segunda-feira, 30 de maio de 2016

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Professor Marcus Carvalho. Foto de Joelson Souza. 2015.

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Conteúdos da história dos africanos e afrodescendentes de Pernambuco caíram na prova de seleção de 1.500 (mil e quinhentos) soldados da Polícia Militar do Estado. No edital regulamentado pela Portaria Conjunta SAD/SDS N° 25 de 09 de Março de 2016, cujo prova foi no último domingo dia 29 de Maio, contou também com duas questões sobre os indígenas e outras duas questões sobre a cultura de PE.

Ao ler as duas questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em uma prova de seleção de policiais militares, pude como professor de história ter um pouco de esperança com os futuros soldados que estarão nas ruas da Cidade para “nos defender”. Ter exigido o estudo destes conteúdos em um edital tão procurado, é também uma forma de reparação (muito pequena mas válida) contribuindo para o ampliar do entendimento dos “concurseiros” sobre uma parte da história da África e dos afrodescendentes no Brasil. Isso fortalece a luta pela implementação das leis federais 10.639/2003 e 11.645/08 que instituem como obrigatório o ensino da história dos africanos, afrodescendentes e indígenas nas instituições escolares e de formação de todo país.

Pude averiguar o conteúdo da “prova Azul”, após ser surpreendido por Mariana, uma amiga, que carinhosamente fez questão de me mostrar sua prova e ler para mim as questões que tratavam do conteúdo da extensa e valiosa pesquisa do Professor PhD em História Marcus Carvalho. Com muito entusiasmo, sabendo que eu iria adorar saber sobre isso, ela fez a leitura das questões 41 e 42, cujos conteúdos abordavam os fatos da escravidão - a primeira tratava da fuga e resistência de escravizados(as), e a segunda travava da lei de 1831 (Lei Feijó) que extinguia o tráfico escravista no Brasil [...].

Conteúdos bastante interessantes, levando em consideração que eles aludiam ao entendimento de que a população negra nunca foi passiva e sempre construiu estratégias de sobrevivência lutando contra os opressores (afastando o antigo pensamento que os negros e negras sempre foram passivos ao processo escravocrata), e também, mostrando que os crimes e violações de direitos contra esta mesma população sempre foi algo considerado como normal (até hoje é em certo modo). Ambas as questões complexas para quem nunca estudou tais conteúdos negados pelos currículos oficiais das escolas, mas válidas para despertar a criticidade das mentes dominadas pela história dos brancos colonizadores europeus que sempre foram incutidas na nossa cabeça desde o início da vida escolar.

A contribuição dada para todos nós pelo professor Marcus Carvalho é imensa. Sem ele não teríamos hoje um entendimento amplo sobre a luta por liberdade da população negra em Pernambuco. Gostei de ver sua obra sendo abordada com tanto respeito dentro de um concurso público de importante relevância para nosso Estado.

É entusiasmante ver um amigo/professor sendo reconhecido assim. Mais que merecido! Orgulho em viver no mesmo tempo histórico que este grande mestre da academia.O professor Marcus Carvalho é um companheiro de luta das antigas. Com ele aprendi e continuo aprendendo como ser historiador de verdade. Aprendo como olhar a história por baixo e mostrar os fatos que a historiografia ainda insiste em esconder de todos nós. Ele é um guerreiro da história local. Um grande pesquisador de documentos antigos que ninguém quer colocar a mão por causa dos fungos... Espelharei-me sempre neste exemplo de pesquisador.

Gostaria muito que também tivessem caído questões sobre Malunguinho. Imagina...! Mas outros concursos virão e poderemos nos surpreender com questões que possam muito mais ensinar do que avaliar.

Para compartilhar e aprendermos todos juntos, decidi digitar na íntegra as duas questões (41 e 42) que caíram na prova. A página é a 16 do “caderno azul”, APROVEITEM, nunca é demais o saber.

COMPARTILHEM!
Salve a fumaça!

*As respostas estão no final da postagem. Mas antes de vê-las tenta pensar e responder, vai valer a pena.

--> Questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em Pernambuco – prova da polícia militar 2016/PE:

41. Durante os três séculos, nos quais vigorou a escravidão no Brasil, a resistência de escravos tanto de origem africana quanto de origem indígena foi constante e tomou as mais diversas formas. No século XIX, quando a escravidão brasileira viveu seu apogeu com o maior afluxo de escravos africanos, o crescimento das cidades fez multiplicar nelas não apenas o número de escravos mas também as formas de resistência, que se diversificavam cada vez mais. E, se as fugas sempre foram as mais famosas e emblemáticas dessas formas de resistência, nunca foram as únicas. Sobre elas, diz o historiador Marcus Carvalho:

“Nunca faltaram fugas de escravos no Recife. Alguns se aproveitavam dos cortes de o Capibaribe fazia entre os bairros para se evadirem dentro própria cidade em busca de dias melhores. Existem ainda casos mostrando o outro lado da história: fugas do Recife para o interior, ou até para fora da província, buscando a distância do senhor ou a proximidade de parentes, amores, amigos e pessoas da mesma etnia ou nação” (CARVALHO, M. J. M. Liberdade: Rotinas e Rupturas do Escravismo no Recife, 1822-1850. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010, p. 176).

