no Mercado de São José
Valor: 10$ (Dez Reais)
Pessoas de outros Estados: Mandar dados (Nome, Instituição e Contato) para: annepenaforte@yahoo.com.br (Produção)

Local do Evento: Matas do Engenho Pitanga II, Área Rural de Abreu e Lima (Catucá).
Saída as 7h da manhã no Memorial Zumbí dos Palmares. Carmo Recife e dos terreiros e localidades de toda cidade.

Contatos e informações:

Anne Cleide - 81. 8473-1828 (Produção)
Alexandre L’Omi L’Odò - 81 8887-1496  (Coordenação)
João Monteiro- 81 9428-4898 (Coordenação)

Vejam um pouco do Kipupa do ano passado:
 
 
 
 
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco acontece dia 21 de Agosto no Palácio de Iemanjá em Olinda


Seminário O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco

A partir de uma convocação do Quilombo Cultural Malunguinho, foi criada a Comissão de Acompanhamento Contra a Intolerância Religiosa de Pernambuco, composta por diversas instituições e terreiros comprometidos com a garantia da cidadania plena das comunidades tradicionais das religiões de matrizes africanas e indígenas.

Com o pensamento de combater, discutir e propor soluções contra a intolerância religiosa, o racismo aos terreiros e às tradições negras e indígenas, é que esta Comissão articulou e realizará o seminário “O Povo de Terreiro Discute Absurdos da Intolerância Religiosa em Pernambuco”, no intuito de promover um debate amplo com diversas lideranças e instituições sobre estes temas urgentes de nosso cotidiano.

Nos últimos meses as religiões de terreiro em Pernambuco têm sofrido profundas agressões à sua moral coletiva, ao seu patrimônio material e imaterial e a sua dignidade e liberdade de culto. Perante estes fatos registrados amplamente pela mídia sensacionalista, temos o triste dado de que 7 (sete) terreiros de Jurema e Umbanda foram saqueados e destruídos no município do Brejo da Madre de Deus por vândalos movidos pelo ódio religioso estimulado e manipulado contra nossa religião. Todo este fato consolidou-se devido à associação absurda feita pela mídia pernambucana ao assassinato cruel do menino Flanio, de nove anos de idade, com supostos rituais de “magia negra” ou de terreiro realizados por supostos “pais de santo”.

Perante esta grave problemática o povo de Terreiro de Pernambuco não poderia calar e se omitir. Portanto, este, se reunirá dia 21 de agosto de 2012, no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) no Alto da Sé em Olinda/PE, das 14 às 20h para promover este debate junto às diversas representações nacionais do povo de terreiro, entidades de direitos humanos federais e instituições representativas da luta contra o racismo e intolerância religiosa.

Serão problematizados principalmente os temas relativos à mídia e sua contribuição ao racismo e intolerância religiosa. O ódio religioso e o racismo, e, como o Povo de Terreiro pode combater estas questões.

Realizar este seminário no Palácio de Iemanjá (Casa de Pai Edu) é uma forma de reconhecer o indelével e imenso trabalho que este histórico babalorixá e juremeiro realizou para todo povo de terreiro do Brasil. Em sua homenagem estão dedicadas todas nossas discussões e lutas.

Contamos com sua valiosa participação. Todas e todos são muito bem vindos neste processo de afirmação e luta pelo direito à liberdade de culto e crença dos povos tradicionais de terreiro do Brasil.

Não podemos voltar à Idade Média com este caça as bruxas do século XXI no Brasil!

Sobô Nirê Malunguinho!
Salve a fumaça da Jurema!
Axé!
Nguzo!
Vodou!
Saravá!

Programação (pode haver alterações):

Seminário: Povo de Terreiro Contra a Intolerância Religiosa
Dia 21 de Agosto de 2012 das 14 às 21h.
Local: Palácio de Iemanjá – Alto da Sé, Olinda/PE.

Horário: 14 às 21h 

Cerimonial: Mãe Nete e Jamesson Reis

14h Abertura – Saudação Ritual (Paulo Brás, Sandro de Jucá)
Coordenação da Mesa: Carlos Salles;

14h10 – As Bases da intolerância, para entender o processo! Com Alexandre L’Omi  L’Odò – Juremeiro e Omo Òsún, graduando em História pela UNICAP, membro da coordenação do Quilombo Cultural Malunguinho.
14h20 – As Recentes agressões as Religiões de Matriz Africana e indígena em Pernambuco com o Babalorixá Érico Lustosa, Omo Ogum, Filosofo, Professor de Ética do Direito, mestrando em Ciências das Religiões – UNICAP;

14h30 – A Intolerância pelo Brasil, casos de intolerância a nível Nacional, com o Babalorixá Alexandre de Oxalá Coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural (http://redeafrobrasileira.com.br/);

15h40 – Debates para tirar duvidas

16h15- Intervalo para lanche regional

16h30 – O Papel do Estado no enfrentamento à intolerância Religiosa. Coordenação da Mesa: Leandro Tavares de Xangô (QCM). Vídeo Conferência com a Sra. Marga Janete Ströher, Assessora da Política de Diversidade Religiosa da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos Presidência da República e Prof. Dr. Carlos André Cavalcanti, Departamento de Ciências das religiões da UFPB e Membro da Comissão de Combate da Intolerância Religiosa da presidência da República.

