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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

50 anos de axé de Mãe Lu Omitòógún - Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma montanha!


50 anos de axé
Àjòdún Àádota

Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma montanha!

Foi em um Janeiro de 1966 que uma jovem negra de apenas 16 anos, filha de Iyemojá Ògúnté, se iniciou na tradição nagô de seus avós e pais em rituais de muito segredo e discrição. Lá no passado, em um período de grande perseguição às religiões afro que a doce adolescente nasceu para o Orixá.

Teve em sua cabeça as fortes mãos da Sra. Maria Vicentina da Costa, a Tia Vicência - Ifádayrò  (de Iyemojá Sesú), sua iyalorixá, filha adotiva de Ignês Joaquina da Costa – Ifatinuké, e teve como pai (no ritual) Olofin Oduduwá, “padrinho” do Sítio de Pai Adão.

Participaram deste ritual, seu pai carnal Malaquias Felipe da Costa – Ojé Bií, e como “padrinhos” Paulo Braz Felipe da Costa – Ifátòógún (seu irmão carnal) e o Sr. Toinho do Monte. Sua “madrinha” foi Tia Mãezinha – Iyamidè, filha carnal de Pai Adão, que dela cuidou dentro do Peji do Sítio junto com Tia Vicência nos dias de seu resguardo religioso.

Sua trajetória, iniciou mesmo na Jurema Sagrada, quando nos antigos tempos do Nagô, era necessário primeiro confortar os caboclos e caboclas para se ter a permissão para “fazer o santo”. Consagrada para o Caboclo Viturino e o mestre Antônio, tinha em sua mãe carnal a maior escola possível nesta “ciência mestra”, já que a Sra. Leônidas Joaquina da Costa - Omisèun era uma grande juremeira, herdeira da tradição indígena de seus pais e avós.

Ela ainda herdou a tradição da fé em Nossa Senhora da Conceição (sincretizada com Iyemojá nos cultos de matriz africana de Pernambuco), santa católica que sempre foi adorada por Pai Adão, pelo seu Pai e hoje por ela com profundo amor, devoção e fervor. Aprendeu a rezar o mês mariano e zela pela imagem de Maria, que tem mais de 180 anos de existência, pois pertenceu a Pai Adão no passado.

É isso mesmo, a menina herdou a tradição da tríplice pertença religiosa. A Jurema, a Tradição Nagô e o Catolicismo Popular vivem harmonicamente em seus caminhos do axé. Seu cosmo é regido por este universo xenofílico.

A menina cresceu e se demonstrou uma grande iyalorixá. Com sorriso largo, carisma sem igual, suavidade nas palavras, sabedoria nos conselhos dados, humildade religiosa e devoção ímpar, ela trouxe para junto de si centenas de filhos e filhas que a amam e comungam de sua trajetória de vida com felicidade. Ela tem mão odara, e quem se banha em suas águas, conhece o bem e a beleza da vida afroreligiosa.

Hoje, a Sra. Maria Lucia Felipe da Costa, Mãe Lu Omitòógún, de 65 anos de idade, sacerdotisa mor do Ilé Iyemojá Ògúnté, é na linhagem hierárquica nagô a iniciada à Ògúnté mais antiga viva do Sítio de Pai Adão. É professora formada em Letras/Inglês e pós-graduada em história das artes, mãe de uma única filha carnal chamada Bárbara (atual mãe pequena do terreiro) e professora de uma escola de referência no Recife.

Ela é oceânica! Mulher de grande respeito. Cuidadora e criadeira de muitos filhos adotivos. Arrimo de família. Guerreira e sonhadora. Consciente de seu papel como mulher negra, milita na causa ainti-racismo. Ensina que devemos lutar por nossos direitos e vai à luta com seus filhos, pois é uma mãe sem igual. Ela compra as brigas dos filhos sim, encara a guerra e vence as batalhas que a vida nos traz. Ela segura em nossas mãos. Ela nos acaricia e acolhe. Na beira de sua cama choramos nossas mágoas. Ela também chora com a gente. Ela nos abraça e nos faz ter a certeza que sempre poderemos contar com sua força maternal de grande sacerdotisa.

Mãe Lu é nossa Iyemojá, a grande mãe. Nela tudo é seio farto. Nela mora o sossego do mar calmo em dias de paz.

“Iyemojá a to f’ara ti bi oké – Firme como uma montanha”!
Tití àiyé!

