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quinta-feira, 1 de março de 2018

Fora Michele Collins! Alexandre L'Omi L'Odò faz apelo público em defesa do Povo de Terreiro



Fora Michele Collins! Alexandre L'Omi L'Odò faz apelo público em defesa do Povo de Terreiro

#ForaMicheleCollins!

Vídeo denúncia e de apelo à justiça para que sejam cumpridas as leis contra o racismo e a intolerância religiosa.

Nós, Povo de Terreiro, fomos profundamente violentados pela vereadora do Recife, Michele Collins, que em um ato coletivo de racismo, realizou um ato, dia 3 de fevereiro, na beira mar, para "quebrar a maldição de Iemanjá sobre a Terra". Este crime, ficou explícito e público a partir de uma publicação em seu facebook, onde orgulhosamente ela para mostrar sua maligna ousadia, perante os adeptos da fé intolerante, violenta e desrespeitosa, escreveu e publicou uma fotografia deste ato.

Nós, do Quilombo Cultural Malunguinho, hermanados com todos os movimentos de luta do Povo de Terreiro e dos direitos humanos, dizemos publicamente #ForacheleCollins

Esse crime não pode ficar impune! Queremos a criminalização pela lei destes atos de racismo, intolerância religiosa e incitação ao ódio e à xenofobia.
Não queremos as desculpas dela! Ela retirou a postagem do ar e em matérias de jornal falou que escreveu de forma equivocada... MENTIRA! Sabemos que todos os dias dentro das quatro paredes das "igrejas evangélicas", é ensinado o ódio e a intolerância religiosa. O desrespeito ao próximo... Isso tudo a partir de interpretações equivocadas do livro sagrado dos cristãos - a bíblia.

Rogo à Iyemojá, à Oxalá e à Xangô, que a justiça seja feita. Um crime público e de tão grande repercussão não pode passar impune de forma alguma! Se a Justiça permitir a impunidade, estará nos condenando à todas e todos, que fomos vítimas, e abrindo o precedente para conflitos religiosos onde a violência será protagonista.

Ajudem a COMPARTILHAR esse apelo!

Axé! Agô Kolofé!

Vídeo produzido pela Aláfia Filmes - Instituição de luta pelos povos tradicionais.

Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenador Geral do Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

Alexandre L'Omi L'Odò com as alunas Gessylene Leite de Oliveira (à esquerda) e Aldiene Ferreira da Silva (à direita) que defenderam o TCC sobre a Jurema Sagrada. 

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

Hoje, dia 30 de junho na faculdade UVA - Universidade Vale do Acaraú, no centro do Recife, foram defendidos três TCC’s - trabalhos de conclusão de curso de licenciatura em pedagogia sob a competente orientação da professora doutoranda Ana Carolina Coimbra.

Os trabalhos abordaram de forma muito bem construída questões ligadas as tradições de matrizes indígenas e africanas, numa perspectiva de fortalecimento da lei federal 11.645/08, que obriga o ensino da história da África, dos afro descendentes e indígenas nas escolas.

Fui convidado pela professora, para estar presente neste importante momento que marcou sua despedida da faculdade, já que ela partirá para aprofundamentos de seus estudos em um doutorado em Portugal, tratando de pesquisas ligadas aos indígenas do Nordeste de Pernambuco. Também, fui um dos entrevistados no trabalho de suas alunas que abordou a Jurema Sagrada, e por estes dois motivos jamais deixaria de estar presente neste momento que no meu ponto de vista se tornou histórico devido a sua importante representação na reversão dos valores acadêmicos perante a história dos negros e negras e indígenas. Este tipo de contribuição é muito valiosa, e merece ser celebrada.

Os trabalhos apresentados foram:

1 – Salve a Jurema Sagrada! Respeito à Diversidade Religiosa na Educação. Realizado pelas alunas Aldiene Ferreira da Silva, Aparecida Jéssica Ferreira da Silva e Gessylene Leite de Oliveira.

2 – Historicidade do Povo Kambiwá: Lutas e Resistência pela Identidade Étnica. Realizado pelas alunas Cineide Maria de Lima e Josélia Nascimento de Amorim da Silva.

3 – Histórias Africanas e Afro Brasileiras: Reconhecimento e Valorização para a Educação. Realizado pela aluna Elizabeth S. Cruz Oliveira.