16h45 - O Papel do Povo de Terreiro no enfrentamento a Intolerância Religiosa (vídeo conferência via RS) com Professor Jayro de Jesus Omo Oguiã, Teólogo da tradição de Matrizes Africans e Indígenas, coordenador da ATRAI e membro da Comissão de enfrentamento a Intolerância da presidência da Republica e os sacerdotes e lideranças políticas do povo de terreiro do Batuque do RS Baba Dyba e Egbon Esu Olumide.

17h00 – Debates para tirar duvida

!7h30 - Imprensa pernambucana, novas perspectivas de enfrentamento a intolerância (“A mídia tem que ter cuidado no que diz”!). Coordenação da Mesa: Mary Anne (CEDEESPE). Ivan Mauricio Jornalista e editores dos Jornais (Ivanildo Sampaio do JC, Henrique Barbosa Editor Geral da Folha de Pernambuco e ou editor do Diário). (Falta confirmar)

18h00 – Debate para tirar duvidas
18h30 – Considerações finais
18h45 – Ceia de confraternização com a Cheff Iyabassé Dona Carmem Virginia

19h15 – Apresentação cultural do Afoxé Omo Nilé Ogunjá
20h00 - Roda de coco de Jurema com o Grupo Bojo da Macaíba
21h00 - Encerramento


Informações: 81. 8887-1496 / 9428-4898
alexandrelomilodo@gmail.com


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

João Monteiro e Alexandre L'Omi L'Odò - novos conselheiros de cultura do Recife. Foto de Leandro Tavares.

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

É com muita satisfação que anuncio aqui os dois nomes que a partir de hoje assumem a temática de Patrimônio e Arquitetura do Conselho Municipal Políticas Culturais da Cidade do Recife: Alexandre L'Omi L'Odò e João Monteiro.

Também outras diversas áreas da cultura tiveram seus representantes escolhidos pela sociedade em votação democrática.

Com a renovação do quadro do Conselho, Recife ganha mais fôlego para promover melhores e maiores atividades no campo da cultura da Cidade. E com isso, ganham todas e todos que de forma democrática escolheram seus representantes que vão fazer valer a outorga, pela sociedade, do cargo nas discussões do tema.

O historiador e pesquisador João Monteiro, em gestões anteriores já foi conselheiro. Chegando a ser o secretário geral do órgão. Hoje volta para prosseguir seu trabalho nas discussões pertinentes.

Alexandre L'Omi L'Odò, ativista social e cultural, sacerdote, pesquisador, e graduando em história pela UNICAP estreia agora nesta gestão na perspectiva de contribuir de forma ativa e comunicativa nos processos do Patrimônio Imaterial, Material e Arquitetura.

Juntos, os dois experientes articuladores devem realizar um trabalho ao tamanho da necessidade que o tema exige.

Também, com a entrada dos dois, os temas do Povo de Terreiro terão maior espaço para discussões na Cidade, já que até o momento o tema Patrimônio não tem dado conta desta grande parcela de nossa sociedade. Segundo os dados da Pesquisa Socioeconomica e cultural das casas tradicionais de terreiro, em Recife e Região Metropolitana existem em funcionamento mais de 1.450 terreiros, dados do MDS e UNESCO.

Sobô Nirê!
Salve a fumaça!
Ore iyé iyé oooooo!
Kawo Kabiesilé!


Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Vamos Salvar a Jurema" - Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB.


"Vamos Salvar a Jurema"
Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB.

A partir da atitude e chamado de João Paulino, neto carnal da Mestra Jardecilhapar (conheça a história da Mestra Juremeira neste link: http://qcmalunguinho.blogspot.com.br/2012/05/sos-mestra-jardecilha-allandrapb.html), nós do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos nos organizar em Pernambuco com o Povo da Jurema para ajudar nesta luta de todos nós. Querem destruir/matar os antigos Pés de Jurema (Cidades dos mestres) deste terreiro histórico e, já foram derrubados criminosamente 3. Não podemos deixar acontecer o que ocorreu com o ACAIS, que foi destruído de forma covarde por pessoas intolerantes. Temos que cuidar de nossos patrimônios materiais e imateriais, defender nossa história! Vamos lutar juntos neste encontro de ciência, fé e fumaça! Sobô Nirê!

Informações e Roteiro (Ler com atenção):

06h: Saída do Memorial Zumbi dos Palmares (Largo do Carmo do Recife).