Tendo em vista esse cenário, assinale a alternativa INCORRETA.

A) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, caracterizou-se por ser um espaço de resistência contra a escravidão, que cresceu beneficiando-se dos muitos conflitos interno das próprias elites escravistas, principalmente nas chamadas insurreições liberais.

B) Construções culturais, como a capoeira, o maracatu, e mesmo o culto a determinados santos católicos, como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, foram importantes formas de resistência cotidiana, elaboradas por escravos e ex-escravos nas margens da sociedade escravista e mesmo em suas instituições mais importantes, como a Igreja Católica.

C) Com o crescimento da escravidão urbana no Recife do século XIX, começaram a se desenvolver novas formas de fugas, como as chamadas ‘fugas de portas a dentro’, quando um escravo urbano fugia de seu dono, mas permanecia na mesma cidade, agora servindo a um novo senhor com o qual havia estabelecido um processo de negociação.

D) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, cresceu associado a esse centro urbano, beneficiado das fugas de escravos do Recife e canaviais da região, chegando também a se expandir sobre toda região antes dominada por seu predecessor, o quilombo de Palmares.

E) O trabalho escravo nos canaviais também gerava resistência, fosse na forma de revoltas e assassinatos de feitores, fosse na forma de sabotagem da produção.


42. O “desembarque de Sirinhaém” em 1855, em Pernambuco, teria sido apenas mais um dos vários episódios de contrabando de escravos, caso não tivesse dado errado. Tudo começou quando o comandante do palhabote (espécie de embarcação também utilizada para o tráfico atlântico de escravos), invés de ancorar no engenho de João Manuel de Barros Wanderley, acabou parando nas terras do seu vizinho. Este, por sua vez, prontamente denunciou o caso às autoridades. A notícia acabou ganhando grande destaque na imprensa, por ter sido o último negreiro apreendido na costa brasileira com cativos africanos a bordo.

(CARVALHO, M. J. M de. O desembarque nas praias: o funcionamento do tráfico de escravos depois de 1831. Revista de História, São Paulo, n° 167, julho/dezembro 2012, pp. 223-260).

Em relação ao tráfico de escravos em Pernambuco, assinale a alternativa CORRETA.

A) Embora a lei antitráfico tenha entrado em vigor desde 1831, as autoridades imperiais nada fizeram para deter o comércio ilegal nos portos das capitais provinciais. Exemplo disso foi o porto do Recife, que não teve seu cotidiano alterado, no que tange ao comércio atlântico de escravos.

B) Embora conhecida como “Lei para inglês ver”, a Lei de 1831 contribuiu bastante para frear o ímpeto dos traficantes. Exemplo disso é que, em finais da década de 1830 e durante a década de 1840, o número de escravos que ingressaram na Província de Pernambuco diminuiu de forma vertiginosa.

C) O desembarque de cativos africanos nos portos naturais das diversas praias que ficavam na Província de Pernambuco, mas distante o suficiente para dificultar a vistoria das autoridades imperiais, foi uma estratégia desenvolvida pelos atores que participavam do contrabando de africanos, para continuar fornecendo cativos para a capitania.

D) Embora muito alarmado pela imprensa provincial e nacional, o “Desembarque de Sirinhaém” pode ser considerado uma exceção, pois a forte fiscalização da coroa impedia que fatos como este fossem corriqueiros.

E) Por ser, à época do “Desembarque de Sirinhaém”, uma província com forte tendência abolicionista, Pernambuco quase não recebia mais escravos. Além disso, os políticos e as elites latifundiárias estavam mais interessados em fomentar a vinda de mão de obra livre do exterior, principalmente a dos chineses.     

Respostas: 41 – D, 42 – C.

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Alexandre L'Omi L'Odò deixa um recado para o Brasil no Palácio do Planalto

Print da postagem do Palácio do Planalto focando Alexandre L'Omi L'Odò em seu encontro com a Presidenta Dilma.

Alexandre L'Omi L'Odò deixa um recado para o Brasil no Palácio do Planalto

Só hoje pude ver este vídeo gravado comigo logo após eu ter feito uma limpeza espiritual dentro dos fundamentos da Jurema Sagrada na nossa presidenta Dilma Rousseff , que me recebeu com muito afeto e carinho, no ato da Reforma Agrária no dia 1° de Abril de 2016.

Fico feliz de poder deixar esta mensagem de paz e de apoio à democracia para todo Brasil. Também me sinto honrado de ter podido colaborar na difícil estrada da presidenta com mais uma boa energia, perante tantas, emanadas por pessoas de bom coração, para lhe fortalecer, dar saúde e força para enfrentar todo este processo do golpe firme e forte. Tenho fé na democracia e com certeza iremos derrotar os golpistas com a verdade e a democracia!


Link da postagem do @blogplanalto e @DilmaBr: https://twitter.com/blogplanalto/status/715941602540138496 

Veja o vídeo aqui: 


Obrigado Reis Malunguinho e minha grandiosa mãe Oxum por mais este momento de fortalecimento de nossas tradições. Obrigado por me escolherem para fazer parte disso.Me mantenho mais que fortalecido na luta, não desistiremos do Brasil. Salve a fumaça!