A noite foi das mulheres. Elas, professoras agora formadas, vão dar caminho nas escolas a uma educação menos excludente e racista. Seus trabalhos apresentados de forma brilhante e com conteúdo muito válido, já indicam caminhos para um mestrado ou doutorado. Espero que elas sigam esta estrada, pois precisamos de muitos mais exemplos na pedagogia de combate ao currículo branco imposto pelo Estado.

Povo de terreiro, alunas e professora celebrando a vitória das defesas de TCC.

As análises (orientações estendidas) feitas pela professora mestra em educação Maria do Carmo Oliveira, e também pelo professor doutorando em história social Leandro Patrício enriqueceram a noite com aprofundadas colaborações aos trabalhos apresentados. Foi rica demais a troca de saberes. Presenciar noites raras assim para mim é sempre um prazer, já que na busco na luta também dos meus irmãos e irmãs energias para reforçar as minhas lutas, e assim foi.

O trabalho apresentado sobre a Jurema, trouxe importante contribuição para as propostas de aula sobre diversidade religiosa. Elas mostraram de forma firme o quão rica é esta religião e a sua contribuição social cosmológica. Elas contribuíram na laboriosa missão de contribuir para que a Jurema saia do ostracismo acadêmico ao qual foi colocada. Este TCC merece respeito!

A professora Ana Carolina está de parabéns por orientar trabalhos tão interessantes e importantes para todos e todas. Realmente a missão de formar pedagogas capacitadas foi executada com primazia.

Professora doutoranda Ana Carolina Coimbra. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

A UVA é uma instituição particular que tem grande presença de estudantes de fé “evangélica”. Já ouvi inúmeras críticas à práticas intolerantes destes e dessas que ali discriminavam as pessoas de outras religiões. Acredito que a noite hoje, serviu para mostrar o quão grande é a ignorância destes e destas. E que com informação e criticidade pode-se romper a barreira espinhosa do racismo e da intolerância.

A presença de membros das religiões de matriz africana e indígena (vestidos adequadamente e que também foram entrevistados), além da pertinente presença do índio Fulni-ô Boró e sua esposa, tornou a noite forte e cheia de axé e ciência. Encontros maravilhosos e ampliação de horizontes para nossos povos. Senti-me contemplado em tudo, afinal, comungar de dias como hoje nos faz ter esperança no futuro.

Parabéns professora Ana. Você mostrou e continuará mostrando para o que veio! Sua missão é grande e você tem competência para dar conta. Obrigado por estar junto na jornada da luta por direitos iguais e respeito à diversidade. Obrigado também pelo cocá e quaquí, adorei os presentes religiosos indígenas. Adorei também o aió que sua Alina indígena me deu. Farei meus rituais com ele. Salve a fumaça!

#JuremanaEscola
#EducaçãoAntiRacismo
#PedagogiadaLibertação

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 13 de março de 2013

Carta aberta do Quilombo Cultural Malunguinho (QCM) contra o Pastor Marcos Feliciano (PSC)

Quilomo Cultural Malunguinho e diversas entidades de Pernambuco no Memoria Zumbi dos Palmares no fechamento do Ato contra Marcos Feliciano. Foto de Anne Cleide (QCM).

Carta aberta do Quilombo Cultural Malunguinho (QCM) contra o Pastor Marcos Feliciano (PSC)*


Nós, membros do Quilombo Cultural Malunguinho (QCM) realizamos hoje, dia 13 de março de 2013 às 17h o Ato contra o Pastor Evangélico, racista, homofóbico e Deputado Federal Marcos Feliciano (PSC-SP), a caminhada teve concentração na Praça Maciel Pinheiro e seguiu seu percurso até o memorial Zumbi dos Palmares, no Pátio da Igreja do Carmo no centro do Recife.

O Ato teve a adesão de diversos movimentos sociais como o Movimento LGBT, Movimento de Mães, Movimento Negro, Juventude LGBT, Quilombo Raça e Classe, Comissão Estadual de Acompanhamento Contra Intolerância Religiosa, Comunidades Tradicionais de Terreiro, Povo da Jurema, o vereador do Recife Raul Jungmann (PPS), o militante político Edilson Silva (PSOL), o também militante Jair Pedro (PSTU) além de cidadãos e cidadãs que se fizeram presentes para protestar coletivamente contra o mandato na Comissão Nacional de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal do citado Pastor/Deputado.