08h: Celebração da missa na igrejinha do Acaes de nossa Senhora Menina.

09:30h: Toré de Jurema em volta da “cidade” (tumulo) do Mestre Flósculo, celebrando a memória dos nossos ancestrais e chamando a força da Jurema para esta luta.

12:00h: Almoço (por conta de cada um).

14:00h: Visita ao templo da Mestra Jardecilha. Ver os pés históricos de Jurema.

17:00h: Retorno a Recife.
É importante que os juremeiros e juremeiras que decidirem participar vão de roupa adequada ao culto à Jurema e levem seus instrumentos, "gaitas", fumos e firmações.

O valor de R$ 25, deve ser pago a organização do ato político até o dia 05 de junho. O dinheiro deve ser entregue em mãos. é importante dizer que este valor será para pagar o ônibus contratado para esta viagem interestadual.

São apenas 50 lugares no ônibus. Portanto, quem desejar ir deve nos enviar um email para quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com com os dados:

Nome Completo
RG
Nome do Terreiro que Participa
Fone

Será divulgado aqui a listagem das pessoas que vão. E da mesma forma também será dito quando encerrar as inscrições.

Dúvidas, entrar em contato com:

Alexandre L'Omi L'Odò - 81. 8887-1496 (Oi)
João Monteiro - 81. 9428-4898 (Claro)

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

quinta-feira, 17 de maio de 2012

S.O.S Mestra Jardecilha - Allandra/PB

A Jurema Sagrada ainda não consta no livro de registro de patrimônio imaterial do Brasil? São mais de 500 anos de historia, sendo a Jurema de Matriz indígena e tendo incorporado valores africanos e cristãos ao longo desse período, as politicas governamentais, ainda não programaram politicas afirmativas e inclusivas para proteção da Jurema em todo nordeste, a exemplo do suposto tombamento do Acaes feito pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP em novembro de 2010, onde um simples comunicado para os supostos atuais proprietários do Acaes, até o momento não foi feito por não identificarem o atual proprietário, a atual politica de patrimônio cultural imaterial do Brasil esta foi pautada a partir das cartas patrimoniais elaboradas pela UNESCO depois de inúmeras discursões em vários países do mundo. Na Paraíba a efetivação dessas politicas ficam mais complicada quando o estados perde sua laicidade e dar espaço a intolerância e a falta de respeito a diversidade religiosa.

Atualmente um dos últimos exemplares de Templo tradicional de Jurema esta sendo vítima de intolerância de seguimentos neopentecostais e descaso das instituições governamentais, sabemos que nosso povo sempre foi vítima de discriminações e que o estado sempre foi conivente, porém estamos vivendo novos paradigmas que vislumbram uma reparação histórica aos povos de Terreiros, temos outro grande problema a enfrentar, a falta de articulação e organização e ausência de uma discursão politico teológica  que nos deixa mais reféns e vulneráveis aos ataques de organizações judaico-cristãs.

Conforme informações a me repassadas por João Paulino, neto legitimo da Mestra Jardecilha também conhecida por Zefa de Tiíno, como registrou o Professor Ms Sandro Guimarães em sua obra, À Sombra da Jurema Encantada;
Nascida no município de Alhandra – PB, no dia 11 de junho de 1934, aos cinco anos de idade começou o contato com entidades da jurema aos nove anos já tinha o controle do sua mediunidade, e começou a consultar sozinha, afilhada da Mestra Maria do Acais, que no seu batizado, no mesmo ano de seu nascimento, afirmou que ela seria uma grande Mestra de Alhandra, só que não estaria viva para presenciar o fato. Maria do Acaes viera há falecer três anos depois. Seu pai João Pedro era cabeça de mesa de Maria do Acais, entendendo assim a proximidade da escolha da comadre.

Cabeça de mesa é aquele Mestre ou Mestra que auxilia e coordena as ritualísticas de Jurema de Mesa e sempre é uma pessoa de extrema confiança da Mestra dirigente.

Mestra Jardecilha começou a consultar na casa de seus pais, ainda criança, pois eles temiam a perseguição que os juremeiros sofriam, portanto a mestra não podia dar toques, para não chamar a atenção dos perseguidores no caso, a Policia.

Vale salientar que na Paraíba a perseguição durante o estado novo deixou marcas profundas nas religiões de Matriz africana e afroindigena.

Aos 16 anos de idade a mestra Jardecilha casou com João Paulino de Souza, saindo então de casa dos pais para morar em sua própria casa porem vizinha a casa dos seus pais (nas terras que se encontra sua cidade de jurema) teve 14 filhos sendo que biológicos se encontra apenas uma filha, Severina Paulino (Nina) que reside na mesma casa da mestra e que cuida da cidade de jurema mantendo-a ativa até os dias de hoje, e outra filha adotiva que nada faz pela cidade.