#DILMAFICA!
#AMODEMOCRACIA!
#MALUNGUINHO!
#JUREMASAGRADANOPALÁCIODOPLANALTO!
#ALEXANDRELOMILODO!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Acorda Povo de Peixinhos 2016 celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Acorda Povo de Peixinhos 2016
Celebra 30 anos de resistência na fé em Xangô e São João


Demorei 28 anos esperando receber esta bandeira, e por esta tradição farei o melhor! Vamos celebrar os 30 anos do Acorda Povo de Peixinhos!

A Casa das Matas do Reis Malunguinho, meu terreiro de Jurema (em seu endereço provisório) tem o prazer de convidar todas e todos para a levada da Bandeira de São João por mim recebida ano passado pelo GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças - detentor desta tradição. 

Dia 22 de Junho de 2016, o Bairro de Peixinhos mais uma vez vivenciará e celebrará esta linda celebração que é levada com muita garra e seriedade há 30 anos (comemorados em 2016) pelo GCASC. Sabemos que esta tradição tem mais de 50 anos no bairro, e que há 29 anos o Grupo se responsabilizou em manter vivo este patrimônio imaterial, afinal, se percebia na época (há 30 anos) que esta procissão junina estava se extinguindo. Este ato, nos garantiu hoje vermos viva uma das mais lindas procissões sincréticas e híbridas do Brasil.

Nos últimos anos vimos na madrugada do dia 22 para o dia 23/06 uma multidão de aproximadamente mil pessoas acompanhando esta Bandeira. Isso é muito forte e demonstra o quanto as pessoas envolvidas se dedicam para agregar o máximo possível de membros da comunidade para manter viva nossa cultura. Isso me emociona muito.

Dia 22 de junho, às 00h a Bandeira de São João com toda sua orquestra de tambores tocando coco, sairá pelas ruas do bairro a partir da Rua da Harmonia, n°27 (nosso terreiro/casa), para ser entregue na Rua do Cajueiro. Faremos uma celebração à Xangô antes da meia noite com os ilús sagrados da tradição nagô, tocando e invocando o Orixá do fogo e da justiça.

A partir das 18h, teremos shows de coco e forró pé de serra animando a comunidade antes da grande procissão. Cheguem cedo, vamos aproveitar a festa. Contaremos com os coquistas do bairro que cantarão fazendo a tradicional roda de coco de Peixinhos.

Teremos fogueira, comidas típicas e muita alegria para amanhecer o dia com toda fé no nosso senhor Xangô, Malunguinho e São João Batista.

Estão todas e todos convidados. Venham celebrar comigo este momento histórico na minha vida. Axé e salve a fumaça!

Estou muito agradecido pelo reconhecimento da comunidade. Isso nos fortalece!

Quem quiser saber o que é o Acorda Povo através de dados históricos, visite: 


Serviço:

Acorda Povo de Peixinhos 2016
Saída da Bandeira - 22 de Junho às 00h
Shows e roda de coco à partir das 18h
Local: Casa das Matas do Reis Malunguinho - Rua da Harmonia, n°27
Grátis e na rua, é um evento da comunidade!


Alexandre L'Omi L'Odò
Casa das Matas do Reis Malunguinho 
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 30 de abril de 2016

Malunguinho, Política e Povo de Terreiro – O lado certo da luta!


Malunguinho. Representação de luta e resistência dentro da Jurema Sagrada. Foto de Marcelo Curia. 2010.

Malunguinho, Política e Povo de Terreiro – O lado certo da luta

Malunguinho (ou os Malunguinhos) herói da luta por liberdade do povo negro e indígena em Pernambuco, foi assassinado brutalmente pelos poderes constituídos por milícias e “forças de paz”, enviados pelos membros da Casa Grande e da Coroa Portuguesa (os caucasianos [brancos], imperialistas pertencentes às elites aristocráticas do Brasil e Portugal). O último líder do Quilombo do Catucá, o Malunguinho João Batista, teve sua morte notificada em 18 de Setembro de 1835, em emboscada cruel na cidade de Maricota, hoje Abreu e Lima/PE.

Esta mesma Casa Grande, citada anteriormente, assistiu a “abolição” da escravatura em 13 de Maio de 1888 de mal grado... E decidiu jogar a população escravizada nas ruas sem nenhum direito civil... Marginalizando um contingente populacional que é a maior parte deste país, o povo negro. Este mesmo grupo de ricos colonialistas patrocinou o genocídio indígena (no período da colonização) e promove até hoje a mortalidade dos indígenas e da população negra neste país. Basta observar os dados sobre: http://renafrosaude.com.br/mortalidade-da-juventude-negra/  

Esta elite da Casa Grande, sempre esteve no poder... Cometendo todo tipo de atrocidade e desumanidade. Hoje, esta mesma elite ascendente genética ou ideologicamente da Casa Grande não está conformada com a democracia constituída no Brasil e com a sua perda crescente de privilégios econômicos, históricos etc. Por estes motivos, querem dar um golpe no nosso sistema político, pedindo e articulando o impedimento ilegal da presidenta Dilma, tentando romper 13 anos de um governo de esquerda no poder do nosso país.