Considerando que todo Brasil está repudiando veemente a posse deste Pastor/Deputado na Presidência da Comissão de Diretos Humanos e Minorias da Câmara Federal, ficando evidente a impossibilidade deste representar a maioria excluída do país devido às explícitas acusações racistas contra o povo negro da África e consequentemente os afrodescendentes, afirmando estes são amaldiçoados, além de condenar homossexuais, indígenas, Comunidades Tradicionais de Terreiro e outros segmentos, em seus cultos evangélicos, impondo um discurso fundamentalista e radical com base na Bíblia, é que coletivamente o QCM decidiu intervir publicamente nesta luta nacional dizendo NÃO AO PASTOR MARCOS FELICIANO! Portanto, a partir de então estamos nos juntando ao grande movimento nacional contra este absurdo na gestão federal.

Considerando que as discussões sobre direitos humanos durante os últimos anos vêm tendo avanços importantes para nossa sociedade e todos os segmentos tratados erroneamente como minorias, esta “pasta” vem ocupando espaço e difundindo debates fundamentais ao avanço, entendimento e construção de um Brasil sem homofobia, racismo, xenofobia etc. e, sobre tudo, no respeito integral a diversidade religiosa.

Conclamamos a todas e todos que neste momento não nos calemos perante essa situação que é uma ameaça real a laicidade do país, além de consequentemente ser uma tentativa de golpe contra os direitos humanos de todas e todos. Por isso, o Quilombo Cultural Malunginho vem à luz repudiar e chamar os que ainda estão acomodados e que não entenderam as tenebrosas armações na tentativa de criar uma teocracia no Brasil, para que gritem publicamente sua indignação contra o Pastor Marcos Feliciano! Avisamos que se acordem e movam-se. Somos um país laico e, portanto existe espaço para todas as formas e manifestações de fé e cultura, afetividade e ideologias, cabendo o respeito e dignidade aos direitos humanos totalmente garantidos pela nossa constituição.

Fora Marcos Feliciano!
Você não nos representa!

*Texto de Alexandre L'Omi L'Odò e João Monteiro. Coordenação QCM.

 Quilombo Cultural Malunguinho
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

sábado, 3 de novembro de 2012

"A JUREMA MERECE RESPEITO" - Uma campanha pelo direito ao respeito religioso



"A JUREMA MERECE RESPEITO"
Uma campanha pelo direito ao respeito religioso

No intuito de contribuir com a extinção do racismo e da intolerância religiosa, sobre tudo com a Jurema Sagrada, nós que integramos o Quilombo Cultural Malunguinho lançamos a campanha: "A JUREMA MERECE RESPEITO", dando início a um processo de luta pelo direito ao respeito religioso à Jurema Sagrada, religião que historicamente foi marcada por perseguições cruéis e tentativas contínuas de extinção. Hoje, ainda sofre retaliações e tentativas de subalternização por parte até mesmo de outras manifestações religiosas de terreiro, pasmem.

"A JUREMA MERECE RESPEITO" significa um grito de liberdade, um clamor pelo respeito à alteridade religiosa, um pedido de amor, um oferecer de oportunidade de diálogo amigo e equânime para com o próximo. É neste espírito que queremos encaminhar o olhar e pensar do preconceituoso intolerante para que nas ruas, na sociedade em geral, possamos provocar o pensar e visibilizar onde está este acúmulo de equívocos na formação do povo brasileiro que não conhece suas raízes e histórias orais e oficiais. A religião Jurema Sagrada é parte fundamental da memória da fé nordestina, e precisa ser considerada (pela sociedade) como uma religião partícipe de todo processo de construção do país e seu povo. Das tradições indígenas que veio esta cosmovisão religiosa de mundo, portanto, devemos olhar para a história de nossos ancestrais com atenção e, sobre tudo, respeito.

O professor Carlos Tomaz, da Rede Nacional Afro LGBT e membro do Quilombo Cultural Malunguinho pousando como modelo para expor a camisa da campanha.

Lançaremos publicamente esta campanha na VI Caminhada do Povo de Terreiro de Pernambuco, que acontecerá no dia 5 de novembro de 2012, com concentração marcada às 15h na Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife (Recife Antigo).

A concentração do Povo da Jurema, acontecerá na Rua da Guia, às 14h, com gira de Jurema e celebração à ancestralidade indígena e negra na encruzilhada principal desta rua história para o culto das mestras do juremá.

As camisas serão vendidas por 5 reias apenas, para darmos acesso a todas e todos que desejarem comprar. Este valor é promocional unicamente para o dia da Caminhada. Após o dia 5 de novembro, custará 20 reais.

Quem desejar comprar e for de outros estados e países, poderemos negociar envio pelos correios etc. É nossa intenção levar ao Povo da Jurema este símbolo nosso, de luta por direitos equânimes.