Assim que casou a mestra Jardecilha continuou consultando porem agora em sua casa, no governo de João Agripino foi liberado e reconhecido o direito dos cultos afro-indígenas na Paraíba no ano de 1966, porém no ano seguinte, em 1967 a mestra começou a dar os torés de caboclos no terreiro de sua casa, os torés de caboclos eram feitos apenas com as maracás, a mestra Jardecilha foi a primeira mestra de Alhandra a começar a realizá-los com introdução dos elús, grande sinal de originalidade e distinção.


A Mestra foi certamente protagonista nas reelaborações e contribui assim para a Umbandização da Jurema na Paraíba,

A vida da mestra Jardecilha foi dedicada inteiramente ao culto da jurema dos 9 anos até os 54, idade de seu falecimento, ela realizou inúmeros trabalhos de curas, principal atribuição dada a Jardecilha, conhecida popularmente como “TIA ZEFA”, também muito caridosa tinha sua casa sempre cheia de gente,nunca teve horário pra atender, seja de manhã, de madrugada, a tarde ela sempre estava disponível pra atender de simples consultas a casos de emergência, muito por precisarem de seus trabalhos e muitos por necessidade de fome, e favores, conhecida também como mãe da pobreza tia zefa ou mestra Jardecilha, dava refeições aos necessitados, fazia casamentos, providenciava velórios, quando os parentes não tinham condições, muitos pessoas a tomaram como madrinhas de seus filhos por terem seguro a festas e os custos, sendo assim não se espanta saber que a mestra Jardecilha morreu com mais de 600 afilhados apenas de batismos católicos, não contabilizando os seus afilhados de jurema.

A influência de Mestra Jardecilha pode ser comparado a de Maria Acaes e sua liderança e poder de articulação são merecedoras de estudos acadêmicos ainda não realizados. O sentimento de dupla pertença é uma das marcas dos grandes mestres Juremeiros.

Além de juremeira, a mestra Jardecilha também era muito católica, durante 39 anos ela realizava procissões devido a promessas, no mês de janeiro a São Sebastião, junho do Senhor São João Batista e em Dezembro da Virgem da Conceição, de quem era devota, com as procissões, ela mobilizava junto a igreja multidões de pessoas da cidade e dos municípios vizinhos. No ápice de sua mediunidade, a mestra Jardecilha já era muito conhecida, em 1973 foi convidada pelo então presidente da federação Carlos Leal para  assumir a diretoria da Federação Espírita dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba onde se ficou até sua morte.

Durante muitos anos a jurema em Alhandra foi alvo de muitos olhares, a Mestra Jardecilha, Mestre Inácio, Mestre Biu Toré, Mestre Zé Quati, Mestre Flósculo, Mestre Zezinho do Acais, Mestre Adauto, Mestre Cesário e Mestra Damiana, valorizaram o culto da jurema de uma forma avassaladora.

Na década de 70 a mestra Jardecilha recebeu em seu terreiro a BBC de Londres, que realizou um trabalho de forma acentuada sobre os cultos da Jurema no nordeste brasileiro.

Houve um reconhecimento internacional que precisa ser retomando afim de identificar e fortalecer essa tradição.

A mãe da mestra Jardecilha deu um terreno a ela assim que casou, onde construiu sua casa, e ergueu sua cidade de jurema e firmou seu cruzeiro, seu salão era nos fundo de sua casa até o ano de 87 quando construiu de forma mais confortável seu templo.

Como relata o professor Ms. Sandro Guimarães a cidade da Mestra Jardecilha foi Plantada no contexto da Umbanda, e é composta de jurema-preta e jurema-branca e é o mais novo dos Santuários de Alhandra entre eles os pés de Jurema do Mestre Manoel Cadete, Mestre José da Paz e o do Mestre Bom Floral, além do da própria Mestra Jardecilha que plantou sua cidade seguindo as tradições dos Mestres de Alhandra pouco antes de falecer.

No ano de 2009 familiares que são contra o culto fizeram a partilha definitiva dos lotes, manobrando os limites de forma que a jurema do mestre major do dia ficasse fora do lote, A proprietária do lote em que erroneamente se encontrava a jurema ameaçou cortá-la, junta a todos conseguimos comprá-la judicialmente por 4.000,00.

Com a morte do marido da mestra Jardecilha, os herdeiros querem acordos absurdos, na esperança de aniquilarem definitivamente a cidade de jurema, começaram a invasão imprópria do bem, cortando recentemente 3 pés de juremas, a cidade de jurema hoje contem nove pés, um templo as firmações dos exus e dos pretos velhos e o cruzeiro mestre, a uma reunião no mês passado ao IPHAEP, recebemos as informações que a saída de melhor resultado seria o tombamento do valor material e imaterial da cidade de jurema, mas que precisaríamos de mais apoio, pra que o órgão se conscientize de que a cidade tem valor não só pra nós que moramos aqui e sim pra todos os da religião.