Isso mesmo... Apenas 13 anos, suficientes para efetivar grandes mudanças no formato político do país, revertendo prioridades e voltando para o povo preto e pobre políticas públicas sociais que estão revertendo (lentamente ainda) a lógica da partilha dos bens pecuniários para a maior parte da população. Esta elite da Casa Grande até onde se consta na história sempre esteve no poder e jamais fez isso...

Em meio a todo este contexto histórico e político, uma pequena parcela do povo de terreiro, por ser em sua grande maioria herdeiro da senzala, exatamente por herdar um sistema tradicional e religioso de matriz africana e indígena... Posicionam-se estranhamente e incompreensivelmente favoráveis ao Golpe. Isso a meu ver é algo assustador. É quase como matar duas vezes a luta dos nossos ancestrais que foram torturados e mortos por esta mesma elite que insiste em dominar, mesmo sendo apenas 1% de nossa população geral.

Creio que esta postura provenha da falta de entendimento de lugar histórico dos participantes e sacerdotes destas religiões. Afinal, grande parte de nosso povo ainda está imergindo das trevas do racismo e da intolerância. Aos poucos estamos compreendendo nosso papel histórico e político, e de como devemos nos articular para avançar perante ao processo de libertação ainda do escravismo mental e social que estamos envolvidos completamente desde colonização. Somos também herdeiros de um pensamento colonizado...

Não posso me calar ao ver este tipo de atitude. Compreendo o direito de todo indivíduo ter sua própria opinião, mas me parece totalmente incoerente pessoas de terreiro apoiarem o opressor histórico. É terrível assistir “o oprimido assumir o discurso do opressor” (Simone de Beauvoir). Ao que percebo, a profunda auto baixa estima vem dominando estas falas (a favor do golpe) vazias de história e contexto.

Se fazemos parte de uma comunidade tradicional, temos que no mínimo saber nosso lugar na história. Esta é uma missão espiritual. Defender a luta de nossos ancestrais é um dever, e lutar pela manutenção de nossa religião é lutar contra o opressor.

Contudo, não é de se estranhar estas posições favoráveis ao golpe e aos golpistas: Nosso povo sempre foi dominado e entendo que é difícil quebrar o paradigma do dominado... Submeter-se é quase sempre a primeira opção escolhida pelo dominado que historicamente não aprendeu a lutar contra as atrocidades dos dominadores. Mas devemos pensar... Refletir de qual lado queremos estar... E o lado que estamos é o lado dos herdeiros da senzala, o lado dos que sofrem ainda as conseqüências dos crimes históricos cometidos contra a humanidade – a escravidão africana e o holocausto indígena!

Rogo ao Reis Malunguinho, que morreu para que eu pudesse estar aqui escrevendo este texto, para que nossos irmãos e irmãs enxerguem logo que devemos nos unir e combater a dominação ideológica e histórica da Casa Grande sobre nós. Esta é uma necessidade primeira. Nosso futuro depende de nossa resistência e estratégias de combate ao racismo.

Jamais apoiaria o lado dos dominadores. Se nosso lado político tem alguns problemas, devemos nos ater a resolvê-los. Mas submetermo-nos ao chicote das elites jamais! Digo não ao golpe pelo sangue de nossos ancestrais! Não vão matar o jovem sistema democrático que temos. Não permitiremos isso, somos resilientes, vamos vencer com fé na democracia!

Este texto nasceu da necessidade de expressar minha opinião sobre pessoas pertencentes aos terreiros (de qualquer nação ou segmento) que apóiam o Golpe contra o atual governo instituído de forma democrática. Que fique claro que sou veemente contra este tipo de postura. Temos um lado, e este lado deve ser observado e levado em consideração na nossa luta coletiva.

Malunguinho se manteve vivo, como prova de sua grande importância na luta por liberdade em Pernambuco! A Jurema Sagrada, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, o deificou imortalizando-o como divindade fundamental dentro desta religião. O Reis Malunguinho, o Reis das Matas, o caboclo, mestre, trunqueiro e reis, se manteve vivo, sendo este seu único reduto de memória, afinal a Jurema Sagrada é também história! Eu como membro dos que desfrutam da herança da luta deste guerreiro, estou ao lado de sua luta, de sua trajetória, de sua incansável  busca por direitos. Eu sou do lado do povo de terreiro, não posso estar ao lado dos opressores jamais.

Sobô Nirê Mafá!

#NãoVaiTerGolpe!
#FéNaDemocracia!
#MalunguinhoMeuHerói!

Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro e mestrando em ciências da religião
Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Ao povo de Terreiro. Sem medo de ser feliz!

Alexandre L'Omi L'Odò. Foto de Mariana Mahmood.

Ao povo de terreiro. Sem medo de ser feliz!

“Cego é quem não enxerga pelo uma cerca de vara. Não há quem cuspa pra cima que não lhe caia na cara”. Recado do caboclo Arranca-Toco.

Este recado do grande Caboclo nos ajuda a refletir sobre o papel político que nós, povo de terreiro, temos que assumir. Não estamos conseguindo enxergar por uma cerca de vara... Não estamos vendo o risco que corremos e não estamos nos organizando suficientemente para combater o avanço conservador que nos ameaça a todas e todos. Se não acordarmos agora, vamos sofrer as conseqüências de nossa omissão política.