Salve a fumaça e vamos divulgar e ajudar a fortalecer a nossa Jurema Sagrada!!

VAMOS GRITAR TODOS E TODAS JUNTOS:
"A JUREMA MERECE RESPEITO"!!!!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 17 de maio de 2012

S.O.S Mestra Jardecilha - Allandra/PB

A Jurema Sagrada ainda não consta no livro de registro de patrimônio imaterial do Brasil? São mais de 500 anos de historia, sendo a Jurema de Matriz indígena e tendo incorporado valores africanos e cristãos ao longo desse período, as politicas governamentais, ainda não programaram politicas afirmativas e inclusivas para proteção da Jurema em todo nordeste, a exemplo do suposto tombamento do Acaes feito pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP em novembro de 2010, onde um simples comunicado para os supostos atuais proprietários do Acaes, até o momento não foi feito por não identificarem o atual proprietário, a atual politica de patrimônio cultural imaterial do Brasil esta foi pautada a partir das cartas patrimoniais elaboradas pela UNESCO depois de inúmeras discursões em vários países do mundo. Na Paraíba a efetivação dessas politicas ficam mais complicada quando o estados perde sua laicidade e dar espaço a intolerância e a falta de respeito a diversidade religiosa.

Atualmente um dos últimos exemplares de Templo tradicional de Jurema esta sendo vítima de intolerância de seguimentos neopentecostais e descaso das instituições governamentais, sabemos que nosso povo sempre foi vítima de discriminações e que o estado sempre foi conivente, porém estamos vivendo novos paradigmas que vislumbram uma reparação histórica aos povos de Terreiros, temos outro grande problema a enfrentar, a falta de articulação e organização e ausência de uma discursão politico teológica  que nos deixa mais reféns e vulneráveis aos ataques de organizações judaico-cristãs.

Conforme informações a me repassadas por João Paulino, neto legitimo da Mestra Jardecilha também conhecida por Zefa de Tiíno, como registrou o Professor Ms Sandro Guimarães em sua obra, À Sombra da Jurema Encantada;
Nascida no município de Alhandra – PB, no dia 11 de junho de 1934, aos cinco anos de idade começou o contato com entidades da jurema aos nove anos já tinha o controle do sua mediunidade, e começou a consultar sozinha, afilhada da Mestra Maria do Acais, que no seu batizado, no mesmo ano de seu nascimento, afirmou que ela seria uma grande Mestra de Alhandra, só que não estaria viva para presenciar o fato. Maria do Acaes viera há falecer três anos depois. Seu pai João Pedro era cabeça de mesa de Maria do Acais, entendendo assim a proximidade da escolha da comadre.

Cabeça de mesa é aquele Mestre ou Mestra que auxilia e coordena as ritualísticas de Jurema de Mesa e sempre é uma pessoa de extrema confiança da Mestra dirigente.

Mestra Jardecilha começou a consultar na casa de seus pais, ainda criança, pois eles temiam a perseguição que os juremeiros sofriam, portanto a mestra não podia dar toques, para não chamar a atenção dos perseguidores no caso, a Policia.

Vale salientar que na Paraíba a perseguição durante o estado novo deixou marcas profundas nas religiões de Matriz africana e afroindigena.

Aos 16 anos de idade a mestra Jardecilha casou com João Paulino de Souza, saindo então de casa dos pais para morar em sua própria casa porem vizinha a casa dos seus pais (nas terras que se encontra sua cidade de jurema) teve 14 filhos sendo que biológicos se encontra apenas uma filha, Severina Paulino (Nina) que reside na mesma casa da mestra e que cuida da cidade de jurema mantendo-a ativa até os dias de hoje, e outra filha adotiva que nada faz pela cidade.

Assim que casou a mestra Jardecilha continuou consultando porem agora em sua casa, no governo de João Agripino foi liberado e reconhecido o direito dos cultos afro-indígenas na Paraíba no ano de 1966, porém no ano seguinte, em 1967 a mestra começou a dar os torés de caboclos no terreiro de sua casa, os torés de caboclos eram feitos apenas com as maracás, a mestra Jardecilha foi a primeira mestra de Alhandra a começar a realizá-los com introdução dos elús, grande sinal de originalidade e distinção.