As quantias são irrisórias, as partes opostas apresentaram uma avaliação de 200.000,00 sendo repartidas em partes iguais por volta de 67.000,00 não levando em consideração os beneficio e benfeitorias feitas por nós desde que a casa e o templo foram feitos já que ninguém mais teve a posse dele depois que a mestra Jardecilha morreu. A vizinha ainda deseja 7m da profundidade, comprometendo a jurema de mestre Manoel cadete e a firmação dos exus.

Enfim faz-se necessário uma tomada de atitude para de fato salvarmos essa relíquia da Jurema e as entidades que fomentam ações afirmativas sejam no âmbito da academia ou do movimento social precisam de fato tomar uma atitude para que o tombamento ou reconhecimento como patrimônio imaterial da Paraíba e do Brasil sejam de fato uma realidade.

João Monteiro
Historiador, Especialista em Preservação de Acervos Gráficos
Membro da coordenação do QCM

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

Momentos de discussão do povo da Jurema e do Xambá. Foto: Acervo do Quilombo Cultural Malunguinho.

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

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Disponibilizamos aqui parte dos vídeos do I Seminário Interno de Construção de propostas Judiciais contra a Intolerância Religiosa produzidos pelo Programa Povo de Santo Ciência e Fé - http://www.youtube.com/user/PovodeSantoCF?feature=watch, do professor, babalorixá e juremeiro Érico Lustosa e sua equipe. Nos vídeos aqui apresentados, poderemos acompanhar parte fundamental das discussões e pensamentos sobre os atos oficiais criminosos de intolerância religiosa propagados pela Editora Pensamento e seu escritor Rivas Neto, que no livro Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica, chama o povo da Jurema e da Nação Xambá de degenerados entre outros adjetivos de baixo escalão que não valem a pena serem replicados.

Este foi um primeiro momento onde sacerdotes da Jurema e da Nação Xambá se reuniram organizadamente para agirem judicialmente contra estes absurdos. O evento organizado convocado e organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho no Terreiro de Jurema e Nagô Mensageiros da Fé, da sacerdotisa Dona Dora, teve mais de 80 participantes de diversos terreiros de Recife e RM e Estados do Nordeste. Ainda tivemos a participação em vídeo conferência do Professor Teólogo-Afro Jayro Pereira de Jesus, que falou do Rio Grande do Sul e do juremeiro Eric Assumpção do Rio de Janeiro. A transmissão foi nacional e várias pessoas também puderam acompanhar.

Tivemos ainda as falas dos participantes. Entre eles e elas, a juremeira Joana da Paraíba e o Babalorixá e pesquisador Luiz de Ogodô, que vieram reforçar nossa luta.


Foi marcada a data de 1° de Abril para um novo encontro no Terreiro da Nação Xambá - http://www.xamba.com.br/ - para a confecção final dos docuemntos que serão entregues ao MPF- Ministério Público Federal, junto aos nossos advogados e advogadas.


Para acompanhar esta discussão visitem:
http://www.qcmalunguinho.blogspot.com/



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Coordenação
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 15 de março de 2012

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

A fumaça da ciência. VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Mendonça Luna.

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa


O QCM – Quilombo Cultural Malunguinho e o Terreiro de Jurema e Candomblé Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) convidam todas e todos para participar do I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa.


Neste evento, poderemos em grupo discutir formas legais (com advogados presentes) de combater a violência simbólica, racismo e xenofobia que a Jurema Sagrada, a Nação Xambá e o Toré, sofreram nos escritos do livro Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica, do autor Yamunisiddha Arhapiagha - F. Rivas Neto, “psicografia do Caboclo Sete Espadas”. Em suas linhas, o autor agride profundamente estas religiões.


Este será o primeiro momento em que estas religiões estarão reunidas para combater de forma sistematizada este absurdo. Para ler parte dos texto revoltantes acesse: http://www.pdu.com.br/faca.html


Serviço:

Data: Domingo – 18 de março de 2012

Hora: 13 às 18h

Local: Terreiro Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) – Rua Fernandes Belo 611, Jordão Baixo. Recife/PE.

Ponto de referência: Residencial Primavera.

Contatos para saber como chegar: 81. 8515-4605 (Oi) e 9804-1480 (Tim) – Falar com Cristina de Oyá. Ou ainda o: 81. 8619-8779 – Falar com Arthur de Iyemojá.

Haverá material disponível no local com cópias dos textos. Será construído um documento para assinatura dos concordantes.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público

Imagem do Calendário de bolso Malunguinho 2012. Foto de Thiago Bianchetti.


Calendários de bolso Malunguinho, já a disposição ao público


Já está a disposição de todas e todos o calendário de bolso oficial do Quilombo Cultural Malunguinho 2012. Esta iniciativa marca o início das comemorações do VII Kipupa Malunguinho, que acontecerá dia 23 de setembro do corrente ano.