Nossos ancestrais já derramaram sangue por nós. Não vamos permitir que nosso sangue seja derramado também por nossa falta de consciência de coletividade. Se não olhamos para o futuro, vamos amargar com certeza a dor do arrependimento!

Nos mais de 400 deputados federais que votaram contra e a favor do golpe, nenhum falou em nosso povo de terreiro. NENHUM! Ficou claro que nós estamos completamente desamparados, pois não temos sequer uma representação para garantir uma fala que nos represente, defenda e nos valorize perante tantos evangélicos que querem nos, converter e exterminar, ou pelas leis, ou pela força. Reitero que concebo conversão religiosa aos moldes deles como extermínio cosmológico e etnico.

O povo de terreiro não tem a quem recorrer. Temos aliados sim! Poucos demais... Respeitamos eles e elas, também valorizamos suas lutas a nosso favor. Mas não temos nossa representação legítima que garanta de fato e de direito nossas pautas. Não estamos nas câmaras de vereadores (com raras exceções), nem nas câmaras estaduais e muito menos nas câmaras federais... Nosso povo não tem representatividade política nenhuma! Estamos nas mãos dos que querem julgar por nós, a nossa vida e destino. Estamos nas mãos de vereadores e deputados que na sua maioria são evangélicos. Estamos em risco eminente, e temos que acender a luz vermelha de alerta agora.

Há anos assistimos abertamente aos crimes de intolerância religiosa. Não citarei muitos, mas um dos mais emblemáticos foi o caso de Mãe Gilda de Ogun, que faleceu devido a agravamentos de sua saúde após um infarto ao ver a Igreja Universal estampar sua foto em um de seus jornais vinculando a imagem desta respeitada iyalorixá de Salvador ao charlatanismo e a coisas do “mal”. Sua morte motivou a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Também, recentemente em Brasília a imagem de Oxalá foi queimada cruelmente por intolerantes. Vimos tudo isso na internet... Poderia escrever um livro, só relatando os casos de intolerância que eu mesmo ajudei a encaminhar ao DISK 100 etc. Vivemos um tempo sombrio... Um tempo de guerra religiosa...

Isso tudo é permitido estar acontecendo, único e exclusivamente, por não termos representação política. Ninguém legisla por nós. Os grupos representados nos espaços políticos defendem apenas seus interesses e pronto. O papel democrático de um político é defender o povo, mas infelizmente isso não ocorre. A realidade é dura e muito frustrante. Poucos são exceção neste caso, e estes poucos fazem a diferença, mas ainda são poucos...

Infelizmente o povo de terreiro ainda trabalha contra si próprio politicamente. Vejo terreiros, sacerdotes e sacerdotisas se aliarem a pessoas “amigas”, vendendo seus votos por bodes ou cabras, confeitos para o Cosme Damião ou por tijolos etc.... Vejo ainda supostas lideranças fazendo o jogo do Estado de olhos azuis, que não criou a secretaria de PIR e não contribui com nada em nossa luta por direitos... Não pensam no futuro e muito menos no coletivo. Olham apenas para seus umbigos e ali ficam fechados nas quatro paredes de seus terreiros, que quando sofrem violência, intolerância ou qualquer outro problema procuram os pequenos coletivos que estão tentando se organizar para ajudar a estes e estas que não param pra pensar e contribuir na sua própria causa. Alguns ainda criticam quem tenta lutar, falando que não alcançamos êxito na causa... Mas compreendo que isso é fruto da vulnerabilidade que nosso povo tem. Ao meu ver, sofremos de um complexo de inferioridade muito profundo, fruto do racismo e da intolerância que convivemos cotidianamente. Ser de terreiro em nosso país não é fácil, contudo demonstramos a cada dia capacidade de reversão, mesmo de forma lenta e até invisível aos olhos da sociedade... Mas estamos avançando.

Temos que pensar no nosso futuro! Afinal, não pensar pra frente é suicídio à passos lentos... Um contra gotas que em algum momento vai encher a taça e transbordar para todos os lados. A taça do racismo e da intolerância religiosa transborda todos os dias... E rogo à nossas divindades e entidades de matriz africana e indígena que não transborde de vez. Mas isso só não acontecerá se agirmos logo e com força!

Temos que ficar atentos! Não podemos repetir mais o discurso de que fomos separados desde África e por isso hoje somos desunidos.Este discurso não pode servir como álibi para nossa incapacidade de comprometimento. Não podemos mais nos vitimizar. Os fatos históricos servem sim para nos orientar e nos ajudar a refletir. Mas este tipo de argumento não deve servir para nos amortizar e nos posicionar de forma covarde perante os fatos.

Temos que nos UNIR! Mesmo se não gostarmos de “A” ou “B”, temos que entender que nossa discussão não deve ser pessoal, ou a de simpatia por “A” ou “B”. Nossa causa deve ser coletiva pelo bem comum de todas e todos. Estamos em um barco só – Jurema Sagrada, candomblés, umbanda, batuque, tambor de mina, jarê, terecô, pajelança do Amazonas, kimbanda, nagô, culto Egungún, rezadeiras e benzedeiras etc. Somos um povo só, o Povo de Terreiro, independente de nossas práticas particulares e nações. Ainda temos a cultura popular, filha dos terreiros, nossos brinquedos e manifestações do sagrado na rua.