A Mestra foi certamente protagonista nas reelaborações e contribui assim para a Umbandização da Jurema na Paraíba,

A vida da mestra Jardecilha foi dedicada inteiramente ao culto da jurema dos 9 anos até os 54, idade de seu falecimento, ela realizou inúmeros trabalhos de curas, principal atribuição dada a Jardecilha, conhecida popularmente como “TIA ZEFA”, também muito caridosa tinha sua casa sempre cheia de gente,nunca teve horário pra atender, seja de manhã, de madrugada, a tarde ela sempre estava disponível pra atender de simples consultas a casos de emergência, muito por precisarem de seus trabalhos e muitos por necessidade de fome, e favores, conhecida também como mãe da pobreza tia zefa ou mestra Jardecilha, dava refeições aos necessitados, fazia casamentos, providenciava velórios, quando os parentes não tinham condições, muitos pessoas a tomaram como madrinhas de seus filhos por terem seguro a festas e os custos, sendo assim não se espanta saber que a mestra Jardecilha morreu com mais de 600 afilhados apenas de batismos católicos, não contabilizando os seus afilhados de jurema.

A influência de Mestra Jardecilha pode ser comparado a de Maria Acaes e sua liderança e poder de articulação são merecedoras de estudos acadêmicos ainda não realizados. O sentimento de dupla pertença é uma das marcas dos grandes mestres Juremeiros.

Além de juremeira, a mestra Jardecilha também era muito católica, durante 39 anos ela realizava procissões devido a promessas, no mês de janeiro a São Sebastião, junho do Senhor São João Batista e em Dezembro da Virgem da Conceição, de quem era devota, com as procissões, ela mobilizava junto a igreja multidões de pessoas da cidade e dos municípios vizinhos. No ápice de sua mediunidade, a mestra Jardecilha já era muito conhecida, em 1973 foi convidada pelo então presidente da federação Carlos Leal para  assumir a diretoria da Federação Espírita dos Cultos Africanos do Estado da Paraíba onde se ficou até sua morte.

Durante muitos anos a jurema em Alhandra foi alvo de muitos olhares, a Mestra Jardecilha, Mestre Inácio, Mestre Biu Toré, Mestre Zé Quati, Mestre Flósculo, Mestre Zezinho do Acais, Mestre Adauto, Mestre Cesário e Mestra Damiana, valorizaram o culto da jurema de uma forma avassaladora.

Na década de 70 a mestra Jardecilha recebeu em seu terreiro a BBC de Londres, que realizou um trabalho de forma acentuada sobre os cultos da Jurema no nordeste brasileiro.

Houve um reconhecimento internacional que precisa ser retomando afim de identificar e fortalecer essa tradição.

A mãe da mestra Jardecilha deu um terreno a ela assim que casou, onde construiu sua casa, e ergueu sua cidade de jurema e firmou seu cruzeiro, seu salão era nos fundo de sua casa até o ano de 87 quando construiu de forma mais confortável seu templo.

Como relata o professor Ms. Sandro Guimarães a cidade da Mestra Jardecilha foi Plantada no contexto da Umbanda, e é composta de jurema-preta e jurema-branca e é o mais novo dos Santuários de Alhandra entre eles os pés de Jurema do Mestre Manoel Cadete, Mestre José da Paz e o do Mestre Bom Floral, além do da própria Mestra Jardecilha que plantou sua cidade seguindo as tradições dos Mestres de Alhandra pouco antes de falecer.

No ano de 2009 familiares que são contra o culto fizeram a partilha definitiva dos lotes, manobrando os limites de forma que a jurema do mestre major do dia ficasse fora do lote, A proprietária do lote em que erroneamente se encontrava a jurema ameaçou cortá-la, junta a todos conseguimos comprá-la judicialmente por 4.000,00.

Com a morte do marido da mestra Jardecilha, os herdeiros querem acordos absurdos, na esperança de aniquilarem definitivamente a cidade de jurema, começaram a invasão imprópria do bem, cortando recentemente 3 pés de juremas, a cidade de jurema hoje contem nove pés, um templo as firmações dos exus e dos pretos velhos e o cruzeiro mestre, a uma reunião no mês passado ao IPHAEP, recebemos as informações que a saída de melhor resultado seria o tombamento do valor material e imaterial da cidade de jurema, mas que precisaríamos de mais apoio, pra que o órgão se conscientize de que a cidade tem valor não só pra nós que moramos aqui e sim pra todos os da religião.

As quantias são irrisórias, as partes opostas apresentaram uma avaliação de 200.000,00 sendo repartidas em partes iguais por volta de 67.000,00 não levando em consideração os beneficio e benfeitorias feitas por nós desde que a casa e o templo foram feitos já que ninguém mais teve a posse dele depois que a mestra Jardecilha morreu. A vizinha ainda deseja 7m da profundidade, comprometendo a jurema de mestre Manoel cadete e a firmação dos exus.