Para o calendário, foi escolhida em grupo a fotografia do amigo Thiago Bianchetti, que no dia 1° de maio de 2011, registrou o assentamento de Malunguinho na Cada da Lavadeira, na ocasião da Festa da Lavadeira. O local é um terreiro Ketu, dirigido pelo ogan Eduardo Melo, realizador da grande festa para Iyemojá. No templo, ainda não existia culto à Jurema Sagrada. Portanto, nós do Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos por conta própria levar o Rei da Jurema para morar dentro do espaço sagrado do terreiro, embaixo de um frondoso cajueiro, em seu quintal. portanto, ali se firmou pelas minhas mãos, a de João Monteiro e a de Sandro de Jucá, o culto à Jurema e à Malunguinho. Vale ressaltar que este ato de amor, foi movido pela intenção de fortalecer mais ainda o irmão Eduardo Melo, que nos últimos anos vem sofrendo represálias sérias por conta da Festa que realiza a 24 anos. Os ricos e milionários moradores da região, não querem a cultura popular, muito menos coisas de terreiro em área nobre da Reserva do Paiva/PE. Mas a resistência do povo tem se mostrado forte presente! Neste contexto, o irmão Bianchetti, eternizou um momento muito especial e cheio de significado para todos nós. E, esta bela fotografia, claro, tinha que ser utilizada em nossos materiais como símbolo de resistência da memória da Jurema e sua expansão.

Este material já está a disposição em nossas mãos. Portanto, os interessados se comuniquem para solicitar os seus. nossa intenção é tentar distribuir para o máximo de pessoas possíveis.

Entrem em contato em:


alexandrelomilodo@gmail.com / dundunmonteiro@yahoo.com.br
ou pelos telefones: 81. 8887-1496 e 9428-4898
Poderemos enviar pelos correios também.


Salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 22 de janeiro de 2012

A outra fase do Case-Funase - Professor Carlos Tomaz escreve sobre experiência afro pedagógica de sucesso

Professor Carlos Tomaz. Foto de Anderson Santiago.

Educação: A outra fase do Case-Funase
Carlos Tomaz - Professor da REDE AFRO LGBT
carlinhostomaz@hotmail.com


Jornal Diário de Pernambuco de 21/01/2012.
COLUNAS


As últimas notícias sobre a situação do Case do Cabo não agradam ao povo pernambucano, o caos instalado com as últimas ocorrências é de fazer cabelos arrepiar. Fumaça, fogo, destruição, sangue, gritos, cabeça cortada e lançada muro afora. Desespero de mães a fim de saber notícias de seus filhos ali confinados para a tal ressocialização. Os espaços de reeducação no Brasil, sejam eles para menores infratores, como é o caso da Funase, sejam os presídios pernambucanos como o Aníbal Bruno, ainda estão longe do verdadeiro ideal de Projeto Ressocializatório, isso porque para ressocializar é preciso educar com investimento em projetos civilizatórios e humanos.


Aí está o nó do problema, afinal de contas, o que é ser humano num contexto de sociedade excludente, desigual como a nossa? O case do Cabo vive hoje esse drama. A mídia tem se interessado em mostrar a desgraça, afinal isso dá ibope, mas aqui não tenho a pretensão de reforçar o que a mídia vem fazendo, mas o de tentar nesse breve artigo revelar a outra face do case, o lado positivo. Então vejamos: Tive a oportunidade de conhecer de perto a escola que funciona dentro do Case Cabo, fui convidado para no mês da Consciência Negra ministrar uma palestra para adolescentes e jovens que ali estudam. Na oportunidade conversei com alguns jovens, dentre as falas que ouvi dos mesmos, uma me chamou a atenção, disseram que quando chegaram na escola os professores perguntavam o que eram, e os meninos respondiam: “A gente é tudo bandido”.


A intervenção pedagógica dos professores afirmando que ali todos eram pessoas humanas e estudantes começou fazendo a diferença e, em outro momento a mesma pergunta já não tinha a mesma resposta. Agora, com a frase elaborada numa variedade linguística que não condiz com a norma culta: respondiam: “A gente é tudo istudante”. Essa sentença revela a importância da educação e do tratamento ao menor infrator como pessoa humana e não mais como bandido. Essa diferença e essa consciência humana levada aquele universo de tanta violência garantiu que, em meio à destruição, a escola fosse poupada. Os jovens tocaram fogo, quebraram muita coisa, até mataram, mas a escola não foi tocada, lá ainda está o banner do mês da Consciência Negra, ninguém queimou.


Esse detalhe talvez não percebido por muitos que tem a função de agente socioeducativo, traz à luz que a educação é a saída para o fim da destruição da nossa juventude, e esse trabalho tem sido feito ali com uma equipe formada por professores como Danilo, Marcos, Rita sob a orientação das professoras Sandra e Mizia da GRE METRO SUL e a contribuição dos movimentos sociais de Direitos Humanos negro e LGBT. Assim pensemos num Case focado na educação, mas com uma diferença: Uma educação que valorize e respeite cada adolescente e jovem como pessoa humana. Isso não é impossível.