O que assistimos na votação do golpe (no último domingo 17/04/2016) foi um festival de discursos evangélicos pautados na falsa moral, na hipocrisia mais fétida e no mal perverso do julgamento de que temos que engolir a lógica de mundo deles, como se o Brasil fosse um país evangélico e que temos que seguir as regras religiosas deles. Ficou claro o teocentrismo cristão em grande parte das falas. Isso nos assusta. Sabemos que estes posicionamentos atingem diretamente a todos nós. Falam em família por que acreditam que famílias homoafetivas LGBT não mereçam respeito e não devam existir. Falam em nome do Deus deles por que nos julgam como diabos e que só eles são os certos. Temos que ter medo disso, mas também enfrentar... Estas falas beiram a possibilidade de uma ditadura cristã evangélica (dos diversos segmentos) por meio de leis que nos impedirão até de existir, tendo em vista que a lógica cristã é: “quem não é de Deus, é do Diabo”, e este diabo (chamado também de inimigo) deve ser perseguido, convertido ou exterminado.

Temos que acordar URGENTE!

Será que o Povo de terreiro acredita mesmo que não temos votos para eleger pessoas de nosso segmento? Somos um povo grande, com muita gente. Temos votos pra eleger quem quisermos. Temos que mostrar isso nas eleições em outubro deste ano.

Não acredito e nem referendo bancada religiosa. Jamais gostaria de ver uma bancada de povo de terreiro. Apoiar essa idéia é ser contra a democracia e sobre tudo apoiar a lógica deles, que não nos representa. Contudo temos que entender que precisamos de representação. Sem ela, não conseguiremos fazer nada. Não devemos ficar apenas no discurso, que na maioria das vezes se tornam mortos desde a raiz por não haver luta pela concretização dos nossos ideais. Palavras jogadas ao vento não levam a nada...

A democracia foi estuprada, torturada e rompida ontem no Congresso Nacional. Isso não esqueceremos. Em nome do Deus cristão mais um grande crime contra o país foi efetivado. Um pastor evangélico da Assembléia de Deus, Eduardo Cunha, um dos maiores bandidos do Brasil presidiu um golpe apoiado por significativa parcela da população (branca e de classes elevadas, ou alienados mesmo). Golpe este contra uma mulher honesta e digna. Sem nenhum crime cometido. Isso não irá ficar assim! Somos o povo das favelas, dos alagados, dos bairros pobres, somos o povo de terreiro que temos força para barrar este mal que assola nossas vidas.

Nós "cuspimos pra cima" quando não nos unimos. Então... Cuidado pra não cair em nossa cara!

Que não nos falte o entendimento. Que não nos falte a coragem de concretizar nossos verdadeiros sonhos e ideais! Devemos lutar por nossa comunidade tradicional, somos um Povo e merecemos respeito!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho! Herói que esta junto conosco nessa luta por liberdade! Meu cachimbo sempre estará a disposição na luta por causas legítimas do povo.

SE LIBERTA POVO DE TERREIRO!

VAMOS ELEGER UM! VÁRIOS! VAMOS ELEGER NOSSO POVO!

Alexandre L’Omi L’Odò
Juremeiro e Aborìsà
Quilombo Cultural Malunguinho

sábado, 26 de março de 2016

Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò - Jurema Sagrada e História



Tecendo Histórias - Alexandre L'Omi L'Odò
Jurema Sagrada e História

"O sacerdote Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre a história da Jurema Sagrada, religião de matriz indígena e africana do Nordeste do Brasileiro".

Este curto registro de 7 minutos contendo uma fala minha sobre aspectos históricos da religião Jurema Sagrada, revela mínimos conteúdos que precisariam de muito mais tempo para que eu pudesse abarcar seus conteúdos mais profundos. Não era objetivo deste trabalho ter falas maiores, mas sim registrar o pensamento "geral" contemporâneo da religião.

Outros vídeos serão produzidos com outras falas minhas pela Ocarete TV - Povos e Comunidades Tradicionais (visitem o canal do youtube da instituição: https://www.youtube.com/channel/UCqdtq0OtpRklnwhB87UHRZg). Esta instituição, produz diversas atividades, onde uma delas é realizar audiovisuais contendo conteúdos raros de povos e comunidades tradicionais pelo Brasil. Um trabalho louvável e necessário.

Parabenizo e peço obrigado ao irmão de caminhada Henry A. Y. N. por ter feito este belo registro audiovisual aqui no Nascedouro de Peixinhos, locação que sugeri e foi aceita com muita alegria. Nosso encontro foi muito produtivo. Espero que possamos trocar mais saberes juntos. Fiquei feliz ao ouvir na trilha sonora o coco "Mas é com o coco que ela vai parar", gravado há um bom tempo atrás por mim no CD Coquistas de Olinda Contra a Violência. Vocês pesquisou minha trajetória e foi buscar lá no passado um dos poucos registros meus cantando. Axé.