No dia 26 de Novembro de 2016, celebraremos em nosso terreiro seus 50 anos de iniciação religiosa com o Presente (Panela) de Iyemojá e a saída de dois iyawò. Neste ato, vamos vibrar, louvar, celebrar o dom de termos esta grande mulher como nossa mãe e também de termos Ògúnté Mi como nossa regente soberana nos caminhos de odú.

Convidamos todas e todos. Axé!

Alexandre L’Omi L’Odò.
Omo Orixá - Historiador e Mestrando em Ciências da Religião.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 9 de outubro de 2016

Campanha - Pai Paulo Braz Meu Patrimônio Vivo

Pai Paulo Braz Ifátòógún - Alapini. Foto de Alcione Ferreira.

CAMPANHA
Pai Paulo Braz Meu Patrimônio Vivo!
#PaiPauloBrazMeuPatrimônioVivo!

Quem o conhece, quem passa algumas horas perto dele, quem escuta suas histórias e contos, quem o vê falando yorùbá e traduzindo, quem o vê cantar, quem o vê dançar, quem o vê celebrar a ancestralidade africana, quem o vê invocar os Orixás, quem joga o Ifá e descobre seu destino com ele não tem dúvidas, ele é um Patrimônio Vivo do Povo de Terreiro de Pernambuco e consequentemente do Brasil, um Patrimônio da Tradição de Matriz Africana, um Patrimônio Nagô.

Pai Paulo Braz IfáTòógún, é um raro sacerdote de Terreiro. Neto biológico de Felippe Sabino da Costa (Pai Adão) e filho do grande babalorixá Malaquias Felipe da Costa (Ojé Bií), ele é o herdeiro direto desta tradição nagô em Pernambuco. Babalorixá e Alapini (mestre do culto aos mortos/Eguns)do Ilé Iyemojá Ògúnté, leva à frente com muita garra os ensinamentos ancestrais de seu avô e pai.

Ele fala yorùbá! Isso mesmo. Nele está uma das últimas reservas dos saberes desta língua africana. Seus ensinamentos estão sendo repassados para os seus filhos netos e omorixás ("filhos de santo"), afinal, ele antes de tudo é um grande educador, um grande professor do divino, da tradição afro e da cultura popular.

Pai Paulo recebeu na Nigéria, pelos sumo sacerdotes e ministros de Ilé Ifé (terra sagrada africana) o título de Babá Ifá Muyidè, que significa "Ifá trouxe seu sábio filho de volta à sua terra natal". Esta honraria é uma das mais altas recebidas por um sacerdote na tradição africana, pois a partir deste momento ele foi consagrado um Osijé Agbaiyé - Um velho sábio detentor dos saberes totais da tradição, um mestre, uma referência para todos e todas irem se aconselhar.

Ele é simples. Mesmo sendo magnânimo é simples demais. Muito comunicativo e inteligente surpreende com suas longas preleções sobre os saberes orais nagô. Ele é um livro de grande valor. Nele estão guardados os símbolos necessários para a preservação de nossa memória, saberes e fazeres.

Ninguém que pertençe a tradição de terreiro pode dizer o contrário. Ele é Nosso Patrimônio Vivo!

Quem desejar conhecer sua história mais profundamente, visite este link e leia o texto que resume sua trajetória de vida na cultura e no axé: http://alexandrelomilodo.blogspot.com.br/2012/02/tio-paulo-braz-ifatoogun-um-sacerdote.html

Mais uma vez estamos indicando Pai Paulo para o Prêmio do Patrimônio Vivo de Pernambuco (foi indicado e não ganhou em 2013). Ele merece ser o primeiro Patrimônio Vivo de Matriz Africana contemplado deste edital, por uma questão de justiça e reparação. Afinal, ele tem todas as prerrogativas para ser aprovado por unanimidade.

Esta campanha a partir de hoje circulará na internet para fortalecer esta candidatura do Povo de Terreiro. Vamos compartilhar e enviar boas energias para o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Pernambuco fazer uma escolha correta e justa elegendo Pai Paulo Braz como Patrimônio Vivo de Pernambuco, ele merece essa homenagem em vida, pois é um homem idoso e com muitos problemas de saúde.

Axé e que nossos Orixás e ancestrais o abençoem nessa luta. Vamos nos manter em orações africanas para essa vitória inevitável!

Kolofé babá wá!
Ibá ooooooooooooo!
Ire oooooooooo!

COMPARTILHEM!!!

#PaiPauloBrazIfátòógún
#PatrimôniovivodePernambuco
#PaiPauloBrazNossoPatrimônioVivo

Foto de Alcione Ferreira.

Alexandre L'Omi L'Odò
Historiador e Mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com