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O professor Carlos Tomaz, coordenador da Rede Afro LGBT, professor da rede pública de ensino do Estado de Pernambuco e integrante do Quilombo Cultural Malunguinho mais uma vez publica no jornal de maior circulação e respeito de Pernambuco, o Diário. Em seu texto, podemos ver o quanto é inprescindível a efetivação da Lei Federal 10.639/03. Temos que nos propor a interagir e invadir os espaços de ensino com esta Lei. Ela nos garante a possibilidade de entendermos quem somos e interagirmos de forma menos racista no nosso mundo ocidental. Portanto, dou minhas congratulações pessoais ao meu querido amigo por mais este trabalho de afirmação da cultura e memória do povo negro brasileiro. Vamos em frente, não podemos parar! Axé e salve a fumaça!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 7 de janeiro de 2012

Festa para Malunguinho abrindo o ano de 2012 do QCM.

Boa noite a todas e todos. Venho por meio desta nota convidá-los para a grande festividade em comemoração ao Rei Malunguinho. Será a 38° festa para esta grande entidade no terreiro de Dona Dora, a Casa Mensageiros da Fé, terreiro tradicional de Jurema e candomblé do Jordão Baixo no Recife. Esta celebração marca a abertura oficial do calendrio anual de atividades do Quilombo Cultural Malunguinho (QCM) em 2012. Na ocasião será inaugurada a nova casa de Malunguinho, espaço dedicado ao seu rgande cultuador o Juremeiro João Folha. Vai ser um grande evento com uma sambada de coco ao término dos rituais.

Compareçam!! Serão todas e todos bem vindos!!

Contatos para chegar no local: 8887-1496 / 9428-4898

Serviço:
Festa de Jurema para o Rei Malunguinho (com roda de coco ao final)
Data: 08/01/2012
Local: Jordão Baixo/Recife. A forma de chegar lá é pegar a Rua Rio Xingú no Ibura e descer do ônibus logo após a curva. Entra-se na rua a esquerda onde a curva acaba e segue em frente até uma Igreja toda Azul, entra na rua a esquerda e já está no terreiro de DOna DOra. Vê-se logo um Iroco frondozo dentro de seus muros... Dúvidas nos liguem.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 3 de dezembro de 2011

Coroação da Rainha e do Rei do Maracatu Raízes de Pai Adão - Dia 6 (terça) de Dez às 19h.

Coroação da Rainha do Maracatu Raízes de Pai Adão

No dia 6 de dezembro de 2011 a enfermeira particular e cuidadora de idosos, Lígia Rosalina da Silva irá trocar as roupas brancas pela bela vestimenta e coroa de Rainha do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão. A linhagem de Sabino Felipe da Costa mantém há mais de um século a tradição Nagô em Recife, tendo sua raízes presentes em praticamente todo o nordeste. A Família irá realizar a festa de coroação junto com toda a corte em frente à Igreja do Rosário dos Homens Pretos, no bairro de Santo Antônio, centro do Recife às 19 horas.

Rainha Nina (Oluaxó – O senhor de todas as vestes, seu nome em yorùbá que faz referência ao Orixá Xangô) foi iniciada no candomblé há 14 anos, por Maria José Felipe da Costa - Dona Zite de Oxum Ipandá, neta do histórico sacerdote nagô Pai Adão e filha de Malaquias Felipe da Costa Ojé Bií. Ainda menina, Lígia conta que, começou a interessar-se pela manifestação popular graças à influência de um tio, enquanto segurava a capa da rainha da Nação de maracatu Porto Rico e, jamais imaginou que um dia pudesse estar debaixo da coroa com a bênção dos Orixás e de todas outras Rainhas do maracatu pernambucano.


“Estou muito alegre e ansiosa para o dia da coroação. Já fui “Catirina”, baianinha e dama de passo... Mas ser rainha!? Nossa! Não sei nem explicar, é uma responsabilidade muito forte.” Conta a futura Rainha. O Maracatu, assim como outros folguedos, não é pura e simplesmente uma mera manifestação popular, acima de tudo trata-se de um ato religioso. A Rainha é a figura chave, a cabeça dos demais personagens que compõem a corte, sendo mais importante do que o próprio Rei.


Nina é filha de criação do mítico Rei Eudes Chagas Fundador do Maracatu Porto Rico do Oriente, o único que ganhou uma espada de ouro da Catarina Real. “Há 10 anos atrás os Orixás me apontaram no terreiro como a futura rainha do Maracatu. Quase não acreditei.” Lembra.