Tenho que pedir obrigado a amiga de luta Mell Borba por ter feito esta articulação entre nós. Você foi um elo importante para que este material nascesse. Estamos sempre juntos na luta. Salve parceira!!

Que a Jurema Sagrada ganhe a cada dia mais espaço no meio público para que todo racismo e preconceito existente contra esta religião seja eliminado através de informações de qualidade que contribuam para o sentimento de respeito dos religiosos de dentro e de fora de nossa tradição.

A JUREMA MERECE RESPEITO!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!
Adupé.

COMPARTILHEM.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
Mestrando em Ciências da Religião 
alexandrelomilodo@gmail.com 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra


III Encontro de Juremeiros e Juremeiras em Alhandra

Dia 06 de Março de 2016 às 09h
No Clube Gilberto Valério, Alhandra/PB

O terceiro encontro de juremeiros e juremeiras em Alhandra tem como objetivo, levar religiosos de diversos lugares para celebrar a ciência mestra, trocar saberes e semear a união entre os terreiros em um dos lugares mais importantes da história da Jurema Sagrada: Alhandra/PB. Também, objetivamos abrir o calendário anual das atividades do Povo da Jurema no Brasil, fortalecer nossa Rede Nacional do Povo da Jurema e discutir coletivamente o papel político do povo de terreiro que precisará se posicionar fortemente nas eleições 2016 em todo nosso país.

Dando continuidade aos encontros realizados em 2008 (primeiro encontro de juremeiros e juremeiras realizado ainda nas terras do Sítio do Acaes) e o segundo realizado em 2015, continuamos unindo o povo da Jurema na missão da preservação de nossas tradições religiosas e culturais, além de manter acesa a luta pela preservação do Sítio do Acaes que foi destruído em 2008. Temos uma missão moral de cobrar do Estado ações de reconstrução e preservação da Casa de Maria do Acaes e outros patrimônios materiais e imateriais da Jurema.

Nosso Encontro, favorece a articulação e o respeito à diversidade religiosa interna de nossa religião, propiciando o encontro de povos e comunidades tradicionais de terreiro do Nordeste que nunca antes haviam se conhecido. Cada um com seus ritmos específicos, toadas particulares, formas de ser próprias trocando saberes sem preconceitos. Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Ceará... Estados fortes do culto da Jurema unidos por que A JUREMA MERECE RESPEITO!

Temos um foco forte em 2016: Somos um povo pungente e uniremos forças para eleger nossos representantes políticos. Esta é uma necessidade coletiva nossa. QUEM É DE TERREIRO, VOTA EM QUEM É DE TERREIRO!

Salve a Jurema Sagrada!

Informações Gerais

Saída dos ônibus
06h
Em frente ao Memorial Zumbi dos Palmares, no Pátio do Carmo, centro do Recife.

Valor da passagem: R$: 45

Para comprar os bilhetes:
Ligue para: 81 99901-3736 (TIM/Zap) – Falar com a Secretária Bethânia.

Programação:

09h - Chegaremos em Alhandra e realizaremos uma grande gira de culto à Jurema Sagrada, abrindo o evento – Podem levar ilús, maracás e irem vestidos com roupas tradicionais.

10h – Gira de Diálogos – A Jurema Sagrada, patrimônio e a luta contra a Intolerância Religiosa (momento da diversidade religiosa com representantes de diversas religiões).

10h40min – Debate.

11h Gira de Diálogos – A posição política e religiosa do Povo da Jurema nas Eleições 2016.

11h45min – Debate.

12h30min - Almoço – Faremos uma parada no Restaurante Teto Verde em Alhandra. Valor da comida: entorno de R$: 13.  Self Service. Cada pessoa paga o seu.

14h e 30min - Após o almoço, visita à casa da Mestra Jardecilha para celebração de Jurema e troca de saberes debaixo dos Sagrados pés de Jurema.

17h – Retorno das Caravanas - Parada na Igrejinha do Acaes e no Memorial Zezinho do Acaes

Realização: Quilombo Cultural Malunguinho (idealização e coordenação geral), Rede Nacional do Povo da Jurema e Casa da Mestra Jardecilha.

Parcerias e Apoios: Prefeitura de Alhandra, Casa das Matas do Reis Malunguinho, Terreiro de Jurema do Mestre Benedito Fumaça – Pai Freitas/RN, Tenda de Umbanda Pai Francisco – Pai Messias/PE, Templo Afro Brasileiro José de Aruanda – Pai Vamberto/PB, Templo de Jurema Zé Rosas/PB, Casa de Caridade de Candomblé Ilê Axé Dará Xangô Oyá – Pai Alex de Arapiraca/AL, Terreiro de Jurema do Mestre Zé Vieira – Juremeiro Arthur/PE, Associação Espírita dos Juremeiros de Alhandra/PB.

Capa para Facebook. Coloque em sua página e nos ajude a divulgar o evento.