Enfim faz-se necessário uma tomada de atitude para de fato salvarmos essa relíquia da Jurema e as entidades que fomentam ações afirmativas sejam no âmbito da academia ou do movimento social precisam de fato tomar uma atitude para que o tombamento ou reconhecimento como patrimônio imaterial da Paraíba e do Brasil sejam de fato uma realidade.

João Monteiro
Historiador, Especialista em Preservação de Acervos Gráficos
Membro da coordenação do QCM

sexta-feira, 30 de março de 2012

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

Momentos de discussão do povo da Jurema e do Xambá. Foto: Acervo do Quilombo Cultural Malunguinho.

O Povo da Jurema e da Nação Xambá discutem intolerância religiosa sofrida

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Disponibilizamos aqui parte dos vídeos do I Seminário Interno de Construção de propostas Judiciais contra a Intolerância Religiosa produzidos pelo Programa Povo de Santo Ciência e Fé - http://www.youtube.com/user/PovodeSantoCF?feature=watch, do professor, babalorixá e juremeiro Érico Lustosa e sua equipe. Nos vídeos aqui apresentados, poderemos acompanhar parte fundamental das discussões e pensamentos sobre os atos oficiais criminosos de intolerância religiosa propagados pela Editora Pensamento e seu escritor Rivas Neto, que no livro Umbanda - A Proto-Síntese Cósmica, chama o povo da Jurema e da Nação Xambá de degenerados entre outros adjetivos de baixo escalão que não valem a pena serem replicados.

Este foi um primeiro momento onde sacerdotes da Jurema e da Nação Xambá se reuniram organizadamente para agirem judicialmente contra estes absurdos. O evento organizado convocado e organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho no Terreiro de Jurema e Nagô Mensageiros da Fé, da sacerdotisa Dona Dora, teve mais de 80 participantes de diversos terreiros de Recife e RM e Estados do Nordeste. Ainda tivemos a participação em vídeo conferência do Professor Teólogo-Afro Jayro Pereira de Jesus, que falou do Rio Grande do Sul e do juremeiro Eric Assumpção do Rio de Janeiro. A transmissão foi nacional e várias pessoas também puderam acompanhar.

Tivemos ainda as falas dos participantes. Entre eles e elas, a juremeira Joana da Paraíba e o Babalorixá e pesquisador Luiz de Ogodô, que vieram reforçar nossa luta.


Foi marcada a data de 1° de Abril para um novo encontro no Terreiro da Nação Xambá - http://www.xamba.com.br/ - para a confecção final dos docuemntos que serão entregues ao MPF- Ministério Público Federal, junto aos nossos advogados e advogadas.


Para acompanhar esta discussão visitem:
http://www.qcmalunguinho.blogspot.com/



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Coordenação
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 15 de março de 2012

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa

A fumaça da ciência. VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Mendonça Luna.

I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa


O QCM – Quilombo Cultural Malunguinho e o Terreiro de Jurema e Candomblé Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) convidam todas e todos para participar do I Seminário Interno de Construção de propostas e ações judiciais contra a intolerância religiosa.


Neste evento, poderemos em grupo discutir formas legais (com advogados presentes) de combater a violência simbólica, racismo e xenofobia que a Jurema Sagrada, a Nação Xambá e o Toré, sofreram nos escritos do livro Umbanda – A Proto-Síntese Cósmica, do autor Yamunisiddha Arhapiagha - F. Rivas Neto, “psicografia do Caboclo Sete Espadas”. Em suas linhas, o autor agride profundamente estas religiões.


Este será o primeiro momento em que estas religiões estarão reunidas para combater de forma sistematizada este absurdo. Para ler parte dos texto revoltantes acesse: http://www.pdu.com.br/faca.html


Serviço:

Data: Domingo – 18 de março de 2012

Hora: 13 às 18h

Local: Terreiro Mensageiros da Fé (Casa de Dona Dora) – Rua Fernandes Belo 611, Jordão Baixo. Recife/PE.

Ponto de referência: Residencial Primavera.

Contatos para saber como chegar: 81. 8515-4605 (Oi) e 9804-1480 (Tim) – Falar com Cristina de Oyá. Ou ainda o: 81. 8619-8779 – Falar com Arthur de Iyemojá.

Haverá material disponível no local com cópias dos textos. Será construído um documento para assinatura dos concordantes.



Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com