Enquanto isso seus familiares se dividem na confecção das vestes reais, coroa, capa, vestido etc. tudo com muito carinho e dedicação. A cada prova a deixa ainda mais próxima da responsabilidade que tem pela frente, “Depois de se vestir, uma força muito boa toma conta da gente, tudo fica diferente”. A preparação espiritual também é imprescindível para que tudo corra bem na terça feira dia 6, dois ou três dias antes as obrigações precisam ser entregues aos Orixás, Eguns e Esás (ancestrais ilustres na tradição do candomblé), que por sua bênção afim de que tudo saia nos conformes.

O Maracatu Nação Raízes de Pai Adão é de tradição Nagô e têm como foco religioso o culto aos ancestrais, pessoas que viveram aqui na terra e foram grandes líderes para o povo negro, “Malunguinho é um dos eguns (na Jurema) mais cultuados em Pernambuco, foi um líder político assim como Zumbi dos Palmares, a diferença é que ele conseguiu permanecer vivo até hoje, nos terreiros!” assim como também os famosos Esás Opeatoná (Felipe Sabino da Costa - Pai Adão) e seu filho Ojé Bií (Malaquias Felipe da Costa), que são eguns de grande importância na tradição religiosa nagô do Estado e, respectivamente bisavô e avô sanguíneos da família do Maracatu.

O Baque do Raízes de Pai Adão conta com aproximadamente 70 batuqueiros, sendo a sua maioria do Alto do Pascoal e Água Fria. Liderados por Mestre Leandro, antigo batuqueiro do Leão Coroado, Estrela Brilhante e Indiano. O jovem mestre é parente em terceiro grau da Rainha Madalena e do Grande Mestre Luis de França do maracatu Leão Coroado, defensor da tradição e avesso ás inovações que andam descaracterizando muitas Nações.

O Raízes de Pai Adão acumula uma série de participações e prêmios de vários carnavais, isso sem falar no projeto Nação Cultural do governo do Estado, que se apresentou em Nazaré da Mata, Petrolina e Floresta, e, o Projeto “Na onda do Raízes” desenvolvido junto com crianças de várias comunidades, realizando oficinas de Maracatu, Coco, Afoxé, Ciranda e iniciação a Ogan Alabê (ritmos Nagô pernambucano). Vencedor também do Prêmio Cultura Viva do MINC, pratica visitas a museus e outras agremiações, e claro, atividades recreativas, ainda mantêm uma escolinha de futebol com quase 90 crianças e adolescentes da comunidade de Água Fria e Bomba do Hemetério.

Assim como outros grupos de maracatu, o Raízes de Pai Adão mostra-se como um agente transformador da sociedade através da arte, da cultura popular e da religiosidade, ensinando a jovens e crianças as suas origens, o respeito ao diferente, o respeito ao próximo, a desconstrução do racismo, a auto-afirmação e o orgulho de ter a cultura negra como sua.


Com apoio do Quilombo Cultural Malunguinho e do Ilé Iyemojá Ògúnté, o evento será realizado com a presença marcante do sacerdote Paulo Braz (Ifá Toogún), que é o mestre que melhor fala a língua yorùbá em Pernambuco. Será um momento inesquecível.

Serviço

Coroação da Rainha e do Rei do Maracatu Raízes de Pai Adão
Dia: 6 de Dezembro de 2011
Local: Em frente a Igraj do rosário dos Homens Pretos do Recife - Bairro dee Santo Antônio (práximo a Pracinha do Diário)
Hora: 19h.
Com ritual nagô para os Eguns e Orixás
Grátis

Alexandre L'Omi L'Odò e João Monteiro
Produção do evento
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 8 de outubro de 2011

Música Malunguinho do Grupo Bojo da Macaíba


Malunguinho

Música Malunguinho
Grupo Bojo da Macaíba

Com muito carinho disponibilizamos aqui no nosso blog o lindo coco feito em homenágem ao Mestre Malunguinho, nosso patrono na Jurema. O Grupo Bojo da Macaíba lançou essa música no VI Kipupa Malunguinho e teve presente para abençoar seu pessoal o próprio Mestre. Com muita fumaça agradecemos ao Grupo pelo belo trabalho em prol da preservação e reconhecimento da memória de nossas referências históricas e religiosas. Salve.

Clik na cetinha lá ensima para houvir a música!!

Visitem o site do grupo: www.myspace.com/bojodamacaiba


Alexandre L'Omi L'Odò.
Coordenação Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Homenagem ao VI Kipupa Malunguinho da Escola de Umbanda Pena Branca de SP


Homenagem ao VI Kipupa Malunguinho da Escola de Umbanda Pena Branca de SP

O Quilombo Cultural Malunguinho dá obrigado ao irmão Ronaldo de Almeida, umbandista de São Paulo que veio de lá conhecer o Kipupa e registrar o evento para fazer um documentário. Seja sempre bem vindo irmão, pois é a corrente de quem tem fé que fortalece a tradição da Jurema Sagrada. Salve.

Aguardamos as fotos e o filme. E tome-lhe fumaça!!

Sobô Nirê!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com