Alexandre L’Omi L’Odò
Coordenador Geral
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PRÉ-LANÇAMENTO DO CD SOBÔ NIRÊ: MEU LABOR DA MATA


PRÉ-LANÇAMENTO DO CD SOBÔ NIRÊ: MEU LABOR DA MATA

“ O  projeto Sobô nirê: Meu Labor da Mata” convida a todos para esta viagem de sons, o sagrado da Jurema, os tambores, a criação de uma musicalidade que preserva a nossa memória ancestral tantas vezes renegada. Abrimos as matas para você se deleitar com este grande experimento musical da tradição oral ligada as  religiões afroindigenas”
                                                     (Ricardo Nunes- Jornalista e Juremeiro)

Como forma de preservar o patrimônio imaterial da Jurema Sagrada contido nas toadas de louvação à Malunguinho, o Quilombo Cultural Malunguinho lança em parceria com o Estúdio Peixe Sonoro, do Centro Tecnológico de Cultura Digital (CTCD/ITEP) o projeto de CD intitulado Sobô Nirê- Meu labor da mata.   Em comemoração ao mês da Consciência Negra disponibilizamos três faixas para Download.  Uma degustação especial desse grande projeto!  

O CD Sobô Nirê- Meu labor da mata contém 14 faixas com um mix entre toadas tradicionais e músicas inéditas com criações e arranjos que trazem a identidade sonora de cada artista pernambucano integrante do projeto.  O processo de captação, pós-produção e finalização foi realizado no Estúdio Peixe Sonoro (CTCD/ITEP), a pesquisa histórica e a articulação cultural artística ficaram a cargo do Pesquisador Alexandre L’Omi L’Odò,  Quilombo Cultural Malunguinho. A  produção musical esteve  à cargo do músico Rinaldo Aquino, Ogan.

Este projeto foi assinado como produção do Selo Fonográfico Peixe Sonoro, contando com uma produção colaborativa entre o CTCD e os artistas convidados: Karynna Spinelli, Bojo da Macaíba, Coco dos Pretos, Bongar, Lucas dos Prazeres e Chinelo de Iaiá. Todos os artistas cederam os direitos autorais e de uso de imagem e som para o projeto.  

Malunguinho era o título dado aos líderes quilombolas do Catucá. Ele, ou eles foram heróis negros, líderes quilombolas que defenderam por mais de 30 anos o quilombo que se localizava no que  hoje geograficamente compreendemos como Mata Norte de Pernambuco. No culto da Jurema Sagrada, estes heróis transformaram-se em uma única divindade conhecida como Reis Malunguinho. Este (estes) personagem da luta por liberdade dos negros e negras em Pernambuco foi negado pela historiografia oficial e preservado como divindade na tradição da Jurema, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil.

Este registro inédito da oralidade dos terreiros  integra o patrimônio imaterial dessa comunidade tradicional e remonta as antigas lutas do Quilombo do Catucá. Acredita-se que Malunguinho esteja entre entidades e divindades do culto da Jurema que tem a maior quantidade de toadas para os mais diversos tipos de rituais. Por este motivo torna-se necessário ampliar e provocar uma nova percepção, onde as toadas possam ocupar espaço no cotidiano recontando a história dos povos afroindigenas a partir de seus heróis e divindades.

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Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 20 de setembro de 2015

X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá


X Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
1835 - 2015 Malunguinho Histórico e Divino, 180 anos resistindo!

Dez anos do maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil. O Kipupa Malunguinho em sua décima edição, levará mais um ano para as matas sagradas do "Catucá" a alegria da fé do povo de terreiro, para celebrar o Reis Malunguinho, único líder quilombola a virar divindade na história de nosso país. Celebraremos os 180 anos de resistência da luta por liberdade do povo negro/indígena de Pernambuco. Com muito coco, ritual nas matas e muita troca de saberes, vivenciaremos coletivamente mais uma vez o hermanamento entre a religiosidade tradicional de terreiro e a cultura popular.

Informações básicas: 

Dia 27 de Setembro de 2015 (Domingo)

Das 09 às 18h

Local: Matas de Pitanga II, Abreu e Lima/PE (Sítio de Juarez) "Catucá"

Como chegar? 

O local do evento é um pouco complicado de chegar. Mas providenciaremos ônibus saindo da Igreja do Carmo do Recife às 7h da manhã. Valor da ida e volta para o mesmo local R$: 30. Bilhetes vendendo no box de Eliane dentro do Mercado de São José.

Para quem vai de carro ou em caravanas independentes o ponto de encontro é às 8h da manhã em frente a Prefeitura de Abreu e Lima. De lá sairá o comboio para o local do evento. 

A estrada estará sinalizada com Banners. O local de entrada para chegar lá é na Avenida principal no Terminal dos Combeiros. Seguindo pelo bairro do Planalto entrando em Pitanga II. Não tem erro, é só seguir a sinalização e seguir o caminho sem entrar em nenhuma rua.

Terreiros e grupos podem organizar suas caravanas independentemente. 

Qualquer pessoa pode participar.

Terreiros podem levar ilús e demais instrumentos, além de suas oferendas próprias e irem vestidos com roupas tradicionais da Jurema.

Apresentações Culturais:

Grupo Bongar
Pandeiro do Mestre
Coco de Pareia 
Grupo Raízes

Contatos: 81. 99901-3736 / 98887-1496 / 99525-7119
www.qcmalunguinho.blogspot.com 
quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com 

Confirme presença no evento no Facabook: https://www.facebook.com/events/885812238133089/ 

Para informações mais aprofundadas sobre o evento visitem:

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com